Caixa e BNDES apostam em fábrica de projetos para apoiar infraestrutura

22 de agosto de 2019 Off Por admin

O painel de Financiamentos e Garantias para Projetos de Infraestrutura do Abdib Fórum Infraestrutura Regional – Nordeste mostrou que o BNDES e a Caixa caminham na mesma linha, de virarem grandes linhas de produção para projetos de infraestrutura.

Pedro Bruno, representante do BNDES, lembrou que, apesar do Brasil ter hoje o maior programa de parcerias com a iniciativa privada no setor de infraestrutura do mundo, ele está muito aquém da necessidade de investimentos do país.

Para ele, que esteve no PPI nos últimos três anos, está claro que não faltam mais recursos para financiamento de projetos no Brasil e sim projetos de qualidade e com garantias adequadas. Segundo Bruno, é essencial que o Banco passe a se direcionar para apoiar a produção de projetos para que seja possível ter um fluxo que não pare a cada ciclo eleitoral.

Vladimir de Brito, representante da vice-presidência da Caixa para infraestrutura, afirmou que o banco tem 3,8 mil operações contratadas e que quer ampliar esse número. Por isso, montou uma estrutura com 2 mil engenheiros e 900 advogados numa superintendência específica para apoiar o desenvolvimento dos projetos dentro do FEP, fundo que apoia a contratação de projetos para estados e municípios.

Segundo ele, são 17 projetos já estruturados pelo banco nesse formato, que têm capacidade de investimentos de R$ 2 bilhões. Além da Caixa, outro banco que está se direcionando para a infraestrutura é o BNB (Banco do Nordeste) que, segundo seu diretor, José Expedito Santos, já tem R$ 13 bilhões financiados para o setor, com recursos do FNE (Fundo de Desenvolvimento do Nordeste).

O representante do New Development Bank, ou Banco dos Brics, Marcos Abicalil, afirmou que as linhas de financiamento do banco estão sendo estruturadas para financiar projetos públicos ou setor privado. Segundo ele, o formato do banco vai permitir soluções inovadoras de financiamento. Ele anunciou ainda que, a partir desse ano, o diretor do banco será um brasileiro e há previsão de, em 2020, o banco já vai poder financiar em moeda local.

Apesar do otimismo, os debatedores André Dabus, diretor da Marsh, e Renato Sucupira, sócio da BF Capital, lembraram das dificuldades que os agentes investidores ainda têm para obter financiamentos. Segundo Dabus, “a dor não é a fonte”, mas a garantia que os empreendedores têm que apresentar para receber os recursos.

Segundo ele, o modelo atual, com fiança bancária nas etapas iniciais, onera fortemente o projeto. Sucupira lembrou que tudo começa com a edição de um bom projeto e bom marco regulatório. Para ele, será essencial evoluir nas formas de financiamento para linhas que exijam menos garantias corporativas, visto que as empresas brasileiras estão com dificuldades em seus balanços.