{"id":663,"date":"2017-05-26T09:02:42","date_gmt":"2017-05-26T12:02:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agenciainfra.com\/blog\/?page_id=663"},"modified":"2017-07-10T18:42:17","modified_gmt":"2017-07-10T21:42:17","slug":"entrevista-guilherme-quintella-05-2017","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/entrevista-guilherme-quintella-05-2017\/","title":{"rendered":"&#8220;Ferrovia n\u00e3o pode funcionar para meia d\u00fazia&#8221;, diz Guilherme Quintella"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-629 size-medium\" src=\"http:\/\/www.agenciainfra.com\/agenciainfra\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/unnamed-300x90.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"90\" srcset=\"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/unnamed-300x90.png 300w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/unnamed-322x96.png 322w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/unnamed.png 593w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\nGUILHERME QUINTELLA,<br \/>\npresidente da EDLP (Esta\u00e7\u00e3o da Luz Participa\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/h6>\n<h5><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-643 size-full\" src=\"http:\/\/www.agenciainfra.com\/agenciainfra\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/quintella-destaque.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"200\" \/><\/strong><\/h5>\n<h4 style=\"text-align: center;\">&#8220;FERROVIA N\u00c3O PODE FUNCIONAR PARA MEIA D\u00daZIA&#8221;<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guilherme Quintella lidera um grupo bilion\u00e1rio disposto a fazer uma ferrovia ao custo de R$ 12,6 bilh\u00f5es, no meio da Floresta Amaz\u00f4nica. Com quase mil quil\u00f4metros, a Ferrogr\u00e3o ir\u00e1 conectar os principais centros produtores do Centro-Oeste ao porto de Miritituba, no Par\u00e1. O empres\u00e1rio de 56 anos, garante que, mesmo com valores estrondosos e com 100% de capital privado, o projeto \u00e9 vi\u00e1vel.<br \/>\n&#8220;Nenhum lugar do mundo produz a quantidade de coisas que o Mato Grosso produz e n\u00e3o tem acesso \u00e0 infraestrutura decente&#8221;, diz o presidente da EDLP (Esta\u00e7\u00e3o da Luz Participa\u00e7\u00f5es), apostando numa mudan\u00e7a de patamar do pa\u00eds quando a ferrovia estiver pronta. &#8220;Mato Grosso vai influenciar no pre\u00e7o da Bolsa de Chicago&#8221;.<br \/>\nMembro do board da UIC (Uni\u00e3o Internacional de Ferrovias), Quintella lida com o sistema ferrovi\u00e1rio desde a \u00e9poca das estatais e diz ser necess\u00e1rio uma mudan\u00e7a de paradigma para que as ferrovias evoluam e, principalmente, voltem a transportar passageiros. &#8220;Ferrovia n\u00e3o pode funcionar para meia d\u00fazia&#8221;, afirmou em\u00a0entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia iNFRA.<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.agenciainfra.com\/faleconosco\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-919 size-medium\" src=\"http:\/\/www.agenciainfra.com\/agenciainfra\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/banner-assine-300x267.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/banner-assine-300x267.png 300w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/banner-assine-108x96.png 108w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/banner-assine.png 450w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\nAg\u00eancia iNFRA &#8211; A mudan\u00e7a nas condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de alguma forma afeta os planos de investimento na Ferrogr\u00e3o?<br \/>\nGuilherme Quintella<\/strong> &#8211; A gente estava para fazer um road show em junho e julho. Esses movimentos pol\u00edticos criaram volatilidade no mercado, desfavor\u00e1vel para qualquer tipo de iniciativa dessas, nesse momento. Temos que esperar um pouco para ver se o mercado sossega de novo e deve ter um delay de uns 15 dias. Isso \u00e9 um lado. Mas o processo continua. Quem olha para isso, olha para a demanda, para o projeto em si, que tem m\u00e9rito, que \u00e9 de longo prazo. Ningu\u00e9m est\u00e1 olhando isso para um investimento de curto prazo.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 alguma desconfian\u00e7a de que o grupo n\u00e3o tenha capacidade para levantar os recursos para a concess\u00e3o da Ferrogr\u00e3o. O grupo tem essa capacidade ou falta algo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o vejo dificuldade para o equity do projeto, desde que seja desenhado da forma que estudamos e apresentamos ao governo, que \u00e9 a forma que d\u00e1 viabilidade ao investidor privado.<\/p>\n<p><strong>Tem alguma chance de mudar isso?<\/strong><br \/>\nPelo que entendemos, n\u00e3o. Falamos de uma ferrovia com um determinado n\u00edvel de opera\u00e7\u00e3o, uma condi\u00e7\u00e3o de financiado do BNDES, que j\u00e1 discutimos com o banco e estamos avan\u00e7ando cada vez mais, al\u00e9m das discuss\u00f5es com os \u00f3rg\u00e3os do governo. Tudo indica que estamos caminhando no sentido de ter um projeto licit\u00e1vel e com propostas. N\u00e3o \u00e9 o equity a grande dificuldade. H\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o do grupo de aporte, e o que temos que conseguir de aporte suplementar n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil no perfil do projeto que estamos desenvolvendo.<\/p>\n<p><strong>E qual \u00e9 a dificuldade?<\/strong><br \/>\n\u00c9 ter estabilidade no pa\u00eds. N\u00e3o s\u00f3 desse projeto, mas de todos os investimentos. Vemos empres\u00e1rios e investidores interessados no que vinha acontecendo na economia brasileira e nas medidas econ\u00f4micas tomadas pelo governo, mas que ficaram assustados de novo. O grande entrave \u00e9 macro, do pais. No projeto em si n\u00e3o vejo dificuldade, ap\u00f3s quase 5 anos. Ele tem m\u00e9ritos suficientes para que ande conforme o previsto.<\/p>\n<p><strong>Que m\u00e9ritos s\u00e3o esses?<\/strong><br \/>\nA Ferrogr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 obra. \u00c9 um sistema de transportes. \u00c9 a primeira vez que a obra n\u00e3o \u00e9 o fim em si, aqui. A obra \u00e9 pouco importante perto do sistema. As empresas j\u00e1 investiram um bilh\u00e3o de d\u00f3lares nesse sistema e a obra nem come\u00e7ou. O sistema inclui barca\u00e7a, empurrador, navio, porto, distribui\u00e7\u00e3o na Europa. As tradings do projeto olham a Ferrogr\u00e3o como um sistema definitivo de consolida\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do Mato Grosso para influenciar no pre\u00e7o da Bolsa de Chicago. Como o pre\u00e7o do transporte \u00e9 alto e ainda tem muito alto e baixo, Mato Grosso ainda tem influ\u00eancia menor do que deveria na fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o da Bolsa. Na hora que tem um corredor robusto como esse, o cara plantar ou n\u00e3o definir\u00e1 muito mais o pre\u00e7o de Chicago do que define hoje.<\/p>\n<p><strong>Fazer uma ferrovia para praticamente s\u00f3 uma carga n\u00e3o \u00e9 um risco muito elevado?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s fizemos com uma empresa competente uma avalia\u00e7\u00e3o de risco. Todo projeto tem risco. Falar que n\u00e3o tem, \u00e9 bobagem. O \u00fanico risco que n\u00e3o foi identificado no projeto \u00e9 de demanda. Ela \u00e9 superconsistente. Lembrando que, al\u00e9m da EDLP, temos cinco tradings (ADM, Bunge, Cargill, AMaggi e Louis Dreyfus) que movimentam quase 90% da exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os no pa\u00eds, que conhecem isso com muita profundidade. Cruzamos informa\u00e7\u00f5es, trocamos ideias e, antes de lan\u00e7ar a PMI, j\u00e1 t\u00ednhamos certeza da demanda. Todas as avalia\u00e7\u00f5es de risco, todas, apontam risco com obra, com financiamento, com risco pa\u00eds. Mas falta de demanda, n\u00e3o foi identificada em nenhuma.<\/p>\n<p><strong>Outros tr\u00eas projetos ferrovi\u00e1rios tamb\u00e9m querem chegar \u00e0 regi\u00e3o produtora de soja no norte do Mato Grosso, inclusive uma rodovia. Vai ter carga para todo mundo?<\/strong><br \/>\nMato Grosso \u00e9 maior que Fran\u00e7a e It\u00e1lia juntas. A Fran\u00e7a tem de malha ferrovi\u00e1ria de 32 mil quil\u00f4metros. A It\u00e1lia, 16 mil. O Mato Grosso tem 600 quil\u00f4metros de ferrovia. \u00c9 razo\u00e1vel que se pense que o estado precise ter quatro mil quil\u00f4metros. Tem que ter ferrovia l\u00e1 para cacete. Os estudos da Ferrogr\u00e3o contemplam toda a infraestrutura prevista nos planos PIL e PAC, inclusive a navega\u00e7\u00e3o da Hidrovia Teles Pires\/Tapaj\u00f3s, que tem uma discuss\u00e3o ambiental; e do Araguaia at\u00e9 Barra do Gar\u00e7a. Em todos os cen\u00e1rios, a Ferrogr\u00e3o vai ser respons\u00e1vel por mais de 55% do volume de gr\u00e3os de exporta\u00e7\u00e3o do Mato Grosso, na pior das hip\u00f3teses. Isso tem uma l\u00f3gica. \u00c9 porque \u00e9 mais perto do destino. \u00c9 uma l\u00f3gica econ\u00f4mica. N\u00e3o \u00e9 l\u00f3gica de doutrina, que n\u00e3o seja econ\u00f4mica. \u00c9 mais barata porque est\u00e1 mais perto do hemisf\u00e9rio norte que \u00e9 o destino.<\/p>\n<p><strong>E ele \u00e9 vi\u00e1vel mesmo com uma opera\u00e7\u00e3o complexa que precisa fazer dois transbordos de embarca\u00e7\u00f5es?Consegue ser economicamente eficiente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o s\u00f3 pela dist\u00e2ncia, mas pela efici\u00eancia tamb\u00e9m. O sistema \u00e9 propenso para esse tipo de transporte. \u00c9 exatamente como \u00e9 feito nos EUA. A ferrovia leva ao Mississipi e, de l\u00e1, para New Orleans para os navios, direto. Os comboios fluviais do Tapaj\u00f3s e do Amazonas levam 40 mil toneladas [cerca de 700 caminh\u00f5es]. \u00c9 o mesmo modelo americano. N\u00e3o tem diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Vai dar para chegar ao custo deles, que segundo a CNA, seria um quarto do nosso?<\/strong><br \/>\nAcho que nunca chegaremos ao deles porque o custo de capital deles n\u00e3o \u00e9 o nosso. E as ferrovias americanas s\u00e3o feitas com total subs\u00eddio do governo. Aqui, vai ter que pagar a ferrovia. Ou voc\u00ea paga para amortizar o investimento ou paga porque a ferrovia \u00e9 antiga e n\u00e3o tem efici\u00eancia. Vai ser mais alto, mas vai ser o mais barato custo de escoamento.<\/p>\n<p><strong>O senhor acompanha o sistema ferrovi\u00e1rio desde o fim da Rede Ferrovi\u00e1ria. Como o senhor avalia os 20 anos ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que os avan\u00e7os foram modestos, especialmente se comparados a outros setores e empresas que foram privatizados na mesma \u00e9poca como a telecomunica\u00e7\u00e3o, energia, rodovia, siderurgia, Embraer, Vale, e muitas outras. O que cunhou esses poucos avan\u00e7os foi o modelo que o governo adotou na privatiza\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca. O governo estava mais preocupado em solucionar o d\u00e9ficit p\u00fablico, para controlar a infla\u00e7\u00e3o, do que em dar \u00e0 ferrovia uma utilidade no equil\u00edbrio da matriz de transportes brasileiro.\u00a0Como na \u00e9poca n\u00e3o existia a ANTT e nenhum marco regulat\u00f3rio, o modelo adotado foi a continua\u00e7\u00e3o do que a Rede Ferrovi\u00e1ria fazia no fim de sua exist\u00eancia, um neg\u00f3cio sustentado pela escassez da oferta.\u00a0Este modelo \u00e9 antag\u00f4nico ao modelo universal ferrovi\u00e1rio, que \u00e9 suportado pelo incremento na oferta, sustentada por investimentos que geram altas capacidades e baixos custos por unidade transportada.<\/p>\n<p><strong>E quais s\u00e3o as consequ\u00eancias disso?\u00a0<\/strong><br \/>\nO pa\u00eds n\u00e3o ter um sistema de transporte de passageiro sobre trilhos de m\u00e9dia e longas dist\u00e2ncias \u00e9 um absurdo. Vivemos \u00e0 merc\u00ea do pneu e do avi\u00e3o. Teve coisa positiva para o transporte de carga em alguns pontos. Trabalhamos muito com corredor e deixamos de ter uma vis\u00e3o sist\u00eamica da ferrovia. Hoje o Brasil tem cinco corredores importantes, dois de min\u00e9rio e tr\u00eas de gr\u00e3os. A ferrovia brasileira se resume a esses corredores. Eles s\u00e3o bem operados, mas se restringe a isso.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 preciso?<\/strong><br \/>\nA primeira coisa \u00e9 a estrutura de capital diferente. Imaginar que um dormente tem que remunerar o capital em 20% ao ano, que seja 15%, \u00e9&#8230; Um dormente n\u00e3o faz nada. Se remunerasse isso, n\u00e3o ia chamar dormente, teria um nome mais din\u00e2mico, talvez Vivaldino ou Espert\u00e3o. A estrutura de custo de capital no Brasil \u00e9 muito dif\u00edcil e s\u00f3 tem uma fonte de financiamento, o BNDES, que faz bem o papel, mas tem suas limita\u00e7\u00f5es. Essa \u00e9 a primeira quest\u00e3o para sair desse entrave. E o segundo \u00e9 regulat\u00f3rio. Acho que a gente tem sido pouco criativo no modelos regulat\u00f3rios brasileiros. Das \u00e1reas que conhe\u00e7o, estamos ainda associados ao modelo de concess\u00e3o, outorga, de arrendamento e dev\u00edamos ter uma vis\u00e3o mais moderna e din\u00e2mica para atrair mais capital para esses projetos. A Ferrogr\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o em investimento ferrovi\u00e1rio. Em poucos lugares do mundo vai se conseguir implantar uma ferrovia em que, no segundo ano, j\u00e1 se est\u00e1 em full capacidade da demanda. Nenhum lugar do mundo produz a quantidade de coisas que o Mato Grosso produz e n\u00e3o tem acesso \u00e0 infraestrutura decente.<\/p>\n<p><strong>As mudan\u00e7as propostas na MP 752, e j\u00e1 em andamento na renova\u00e7\u00e3o do contrato da Rumo, seriam suficientes para levar o pa\u00eds a outro patamar?<\/strong><br \/>\nPara ser sincero, n\u00e3o conhe\u00e7o com profundidade o assunto das renova\u00e7\u00e3o atuais por uma quest\u00e3o de falta de tempo. Mas, pelas pessoas com quem falo e por ter sido conselheiro da Rumo at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, acho importante para o pa\u00eds ampliar a capacidade para criar maior velocidade nas ferrovias. Hoje a ferrovia precisa de investimento grandioso. Elas n\u00e3o conseguem incrementar a capacidade s\u00f3 com gest\u00e3o. Estamos a 10 anos da renova\u00e7\u00e3o e vejo dificuldade para fazer investimentos, se n\u00e3o houver a renova\u00e7\u00e3o. Acho que est\u00e1 andando bem. Parece que a Rumo assina em pouco tempo, e a MRS tamb\u00e9m foi enquadrada. Isso \u00e9 importante para avan\u00e7ar e a ferrovia ser mais eficiente. Sem efici\u00eancia, a ferrovia n\u00e3o existe. Ela custa mais caro que qualquer outro sistema de transporte que concorra com ela.<\/p>\n<p><strong>Alguma chance do trem intercidades em S\u00e3o Paulo sair do papel?<\/strong><br \/>\nApresentamos com o BTG Pactual ao governo de S\u00e3o Paulo uma rede de 477 quil\u00f4metros, de norte a sul, ligando Americana a Santos; e outra leste a oeste, de Sorocaba a Taubat\u00e9, todas passando por S\u00e3o Paulo. O trem tem velocidade de 160 quil\u00f4metros por hora, o que far\u00e1 com que cada cidade dessa, que \u00e9 capital regional, fique a 50 minutos de S\u00e3o Paulo. O governo decidiu, por recomenda\u00e7\u00e3o nossa, licitar o norte, de Americana a S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Quanto custar\u00e1 isso?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma PPP de R$ 5,4 bilh\u00f5es, valores de 2013, com 30% de aporte p\u00fablico e 70% privado. O governo pediu um estudo para incluir a malha 7 da CPMT, da Esta\u00e7\u00e3o da Luz at\u00e9 Jundia\u00ed, com outro servi\u00e7o, metropolitano. O importante no sistema \u00e9 que \u00e9 dentro malha ferrovi\u00e1ria nacional. N\u00e3o tem tra\u00e7ado novo, s\u00e3o 24 esta\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes que ser\u00e3o reutilizadas. Existia um problema que era de posse, mas h\u00e1 um acordo do governo federal e o de S\u00e3o Paulo. O governo do estado trabalha para licitar em 2017, mas no m\u00e1ximo at\u00e9 o primeiro trimestre de 2018, penso que licita.<\/p>\n<p><strong>Ainda \u00e9 poss\u00edvel o pa\u00eds ter um trem-bala aqui?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o dev\u00edamos pensar nisso agora. O trem-bala acaba sendo uma coisa que est\u00e1 t\u00e3o distante das nossas necessidades primeiras. Tentamos, foi v\u00e1lida a tentativa, num momento que o governo achou que cabia, mas acho que agora devia esperar, criar os trens intercidades e depois voltamos a pensar no trem-bala.<\/p>\n<p><strong>Passageiro atrapalha a ferrovia?<\/strong><br \/>\nEm 1990, comprei ainda pela minha fam\u00edlia, as primeiras locomotivas privadas do Brasil, quando tinha s\u00f3 a Rede e a Fepasa.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-652 size-medium alignright\" src=\"http:\/\/www.agenciainfra.com\/agenciainfra\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cadastro-300x267.png\" alt=\"Cadastre-se agora!\" width=\"300\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cadastro-300x267.png 300w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cadastro-108x96.png 108w, https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/cadastro.png 450w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/> Trabalhei com trem pr\u00f3prio na Fepasa, ligando a hidrovia Tiet\u00ea-Paran\u00e1 a Santos. Eu estava bravo porque a Fepasa quebrava o trem da frente, meu trem n\u00e3o passava em bueiro porque n\u00e3o tinha manuten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinha trilho e o trem n\u00e3o produzia. Meu pai [o empres\u00e1rio Wilson Quintella] falou assim:<br \/>\nGuilherme a ferrovia s\u00f3 volta a funcionar quando transportar passageiro. Eu era um menino de 20 e poucos anos de idade e achei que era coisa de gente mais velha e perguntei o porqu\u00ea. E ele respondeu: carga n\u00e3o vota, quem vota \u00e9 passageiro. Chegando \u00e0 idade que ele tinha naquela \u00e9poca, acho que meu pai tinha toda raz\u00e3o. O trem tem que ter utilidade. N\u00e3o pode funcionar para meia d\u00fazia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GUILHERME QUINTELLA, presidente da EDLP (Esta\u00e7\u00e3o da Luz Participa\u00e7\u00f5es) &#8220;FERROVIA N\u00c3O PODE FUNCIONAR PARA MEIA D\u00daZIA&#8221; &nbsp; Guilherme Quintella lidera um grupo bilion\u00e1rio disposto a fazer uma ferrovia ao custo de R$ 12,6 bilh\u00f5es, no meio da Floresta Amaz\u00f4nica. 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