{"id":1034,"date":"2017-09-01T14:00:13","date_gmt":"2017-09-01T17:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agenciainfra.com\/blog\/?page_id=1034"},"modified":"2017-09-01T14:08:55","modified_gmt":"2017-09-01T17:08:55","slug":"entrevista-martin-raiser-bm-09-2017","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/entrevista-martin-raiser-bm-09-2017\/","title":{"rendered":"Martin Raiser, do Banco Mundial: \u201cPrivatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 substituto para o ajuste fiscal"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-629 size-medium\" src=\"http:\/\/www.agenciainfra.com\/agenciainfra\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/unnamed-300x90.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"90\" srcset=\"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/unnamed-300x90.png 300w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/unnamed-322x96.png 322w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/unnamed.png 593w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>MARTIN RAISER,<br \/>\ndiretor do Banco Mundial no Brasil<\/strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1035 size-full\" src=\"http:\/\/www.agenciainfra.com\/agenciainfra\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/bm-destaque.png\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/bm-destaque.png 720w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/bm-destaque-300x83.png 300w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/bm-destaque-346x96.png 346w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/h6>\n<div>\n<p><strong>\u201cA MAIORIA DAS EMENDAS PARLAMENTARES \u00c9 INTRODUZIDA\u00a0COM BASE NAS POL\u00cdTICAS DE BARGANHAS\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O economista Martin Raiser tem trabalhado em pa\u00edses em desenvolvimento desde de 2003, quando entrou no Banco Mundial, ap\u00f3s passar por bancos de fomento. H\u00e1 pouco mais de dois anos como chefe do banco no pa\u00eds, ele faz um alerta sobre as concess\u00f5es anunciadas pelo governo:<\/p>\n<p>\u201cA privatiza\u00e7\u00e3o, definitivamente, n\u00e3o \u00e9 um substituto para o dif\u00edcil ajuste fiscal que o Brasil precisa, n\u00e3o deve haver ilus\u00e3o sobre isso\u201d, disse o alem\u00e3o em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia iNFRA<\/strong>.<\/p>\n<p>Sobre a mais nova pol\u00eamica no setor, a manuten\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da TJLP (Taxa de Juros de Longo prazo), Raiser afirma que o pa\u00eds est\u00e1 numa falsa dicotomia sobre subs\u00eddios. O Senado analisa na pr\u00f3xima semana se uma medida provis\u00f3ria sobre o tema vai ou n\u00e3o ser mantida.<\/p>\n<p>Para ele, colocar dinheiro p\u00fablico em projetos \u00e9 justific\u00e1vel, desde que seja comprovado que o retorno social \u00e9 maior que o privado. Para ele, o problema est\u00e1 na falta de transpar\u00eancia dos atuais subs\u00eddios do BNDES.<\/p>\n<p>\u201cExistem muitas \u00e1reas de infraestrutura onde o investimento privado \u00e9 vi\u00e1vel, sem a necessidade de subs\u00eddios\u201d, disse Raiser, lembrando que o atual modelo est\u00e1 aumentando o rombo das contas p\u00fablicas e que tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio mudar a forma como as emendas or\u00e7ament\u00e1rias s\u00e3o feitas no pa\u00eds. \u201cA maioria \u00e9 introduzida com base em barganha\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia iNFRA &#8211; O governo est\u00e1 tentando aprovar uma nova Taxa de Juros de Longo Prazo, que financia a infraestrutura, reduzindo os subs\u00eddios. H\u00e1 press\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 medida, afirmando que, com os juros altos praticados aqui, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel financiar o setor. O que \u00e9 melhor, na sua vis\u00e3o: manter o subs\u00eddio ou tentar chegar a uma taxa mais pr\u00f3xima do real?<\/strong><br \/>\n<strong>Martin Raiser<\/strong> &#8211; Esta \u00e9 uma falsa dicotomia. Os subs\u00eddios s\u00e3o justificados quando h\u00e1 externalidades &#8211; ou seja, o retorno social \u00e9 maior do que o retorno privado, e, portanto, h\u00e1 um risco de investimento menor do que o necess\u00e1rio. A reforma n\u00e3o descarta a possibilidade de o governo fornecer cr\u00e9dito subsidiado, mas apenas desvincula o fornecimento de subs\u00eddios associados ao cr\u00e9dito do BNDES, da decis\u00e3o de fornecer o cr\u00e9dito. \u00a0Os atuais subs\u00eddios impl\u00edcitos no cr\u00e9dito do BNDES s\u00e3o opacos. N\u00e3o aparecem no or\u00e7amento, mas, mesmo assim, aumentam o gasto p\u00fablico e a d\u00edvida p\u00fablica. Existem muitas \u00e1reas de infraestrutura onde o investimento privado \u00e9 vi\u00e1vel, sem a necessidade de subs\u00eddios. A reforma proposta for\u00e7a uma discuss\u00e3o sobre a necessidade destes subs\u00eddios e que, quando necess\u00e1rios, sejam aplicados com transpar\u00eancia e devidamente contabilizados no or\u00e7amento. Al\u00e9m disso, v\u00e3o direcionar os subs\u00eddios para investimentos e setores onde realmente s\u00e3o necess\u00e1rios. O que a TJLP atualmente faz \u00e9 expropriar parte da poupan\u00e7a dos trabalhadores, pagando-lhes menos do que a taxa de infla\u00e7\u00e3o e usando o dinheiro para financiar grandes empresas. Isso tem pouco a ver com externalidades econ\u00f4micas. Por sinal, com o aumento do desemprego, verifica-se um rombo crescente do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) que implica um custo direto ao or\u00e7amento.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor viu o lan\u00e7amento de mais uma etapa do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), com mais infraestruturas sendo apresentadas para concess\u00e3o?<\/strong><br \/>\nVejo o lan\u00e7amento com uma iniciativa positiva, pois o investimento na infraestrutura \u00e9 importante para o pa\u00eds sair definitivamente da crise e voltar a crescer. Os leil\u00f5es recentes foram bem recebidos pelo mercado e existe um grande potencial de ganhos na efici\u00eancia trazendo investidores experientes e estrat\u00e9gicos para setores como aeroportos, portos e linhas de transmiss\u00e3o. \u00c9 importante frisar que o benef\u00edcio da privatiza\u00e7\u00e3o deve ser a melhoria da qualidade dos servi\u00e7os por custos menores. O grande desafio \u00e9 a capacidade de implementa\u00e7\u00e3o do setor p\u00fablico na estrutura\u00e7\u00e3o de projetos atrativos, sele\u00e7\u00e3o competitiva de investidores privados, no licenciamento ambiental e outros requerimentos regulat\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>O senhor acredita que h\u00e1 capacidade para o governo gerenciar um n\u00famero centen\u00e1rio de projetos que agora est\u00e3o apresentados, juntando com as etapas anteriores que ainda n\u00e3o foram licitadas?<\/strong><br \/>\nRealmente vai ser um grande desafio, por\u00e9m o importante em nossa vis\u00e3o \u00e9 priorizar e preparar-se bem. Estamos prontos para ajudar a estruturar essas transa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de servi\u00e7os de assessoria do Banco Mundial e do IFC (Coopera\u00e7\u00e3o Financeira Internacional) com apoio do GIF (Fundo Global de Infraestrutura), e trabalhar em parceria com os bancos p\u00fablicos do Brasil. Neste contexto, seria importante acelerar a reforma da Lei de Licita\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (8.666), que atualmente dificulta a contrata\u00e7\u00e3o de consultores altamente qualificados pelo setor p\u00fablico para preparar e estruturar as concess\u00f5es. Assim, dependem de bancos p\u00fablicos e outros atores para faz\u00ea-los. Afinal, \u00e9 o pr\u00f3prio estado que assina e regula os contratos e precisa de capacita\u00e7\u00e3o e apoio para faz\u00ea-los bem.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 cr\u00edticas inclusive dentro do governo de que as privatiza\u00e7\u00f5es e concess\u00f5es est\u00e3o sendo pensadas como forma de arrecadar recursos para sanear as contas p\u00fablicas. Ter a arrecada\u00e7\u00e3o como meta \u00e9 um bom caminho para o processo de concess\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAs privatiza\u00e7\u00f5es e concess\u00f5es devem ser motivadas pelo objetivo de trazer servi\u00e7os de maior qualidade e com maior efici\u00eancia ao p\u00fablico. Claro que em tempos de dif\u00edcil ajuste fiscal, as receitas adicionais sempre s\u00e3o bem-vindas. Por\u00e9m, devemos ter muito cuidado em usar estas receitas para pagar sal\u00e1rios e pens\u00f5es. Os ativos poder\u00e3o ser vendidos, mas os gastos com sal\u00e1rios e pens\u00f5es continuar\u00e3o e poder\u00e3o aumentar. A privatiza\u00e7\u00e3o definitivamente n\u00e3o \u00e9 um substituto para o dif\u00edcil ajuste fiscal que o Brasil precisa, n\u00e3o deve haver ilus\u00e3o sobre isso e o ministro da Fazenda j\u00e1 deixou isso claro.<\/p>\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia de ter uma carteira de projetos organizada e, ao mesmo tempo, fazer com que os fluxos sejam de fato cumpridos?<\/strong><br \/>\nExtremamente importante, pois uma carteira de projetos banc\u00e1veis e baseados num planejamento s\u00f3lido, com prioridades claras, d\u00e1 mais certeza ao mercado. Sabemos que existem muitos investidores, internos e externos, interessados em investir no mercado brasileiro. Mas querem maior previsibilidade quanto \u00e0s oportunidades de investimentos e seguran\u00e7a regulat\u00f3ria. Tamb\u00e9m \u00e9 importante que a execu\u00e7\u00e3o das concess\u00f5es seja realizada dentro de prazos previstos e segundo crit\u00e9rios claros para dar maior confian\u00e7a ao investidor privado. O Brasil precisa diversificar e atrair novos investidores para reduzir custos e aumentar a competitividade. Novos players n\u00e3o vir\u00e3o para investir em um \u00fanico projeto e querem uma perspectiva de um portfolio no m\u00e9dio a longo prazo, o que o planejamento estrat\u00e9gico dever\u00e1 trazer.<\/p>\n<p><strong>Em recente trabalho, os t\u00e9cnicos do Banco Mundial apontaram que o pa\u00eds tem um gasto com infraestrutura baixo e que esse gasto \u00e9 mal aplicado. S\u00f3 os processos de concess\u00e3o v\u00e3o ajudar a modificar esse quadro?<\/strong><br \/>\nNosso estudo mostra que, apenas no setor de \u00e1gua, as perdas com as inefici\u00eancias somam cerca de 0,7% do PIB, o dobro do investimento anual nesta \u00e1rea. Mais efici\u00eancia e menos perdas podem aumentar os fundos dispon\u00edveis para investimento. As concess\u00f5es em si n\u00e3o v\u00e3o modificar este quadro se n\u00e3o houver um planejamento e estrutura\u00e7\u00e3o de projetos melhores. A participa\u00e7\u00e3o privada se faz necess\u00e1ria pela escassez de recursos no setor p\u00fablico e a falta de projetos bem preparados com estudos de alternativas, t\u00e9cnico-financeiras e custo-benef\u00edcio. Mesmo no Reino Unido, o setor p\u00fablico ainda representa cerca de 45% do investimento em infraestrutura. O setor p\u00fablico continuar\u00e1 exercendo um papel importante, tanto na prepara\u00e7\u00e3o como no financiamento e regula\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, por\u00e9m ele deve usar seus recursos com maior efici\u00eancia e atrair o setor privado onde houver oportunidades para reduzir seus gastos. Al\u00e9m disso, operadores privados especializados, em geral, oferecem servi\u00e7os com maior efici\u00eancia e podem ser mais facilmente regulados do que operadores p\u00fablicos.<\/p>\n<p><strong>O trabalho faz cr\u00edticas ao modelo de emendas parlamentares do or\u00e7amento, apontando que ele dispersa gastos. O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, defendeu o formato apontando que o pa\u00eds \u00e9 grande, e o governo central n\u00e3o teria como atender a demandas da popula\u00e7\u00e3o sem as indica\u00e7\u00f5es dos parlamentares. O senhor v\u00ea esse motivo apontado como de fato necess\u00e1rio? H\u00e1 modelos que podem equilibrar essa balan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nConforme foi estabelecido na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, compete ao Congresso Nacional exercer atribui\u00e7\u00f5es legislativas e de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle. Os parlamentares representam a popula\u00e7\u00e3o e precisam fiscalizar e controlar o poder Executivo e avaliar as prioridades or\u00e7ament\u00e1rias. Assim, podem sugerir ajustes no or\u00e7amento e propor emendas, contanto que usem o Plano Plurianual (PPA). O grande problema \u00e9 que hoje muitas emendas s\u00e3o inseridas a cada ano no or\u00e7amento, totalizando 20% dos gastos discricion\u00e1rios. A maioria destas emendas \u00e9 introduzida com base nas pol\u00edticas de barganha, ao inv\u00e9s de ser inserida por crit\u00e9rios t\u00e9cnicos. Na realidade, o planejamento estrat\u00e9gico e o PPA devem ser baseados em um processo transparente, incluindo consultas p\u00fablicas e avalia\u00e7\u00e3o dos trade-offs com base nas prioridades e metas do governo. Sugerimos que se criasse um \u201cbanco de projetos\u201d devidamente avaliados e com valor social e econ\u00f4mico real dos quais os parlamentares poderiam escolher as prioridades or\u00e7ament\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>O trabalho tamb\u00e9m aponta para a necessidade de rever regulamentos e fortalecer o papel das ag\u00eancias reguladoras. O quanto estamos avan\u00e7ando nesse sentido neste \u00faltimo ano?<\/strong><br \/>\nExiste um Projeto de Lei sobre as ag\u00eancias reguladoras, o PL 6.621\/2016, aprovado pelo Senado, e agora no Congresso, que inclui importantes avan\u00e7os em termos de garantir maior compet\u00eancia dos diretores nomeados, maior independ\u00eancia das ag\u00eancias e maior clareza quanto ao escopo de trabalho. H\u00e1 mais de um ano, o Congresso tamb\u00e9m aprovou uma nova lei sobre as empresas estatais, o que reduz o risco de serem abusadas simplesmente como ve\u00edculos extra or\u00e7ament\u00e1rios para o governo. Estes s\u00e3o passos importantes e bons. Mas, em v\u00e1rias \u00e1reas, s\u00e3o necess\u00e1rias mudan\u00e7as nas regulamenta\u00e7\u00f5es do setor, melhor coordena\u00e7\u00e3o entre diferentes n\u00edveis e setores do governo e a ado\u00e7\u00e3o de novos modelos, como nas ferrovias, por exemplo, para incentivar mais concorr\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>De que maneira o banco tem ajudado o pa\u00eds no desenvolvimento de projetos? E qual tem sido o aprendizado de voc\u00eas sobre como os projetos conseguem virar realidade no pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nJuntamente com o IFC (Corpora\u00e7\u00e3o Financeira Internacional), estamos apoiando o PPI na avalia\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o de projetos e na promo\u00e7\u00e3o de um ambiente institucional capazes de atrair o interesse de investidores, com maior transpar\u00eancia, adequa\u00e7\u00e3o dos riscos, melhoria da gest\u00e3o, aumento da competitividade, al\u00e9m da oferta de retorno adequado e vi\u00e1vel para os diferentes tipos de investidores privados. Com o IFC, ajudamos nas concess\u00f5es recentes das rodovias em S\u00e3o Paulo e estamos trabalhando na cidade do Rio de Janeiro com as concess\u00f5es de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e na \u00e1rea de sa\u00fade. Al\u00e9m disso, estamos trabalhando com o BNDES e a Caixa para redefinir o papel dos bancos de desenvolvimento no financiamento de infraestrutura no pa\u00eds e desenvolver novos mecanismos de financiamento para atrair capital privado.<\/p>\n<p><strong>Como afastar do planejamento do setor de infraestrutura os problemas pol\u00edticos que temos tido quase como rotina? Onde h\u00e1 modelos em que o sistema funciona mesmo em tempos de crise?<\/strong><br \/>\nNenhuma economia e nenhum investimento s\u00e3o completamente imunes a eventos pol\u00edticos e \u00e0s incertezas que vivemos no Brasil. O que importa para os investidores, no entanto, \u00e9 se o regulamento \u00e9 claro e previs\u00edvel e quais os riscos que est\u00e3o tomando. Para a infraestrutura, isso significa que ag\u00eancias reguladoras independentes, um processo bem definido para sele\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de projetos, contratos claros que especificam riscos e responsabilidades entre as partes, e al\u00e9m de um sistema judicial eficiente e eficaz, podem reduzir muito os custos de volatilidade pol\u00edtica para os investidores. O Chile, e mais recentemente a Col\u00f4mbia, continuaram a atrair investimentos significativos mesmo durante per\u00edodos de turbul\u00eancia pol\u00edtica ou rotatividade governamental.<\/p>\n<p><strong>O senhor acredita que, voltando ao planejamento, como diz o estudo coordenado pelo senhor, em quanto tempo podemos ter uma infraestrutura condizente com o tamanho da economia do nosso pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nMuito dif\u00edcil dizer. Vai depender muito da seriedade do planejamento e capacidade de estrutura\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o do governo. O quanto voc\u00ea precisa para investir depende de quais servi\u00e7os de qualidade voc\u00ea quer ter. Mas mostramos que, atrav\u00e9s de melhorias de efici\u00eancia, resultantes de um melhor planejamento e melhor gerenciamento e governan\u00e7a, o Brasil poderia aumentar os recursos dispon\u00edveis para o investimento em cerca de 2,1% do PIB, o que permitiria ao pa\u00eds dobrar sua taxa de investimento em infraestrutura. Se o fizesse, o Brasil chegaria bastante perto do que estimamos que precisaria investir a m\u00e9dio prazo para chegar a n\u00edveis de servi\u00e7os de infraestrutura proporcional a uma economia que, lentamente, est\u00e1 caminhando para ser de alta renda.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARTIN RAISER, diretor do Banco Mundial no Brasil \u201cA MAIORIA DAS EMENDAS PARLAMENTARES \u00c9 INTRODUZIDA\u00a0COM BASE NAS POL\u00cdTICAS DE BARGANHAS\u201d O economista Martin Raiser tem trabalhado em pa\u00edses em desenvolvimento desde de 2003, quando entrou no Banco Mundial, ap\u00f3s passar por bancos de fomento. 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