{"id":11620,"date":"2022-11-03T10:00:00","date_gmt":"2022-11-03T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.agenciainfra.com\/blog\/?p=11620"},"modified":"2022-11-04T10:00:32","modified_gmt":"2022-11-04T13:00:32","slug":"brasil-pode-triplicar-a-demanda-de-energia-ate-2050-sem-aumentar-as-emissoes-diz-mario-veiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/brasil-pode-triplicar-a-demanda-de-energia-ate-2050-sem-aumentar-as-emissoes-diz-mario-veiga\/","title":{"rendered":"Brasil pode triplicar a demanda de energia at\u00e9 2050 sem aumentar as emiss\u00f5es, diz Mario Veiga"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Roberto Rockmann*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0O ano de 2020 foi da depress\u00e3o; 2021, da euforia; 2022, do choque de realidade. Agravado por evid\u00eancias de que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se aceleraram, o choque vem acompanhado com uma mudan\u00e7a de mentalidade. Em vez de mitigar os impactos, o mundo j\u00e1 come\u00e7a se inclinar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tecnologias de adapta\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, afirma o fundador da PSR e ex-assessor da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica no racionamento de 2001, Mario Veiga. Para ele, esse \u00e9 o pano de fundo em que a COP27 (27\u00aa confer\u00eancia do clima da ONU) ocorrer\u00e1 no Egito de\u00a06 a 18 de novembro.\u00a0\u00a0<br>\u00a0<br>Para o Brasil, criam-se oportunidades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 resili\u00eancia em agricultura e energia. Segundo Mario Veiga, o Brasil poderia fazer a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica at\u00e9 2050 sem emiss\u00f5es, com a demanda nacional de energia el\u00e9trica triplicando dos atuais 60 mil MW m\u00e9dios para 180 mil MW m\u00e9dios no per\u00edodo.<br>\u00a0<br>Como? Investindo apenas em fontes renov\u00e1veis, n\u00e3o renovando contratos de termel\u00e9tricas e criando um novo nicho com a produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio verde a partir de etanol, ampliando o alcance do setor sucroalcooleiro.<br>\u00a0<br>O segmento de usinas revers\u00edveis poderia ser destravado, revitalizando fabricantes de m\u00e1quinas e equipamentos hidrel\u00e9tricos, fugindo da infla\u00e7\u00e3o global que dever\u00e1 atingir as baterias. O g\u00e1s do pr\u00e9-sal ainda poderia permitir a constru\u00e7\u00e3o de termel\u00e9tricas a g\u00e1s natural neutras em carbono e posicionadas em cima de plataformas de petr\u00f3leo. A seguir os principais trechos da entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia iNFRA<\/strong>:\u00a0<br>\u00a0<br><strong>Ag\u00eancia iNFRA &#8211; A guerra entre Ucr\u00e2nia e R\u00fassia e seus desdobramentos enterraram a pretens\u00e3o do mundo de limitar o aumento de temperatura global em 1,5 grau Celsius?\u00a0<\/strong><br><strong>Mario Veiga &#8211;<\/strong>\u00a0A guerra em si n\u00e3o enterrou a ideia, mas h\u00e1 v\u00e1rios elementos que apontam que vivemos um momento de choque de realidade e de adapta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas parecem ter se acelerado. O cen\u00e1rio de 2022 \u00e9 uma cat\u00e1strofe. \u00c9 diferente dos \u00faltimos dois anos. Por qu\u00ea? O ano de 2020 foi de preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se achava que o Acordo de Paris seria cumprido. J\u00e1 2021 foi um ano de euforia, j\u00e1 que, apesar dos gastos trilion\u00e1rios com a Covid, Europa e Estados Unidos reafirmaram a inten\u00e7\u00e3o em investimentos em fontes renov\u00e1veis.<br>\u00a0<br>A BlackRock, com seus US$ 9 trilh\u00f5es em ativos, fez um comunicado em prol da agenda ESG, o que levou a uma press\u00e3o para que empresas se posicionassem. A GFANZ (Glasgow Financial Alliance for Net Zero), que re\u00fane empresas com ativos superiores a US$ 130 trilh\u00f5es, passou a ser o carro-chefe do processo de descarboniza\u00e7\u00e3o. Havia expectativa de que custos de e\u00f3licas e solares iriam cair ainda mais. O otimismo se desfez. Esse ano aqui \u00e9 de cat\u00e1strofe.\u00a0<br>\u00a0<br><strong>Por que 2022 \u00e9 ano da cat\u00e1strofe?\u00a0<\/strong><br>Primeiro: a crise mundial de combust\u00edveis e o consequente aumento dos pre\u00e7os dos derivados levaram a uma debandada de empresas que estavam orientadas na agenda de descarboniza\u00e7\u00e3o. Come\u00e7aram a se esvaziar as promessas. H\u00e1 ainda um problema estrutural no mercado mundial de \u00f3leo e g\u00e1s porque as petroleiras pararam de investir em raz\u00e3o do otimismo do passado com a agenda verde e porque muitos investidores n\u00e3o queriam mais investir em ativos poluentes.<br>\u00a0<br>Segundo: houve ainda muito processo de greenwashing, com cr\u00edticas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao offset (mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o de carbono). Muitas empresas compravam offsets de carbono respaldados em plantios de \u00e1rvores. Artigo publicado recentemente mostrou que os inc\u00eandios na Calif\u00f3rnia emitiram 120 milh\u00f5es de toneladas de CO2, dobro do que a Calif\u00f3rnia economizou em 18 anos.\u00a0\u00a0<br>\u00a0<br><strong>Isso aponta que a transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita de um dia para a noite?\u00a0<\/strong><br>Vivemos o choque de realidade, a guerra entre Ucr\u00e2nia e R\u00fassia pode ter levado a isso. No lado da descarboniza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 m\u00e1s not\u00edcias. Nos Estados Unidos, quando se anunciou em agosto a Lei de Redu\u00e7\u00e3o da Infla\u00e7\u00e3o (IRA), viu-se que resist\u00eancias de ambientalistas nos \u00faltimos anos tinham dificultado expans\u00e3o do sistema de transmiss\u00e3o. Isso ter\u00e1 de ser superado.<br>\u00a0<br>No lado da Europa, havia a avers\u00e3o de europeus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 energia nuclear. A Alemanha fez pesados investimentos em solar e descomissionou as nucleares, mas suas emiss\u00f5es l\u00edquidas pioraram: o que ela perdeu de energia limpa das nucleares \u00e9 mais do que ela ganhou de energia limpa com as solares. A Holanda tem reservas grandes de g\u00e1s e poderia enviar o insumo e cobrir cerca de 50% do que a R\u00fassia escoava para a Europa.<br>\u00a0<br>Mas, por conta de terremotos causados pela perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os que afetavam 16 mil fam\u00edlias de uma pequena cidade, paralisou-se essa produ\u00e7\u00e3o. Isso mostra a complexidade do tema. E h\u00e1 um detalhe importante desses \u00faltimos dias: a ONG do Bill Gates destinada a financiar projetos envolvidos na causa clim\u00e1tica, a Breaktrough Energy, anunciou que vai focar em tecnologias de adapta\u00e7\u00e3o. Isso mostra uma inflex\u00e3o importante no cen\u00e1rio.\u00a0<br>\u00a0<br><strong>Por qu\u00ea?\u00a0<\/strong><br>A Breaktrough Energy anunciou que est\u00e1 cada vez mais claro que adapta\u00e7\u00e3o precisar\u00e1 desempenhar um papel importante \u00e0 medida que as emiss\u00f5es globais continuam aumentando. O sinal \u00e9 \u201cvamos torcer para dar certo, mas teremos de ter o plano B, que \u00e9 adapta\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 uma batalha muito dif\u00edcil de ser travada.<br>\u00a0<br>H\u00e1 duas semanas, na Holanda, na abertura do Congresso Mundial sobre Hidrog\u00eanio Verde, Michael Liebreich, fundador da Bloomberg NEF, afirmou que a tecnologia parece estar vivendo uma bolha. Destacou que a ideia de que o hidrog\u00eanio verde \u00e9 uma bala de prata tamb\u00e9m \u00e9 perigosa.<br>\u00a0<br>Por isso, eu repito que h\u00e1 um choque de realidade. A quantidade de inc\u00eandios, secas, enchentes crescentes \u00e9 uma evid\u00eancia de que o processo de mudan\u00e7a clim\u00e1tica est\u00e1 sendo acelerado.\u00a0\u00a0<br>\u00a0<br><strong>E o Brasil?\u00a0<\/strong><br>Adoro uma frase: prepare-se para o pior, tor\u00e7a pelo melhor. \u00c9 preciso tornar-se\u00a0resiliente. Dois dos setores mais cr\u00edticos para a resili\u00eancia s\u00e3o alimentos e energia. Somos autossuficientes e exportadores em energia e at\u00e9 2050 temos um estudo para o Banco Mundial que aponta que poder\u00edamos expandir nossa matriz apenas com fontes renov\u00e1veis.<br>\u00a0<br>A demanda m\u00e9dia hoje \u00e9 de 60 mil MW m\u00e9dios. A demanda de energia el\u00e9trica em 2050 seria o dobro. A demanda adicional de energia el\u00e9trica causada pela descarboniza\u00e7\u00e3o de setores como transportes e ind\u00fastria seria de outros 60 mil MW m\u00e9dios.<br>\u00a0<br>Vem a pergunta: \u00e9 poss\u00edvel fazer a transi\u00e7\u00e3o de 60 mil MW m\u00e9dios para 180 mil MW m\u00e9dios sem emiss\u00f5es nesse horizonte? Sim. Poder\u00edamos at\u00e9 2050 n\u00e3o renovar contratos de termel\u00e9tricas que expirassem e poder\u00edamos substituir por e\u00f3licas, solares e usinas revers\u00edveis. Mas e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? Fizemos uma complementa\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a de padr\u00e3o de aflu\u00eancias, de ventos e os dados mostram que se podem fazer investimentos para maior resili\u00eancia.\u00a0<br>\u00a0<br><strong>Qual seria a estrat\u00e9gia para o Brasil?\u00a0<\/strong><br>Nossa vis\u00e3o \u00e9 de que o Brasil deveria investir em atividades de n\u00e3o arrependimento, que fariam sentido mesmo sem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Quais seriam esses setores? Um \u00e9 a madeira laminada cruzada, um painel de madeira colada em l\u00e2minas que suportam grandes cargas, possibilitando a constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios pavimentos.<br>\u00a0<br>\u00c9 um novo produto de engenharia introduzido no mercado mundial nos \u00faltimos 20 anos. Com essas estruturas, fazem-se pr\u00e9dios de 20 andares, resistentes a inc\u00eandios. Podem ser pr\u00e9-fabricados. H\u00e1 muito no Oregon, nos Estados Unidos, e nos pa\u00edses n\u00f3rdicos. H\u00e1 empresas no Brasil j\u00e1 com essa tecnologia.<br>\u00a0<br>Outro ponto \u00e9 o hidrog\u00eanio verde, h\u00e1 interesse da Europa em importar essa tecnologia. O plano A na cabe\u00e7a das pessoas \u00e9 produzi-lo a partir da eletr\u00f3lise com fontes renov\u00e1veis, mas j\u00e1 h\u00e1 evid\u00eancias relevantes de que pode ser mais barato fabric\u00e1-lo a partir de etanol.\u00a0<br>\u00a0<br><strong>Isso abre a oportunidade de revitaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria sucroalcooleira?\u00a0<\/strong><br>Isso tamb\u00e9m abre uma discuss\u00e3o se deve haver incentivos para importa\u00e7\u00e3o de carros el\u00e9tricos, porque eles no tempo poder\u00e3o ficar muito mais baratos do que s\u00e3o hoje. Ent\u00e3o ter diversas aplica\u00e7\u00f5es na ind\u00fastria sucroalcooleira pode ser muito interessante. O etanol poderia ser o \u201ccarregador\u201d do hidrog\u00eanio. O etanol j\u00e1 tem hidrog\u00eanio e \u00e9 f\u00e1cil extrair dele.<br>\u00a0<br>O hidrog\u00eanio \u00e9 um g\u00e1s. Levar para Europa implica usar navios especializados em transportar hidrog\u00eanio liquefeito. Isso \u00e9 muito caro. Outra sa\u00edda \u00e9 levar o hidrog\u00eanio embutido em outro elemento, ou seja, carregado por esse elemento, que pode ser am\u00f4nia ou ent\u00e3o o etanol.<br>\u00a0<br>Quando se olha o custo total at\u00e9 a Europa, como se leva o produto faz muita diferen\u00e7a. Na cana-de-a\u00e7\u00facar, h\u00e1 ainda um subproduto que \u00e9 a linha\u00e7a. Existe uma tecnologia que extrai da linha\u00e7a o biometano e transporta esse g\u00e1s por meio de gasodutos e se usa para fabricar fertilizantes. J\u00e1 h\u00e1 projetos iniciais disso no Brasil.\u00a0\u00a0<br>\u00a0<br><strong>Antes voc\u00ea falou que o Brasil poderia investir em usinas revers\u00edveis. Esse \u00e9 um nicho importante?\u00a0<\/strong><br>O Brasil tem particularidades. Tem grandes hidrel\u00e9tricas que poderiam ser mega baterias de energia. H\u00e1 ainda possibilidade de usinas revers\u00edveis de ciclo fechado. Isso deve ser inclu\u00eddo no novo Plano Decenal. Para ter uma bateria que funcione para o setor el\u00e9trico, o tempo de armazenamento tem de ser maior que o de uma bateria que se usa em casa.<br>\u00a0<br>Grosseiramente, uma bateria de l\u00edtio-\u00edon custa US$ 100 por Kwh. Elas t\u00eam capacidade de oito horas de armazenamento. H\u00e1 a ideia de que elas precisariam ter 80 horas. Para construir uma revers\u00edvel com oito horas de armazenamento, ela custa os mesmos US$ 100 por Kwh, mas se for para 80 horas o custo \u00e9 US$ 17.<br>\u00a0<br><strong>O segredo \u00e9 escala?<\/strong><br>Sim, escala. Isso faz muito sentido para o Brasil, ainda mais que as baterias de l\u00edtio devem ficar mais caras porque esse \u00e9 um metal que ser\u00e1 cada vez mais demandado e tamb\u00e9m \u00e9 usado em carros el\u00e9tricos, ou seja, se pode driblar essa infla\u00e7\u00e3o de custos das baterias.<br>\u00a0<br>Isso mais uma vez n\u00e3o \u00e9 jabuticaba, a Austr\u00e1lia vem investindo muito nessa tecnologia. N\u00e3o \u00e9 uma reserva de mercado, seria tamb\u00e9m uma forma de reativar a ind\u00fastria de m\u00e1quinas e equipamentos hidrel\u00e9tricos.\u00a0\u00a0<br>\u00a0<br><strong>O g\u00e1s e o GNL (g\u00e1s natural liquefeito)\u00a0s\u00e3o hoje um insumo disputado no mundo. O Brasil tem o g\u00e1s do pr\u00e9-sal, isso tamb\u00e9m poderia criar oportunidades?\u00a0<\/strong><br>Uma outra alternativa fora da caixa e que poderia dar ao Brasil um papel diferenciado no mundo: t\u00e9rmicas neutras em carbono com o g\u00e1s do pr\u00e9-sal. Estamos examinando a ideia de colocar uma termel\u00e9trica em cima de uma plataforma de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo a partir de um artigo publicado pelo Centro de Pesquisas da Petrobras.<br><br>Como o g\u00e1s vem associado ao \u00f3leo e as plataformas n\u00e3o t\u00eam gasoduto para escoar o insumo e h\u00e1 limites para queima e reinje\u00e7\u00e3o, todas as plataformas no Brasil t\u00eam sistemas de captura e armazenamento de carbono.<br>\u00a0<br>A grande dor de cabe\u00e7a disso \u00e9 onde vai se colocar isso. Tem de buscar locais como cavernas ou com boa forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica e que n\u00e3o ocorram vazamentos. Hoje o g\u00e1s vem da plataforma, \u00e9 colocado em gasoduto em terra e se liga a termel\u00e9trica e se retira o carbono, mas geralmente os locais das usinas est\u00e3o distantes de onde se pode armazenar o carbono.<br>\u00a0<br>Fazer a termel\u00e9trica na plataforma seria uma op\u00e7\u00e3o diferenciada. As petroleiras n\u00e3o t\u00eam interesse no g\u00e1s que vem associado, elas t\u00eam foco no ouro negro. Boa parte do g\u00e1s n\u00e3o tem mercado e vai para a reinje\u00e7\u00e3o. Com a t\u00e9rmica na plataforma, em vez de reinjetar o g\u00e1s, injeta-se o CO2 e se tem uma t\u00e9rmica neutra em carbono.<br>\u00a0<br>Essa nova tecnologia \u00e9 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica? N\u00e3o. A Siemens, por exemplo, vende t\u00e9rmica em cont\u00eainer. Esse g\u00e1s extra\u00eddo pode gerar eletricidade na termel\u00e9trica. A energia el\u00e9trica seria distribu\u00edda por cabos de corrente cont\u00ednua. Isso \u00e9 poss\u00edvel mesmo? Sim. Est\u00e1 se tornando rotineiro, a Austr\u00e1lia e a Isl\u00e2ndia est\u00e3o trabalhando em projetos com mais de 2 mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o.<br>\u00a0<br>Com as e\u00f3licas offshore, essa tecnologia deve cair ainda mais de custo. Essa ideia \u00e9 boa para o Brasil porque s\u00e3o poucos os pa\u00edses que t\u00eam plataformas de captura de carbono e poucos com gera\u00e7\u00e3o de energia na plataforma. Nenhum pa\u00eds tem maci\u00e7amente as duas coisas. O Brasil pode ter um portf\u00f3lio de tecnologias que seriam boas para o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\" id=\"block-f323f59b-51bf-4eed-b17b-3c7d3b917007\">*Roberto Rockmann <strong>\u00e9 escritor e jornalista. Coautor do livro \u201cCurto-Circuito, quando o Brasil quase ficou \u00e0s escuras\u201d e produtor do podcast quinzenal \u201cGiro Energia\u201d sobre o setor el\u00e9trico. Organizou em 2018 o livro de 20 anos do mercado livre de energia el\u00e9trica, editado pela CCEE (C\u00e2mara de Comercializa\u00e7\u00e3o de Energia El\u00e9trica), al\u00e9m de v\u00e1rios outros livros e trabalhos premiados<\/strong>.<\/h6>\n\n\n\n<p><strong>As opini\u00f5es dos autores n\u00e3o refletem necessariamente o pensamento da Ag\u00eancia iNFRA, sendo de total responsabilidade do autor as informa\u00e7\u00f5es, ju\u00edzos de valor e conceitos descritos no texto<\/strong>. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberto Rockmann* \u00a0O ano de 2020 foi da depress\u00e3o; 2021, da euforia; 2022, do choque de realidade. Agravado por evid\u00eancias de que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se aceleraram, o choque vem acompanhado com uma mudan\u00e7a de mentalidade. 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