{"id":42538,"date":"2017-07-28T14:55:00","date_gmt":"2017-07-28T17:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/?p=42538"},"modified":"2026-06-08T16:46:12","modified_gmt":"2026-06-08T19:46:12","slug":"concessoes-vao-precisar-de-novos-socios-diz-marilene-ramos-do-bndes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/concessoes-vao-precisar-de-novos-socios-diz-marilene-ramos-do-bndes\/","title":{"rendered":"Concess\u00f5es v\u00e3o precisar de novos s\u00f3cios, diz Marilene Ramos, do BNDES"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>da Ag\u00eancia iNFRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A engenheira civil Marilene Ramos tem que lidar com uma situa\u00e7\u00e3o complexa um ano ap\u00f3s ter assumido a diretoria do BNDES: o praticamente \u00fanico banco a financiar infraestrutura no pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 conseguindo emprestar o dinheiro que tem destinado para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTivemos cerca de R$ 25 bilh\u00f5es que n\u00e3o conseguimos desembolsar no ano passado por problemas com os concession\u00e1rios\u201d, disse a diretora para a \u00e1rea de infraestrutura do BNDES em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia iNFRA<\/strong>\u00a0na sede do banco, no Rio de Janeiro, acompanhada de sua equipe.<\/p>\n\n\n\n<p>Doutora pela Coppe\/UFRJ e professora da EBAP\/FGV, Marilene Ramos assumiu a diretoria do BNDES ap\u00f3s passagem pelo Instituto de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Ramos j\u00e1 espera como resultado em 2017 aumentar o financiamento ao setor em 10% este ano em rela\u00e7\u00e3o a 2016, chegando aos R$ 8,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a miss\u00e3o que ela trata como priorit\u00e1ria \u00e9 tirar \u201co pa\u00eds da idade m\u00e9dia\u201d na quest\u00e3o do saneamento. Para isso, Ramos acredita que o banco n\u00e3o poder\u00e1 agir sozinho: \u201cTemos que aperfei\u00e7oar esse marco regulat\u00f3rio e buscar facilitar a entrada dos players privados nesses setor, dando seguran\u00e7a jur\u00eddica para eles fazerem os investimentos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia iNFRA &#8211; O que voc\u00eas est\u00e3o fazendo para tentar voltar aos volumes que o banco j\u00e1 teve ou o que voc\u00eas pretendem alcan\u00e7ar dentro do planejamento?<\/strong><br><strong>Marilene Ramos &#8211;\u00a0<\/strong>Essa redu\u00e7\u00e3o nos desembolsos est\u00e1 muito alinhada com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que o pa\u00eds est\u00e1 vivendo. H\u00e1, de fato, em fun\u00e7\u00e3o da crise, uma menor demandar por financiamentos. Quando a gente olha que o BNDES chegou a desembolsar R$ 180 bilh\u00f5es, se voc\u00ea expurgar disso a parte do PSI (Programa de Sustenta\u00e7\u00e3o em Investimento), que n\u00e3o tem nada a ver com infraestrutura, voc\u00ea vai chegar a valores na ordem R$ 110 bilh\u00f5es. Diferente de voc\u00ea comparar R$ 180 bilh\u00f5es com R$ 88 bilh\u00f5es, que foi o ano passado. Voc\u00ea est\u00e1 comparando R$ 110 bilh\u00f5es com R$ 88 bilh\u00f5es. Considerando a crise, a retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que n\u00f3s temos vivido nos \u00faltimos anos, n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o totalmente inusitada, n\u00e3o esperada. Mas por outro lado, n\u00f3s n\u00e3o podemos nos conformar com isso. N\u00f3s temos que agir para fomentar e buscar os novos financiamentos. S\u00f3 na \u00e1rea de infraestrutura do Banco tivemos cerca de R$ 25 bilh\u00f5es que n\u00e3o conseguimos desembolsar no ano passado por problemas com os concession\u00e1rios, dos planos em desenvolvimento em log\u00edstica e dessas \u00faltimas rodadas de concess\u00e3o, por problemas com empreendedores envolvidos na Lava Jato e ainda sem fazer acordo de leni\u00eancia, sem capacidade de investimento, de aportar o <em>equity<\/em>\u00a0necess\u00e1rio para colocar de p\u00e9 os projetos por perda de sustentabilidade econ\u00f4mica desses projetos em decorr\u00eancia da crise. A demanda esperada que n\u00e3o se concretizou. Enfim, n\u00f3s tivemos uma jun\u00e7\u00e3o de crise econ\u00f4mica, que afetou os projetos, a demanda por cr\u00e9dito e aqueles projetos que ainda poderiam ser financiados tiveram problemas com seus empreendedores com problemas cadastrais e de cr\u00e9dito. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos que atacar dois problemas: um estoque de concess\u00f5es que precisam ser reequilibradas, seja com a Medida Provis\u00f3ria que o governo converteu em lei na quest\u00e3o dos aeroportos, com outra agora saindo para as rodovias, para dar esse conforto \u00e0s ag\u00eancias reguladoras para fazerem esse reequil\u00edbrio, para fazerem o reperfilamento das outorgas. Por outro lado, \u00e9 natural que esses empreendedores que hoje tem problemas cadastrais e de cr\u00e9dito, busquem sair desses projetos, mas isso demanda tempo e todos n\u00f3s temos muita ang\u00fastia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ang\u00fastia de voc\u00eas aqui?<\/strong><br>N\u00e3o s\u00f3 n\u00f3s, de todos. Da sociedade brasileira tem uma ang\u00fastia que esses projetos se viabilizem rapidamente, mas essa troca de controle demanda tempo. N\u00e3o \u00e9 simples negociar uma troca de controle envolvendo um s\u00f3cio que fez uma dela\u00e7\u00e3o, mas aos poucos estamos vendo isso se concretizar. A gente viu isso no caso da Odebrecht Ambiental, n\u00f3s estamos vendo o movimento entorno do Gale\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algum outro projeto mais importante para voc\u00eas que se resolva por causa de cr\u00e9ditos que o BNDES tem em empr\u00e9stimo ponte?&nbsp;<\/strong><br>Tem a BR-163\/MT, n\u00f3s temos as rodovias Concebra, outros aeroportos como o Viracopos, linha seis do metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo. Ent\u00e3o, s\u00e3o projetos de grande vulto e que precisam da entrada de novos s\u00f3cios que possam aportar os recursos, que tenham bom cadastro para que os projetos sigam adiante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00f3 dessa forma que os projetos conseguem seguir?<\/strong><br>Exatamente. E na medida que isso for acontecendo o BNDES continua disposto a financiar esses projetos, mas tem que ter as duas coisas: tem que ter o reequil\u00edbrio econ\u00f4mico, que precisa ser dado pelas ag\u00eancias reguladoras e pelos minist\u00e9rios setoriais, e a leni\u00eancia ou substitui\u00e7\u00e3o do s\u00f3cio com capacidade de tomar os empr\u00e9stimos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 por parte das ag\u00eancias receio de que esses reequil\u00edbrios sejam interpretados como benef\u00edcio \u00e0s empresas e isso tramita de uma forma muito lenta e esses projetos, \u00e0s vezes, n\u00e3o conseguem suportar. H\u00e1 alguma maneira do Banco auxiliar nisso?<\/strong><br>N\u00f3s estamos trabalhando junto com PPI (Programa de Parceria em Investimentos), com os Minist\u00e9rios setoriais e ag\u00eancias reguladoras demonstrando a nossa dificuldade de financiar esses projetos e o que precisa ser feito para que eles possam ser financiados. Por exemplo, n\u00f3s trabalhamos diretamente com a ANTT, olhando para as rodovias analisando o seguinte: que tipo de reequil\u00edbrio que aquela rodovia precisa ter para que ela tenha capacidade de pagamento para os investimentos que precisam ser feitos e que possa ser financiado? Este \u00e9 um dado que a gente entrega para a ANTT, para que ela possa trabalhar dentro da flexibilidade que ela tem. Por outro lado a ANTT vai e diz, \u201colha, eu para fazer isso preciso de uma lei, de uma medida provis\u00f3ria, de um decreto, eu preciso de uma portaria de um minist\u00e9rio\u201d. Enfim, \u00e9 um trabalho de \u201cN&#8221; m\u00e3os que \u00e9 preciso trabalhar junto. A equipe da Luciene [Ferreira Monteiro Machado, superintendente de Saneamento e Transportes] tem v\u00e1rios representantes em Bras\u00edlia fazendo isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciene Ferreira Monteiro Machado &#8211;&nbsp;<\/strong>Eu acho que, a grosso modo, \u00e9 isso mesmo. N\u00e3o vai ter bala de prata. Cada caso vai ser preciso ser olhado cada detalhe. Tem situa\u00e7\u00f5es que uma reprograma\u00e7\u00e3o de investimentos resolve, tem outras situa\u00e7\u00f5es que a demanda se mostrou muito aqu\u00e9m do imaginado, ou, de outro lado, des\u00e1gio da tarifa que \u00e9 a vari\u00e1vel de leil\u00e3o, foi muito agressiva. S\u00e3o muitas especificidades. As ag\u00eancias est\u00e3o tentando colocar de p\u00e9 o que \u00e9 poss\u00edvel, o que n\u00e3o for poss\u00edvel, provavelmente a relicita\u00e7\u00e3o pode ser uma alternativa aos rem\u00e9dios j\u00e1 habituais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Olhando para tr\u00e1s, o que veem de problemas comuns a todos os projetos que est\u00e3o tentando evitar?<\/strong><br><strong>Marilene Ramos<\/strong> &#8211; Fal\u00e1vamos do estoque de projetos do passado e que tem que ser tratado e, at\u00e9 pelo fato de serem projetos mais maduros e tudo, permitiria desembolsos alt\u00edssimos. Eu te falei a conta de R$25 bilh\u00f5es de frustra\u00e7\u00e3o no ano passado, se imaginar que n\u00f3s desembolsamos R$ 88 bilh\u00f5es, R$ 90 bilh\u00f5es, n\u00f3s chegar\u00edamos a R$ 115 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E este ano n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar esses R$25 bilh\u00f5es?&nbsp;<\/strong><br>N\u00e3o, porque esses movimentos todos a\u00ed n\u00e3o se conclu\u00edram. Uma parte se conclui esse ano, outra ainda vai acontecer ao longo do pr\u00f3ximo ano. A\u00ed a retomada de reembolso desse projeto vai se dar rapidamente. Agora n\u00f3s precisamos cuidar do pipeline. Temos que ter um pipeline de projetos regular. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos trabalhado para resolver esse passado com os minist\u00e9rios, com PPI, n\u00f3s temos trabalhado com o PPI e minist\u00e9rios setoriais para que as novas concess\u00f5es j\u00e1 saiam com caracter\u00edsticas que deem a ela maior financiabilidade. J\u00e1 no edital dos quatros aeroportos, inclu\u00edram governan\u00e7a para parte relacionada, exig\u00eancia de uma certificadora de projetos para garantir que voc\u00ea n\u00e3o v\u00e1 fazer um projeto al\u00e9m da demanda onde o empreendedor vai visar seu lucro na constru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico. Ent\u00e3o, este tipo de mudan\u00e7a, n\u00f3s temos trabalhado de forma que este tipo de projeto, que o PPI est\u00e1 colocando e que outros minist\u00e9rios est\u00e3o colocando em licita\u00e7\u00e3o, que eles tenham essas caracter\u00edsticas e que possam evitar os mesmos erros. Outro aspecto foi a estrutura\u00e7\u00e3o aqui dentro do banco da \u00e1rea de desestatiza\u00e7\u00e3o. Com o refor\u00e7o do fortalecimento da equipe de estrutura\u00e7\u00e3o de projetos, para que n\u00f3s tamb\u00e9m possamos contribuir com projetos outros projetos que possam alimentar esse nosso pipeline.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 uma cr\u00edtica ao BNDES ter reduzido o tamanho do seu financiamento para algumas \u00e1reas. Alegam que, sem todo o dinheiro que o BNDES colocava em TJLP, n\u00e3o vai ser poss\u00edvel financiar nas condi\u00e7\u00f5es de juros que a gente tem de mercado.&nbsp;<\/strong><br>N\u00f3s reduzimos a participa\u00e7\u00e3o em TJLP para alguns setores. Rodovias n\u00f3s reduzimos um pouco, aeroportos tamb\u00e9m e eu vou citar o caso das transmiss\u00f5es que n\u00f3s zeramos, n\u00e3o tem mais TJLP na transmiss\u00e3o. O que aconteceu: nos dois \u00faltimos leil\u00f5es de transmiss\u00e3o foi um sucesso. H\u00e1 uma queixa no mercado de financiamento privado que, como o BNDES coloca muita parcela expressiva de financiamento de TJLP, n\u00f3s n\u00e3o ocupamos todo mercado de financiamento e o mercado privado n\u00e3o vem. Ent\u00e3o, o BNDES n\u00e3o tem s\u00f3 a miss\u00e3o de financiar, mas ele tamb\u00e9m tem a miss\u00e3o de estimular o mercado privado de capitais. Por um lado n\u00f3s reduzimos a participa\u00e7\u00e3o em TJLP, mas n\u00f3s fizemos algo inusitado que nunca fizemos. Isso para os novos leil\u00f5es, porque para os antigos vale exatamente as condi\u00e7\u00f5es do leil\u00e3o. Ent\u00e3o, se tinha 70% de TJLP em um leil\u00e3o de hidrel\u00e9trica, seria 70% financiado por TJLP. Al\u00e9m de n\u00f3s, garantirmos que a gente financia at\u00e9 80% do investimento, completando com taxas de mercado, se for emiss\u00e3o de&nbsp;debentures, n\u00f3s tamb\u00e9m damos o firme em 100% das&nbsp;deb\u00eantures&nbsp;emitidas. De forma a dar garantia ao investidor de que se o mercado n\u00e3o for, o BNDES vai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 uma maturidade nesse nosso mercado para isso j\u00e1 ou isso vai precisar ser constru\u00eddo? Mercado que eu digo de&nbsp;<\/strong><strong>deb\u00eantures<\/strong><strong>, de fora da TJLP. Tem funding? Voc\u00eas analisam isso?&nbsp;<\/strong><br>Olha! (risos) A quest\u00e3o \u00e9 a seguinte: o BNDES tem disponibilidade de caixa para financiar, ainda que uma parcela menor, em TJLP. Ent\u00e3o, os bancos privados tamb\u00e9m podem fazer esse financiamento com recursos do BNDES como repassador. Ent\u00e3o, n\u00f3s acreditamos que exista. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s&nbsp;deb\u00eantures&nbsp;de infraestrutura, \u00e9 uma quest\u00e3o ainda a ser testada porque a gente tem informa\u00e7\u00e3o que h\u00e1 muito apetite, mas como elas s\u00e3o ainda escassas, a gente n\u00e3o sabe de que tamanho \u00e9 o apetite deste mercado. Mas a nossa expectativa \u00e9 que investidores de mais longo prazo venham, principalmente, j\u00e1 que deb\u00eantures&nbsp;de infraestrutura tamb\u00e9m t\u00eam benef\u00edcios para investidores estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 algum tempo o banco tenta ou fala em financiar os projetos de infraestrutura pelo modelo de <em>project finance<\/em>. Vai ser poss\u00edvel?&nbsp;<\/strong><br>N\u00f3s j\u00e1 colocamos uma proposta na mesa. Se n\u00f3s s\u00f3 participarmos de 25% do projeto, n\u00f3s fazemos um <em>project finance<\/em> puro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas como funciona isso?<\/strong><br>Nos f\u00f3runs internacionais, se queixam porque as garantias que o BNDES exige n\u00e3o chega a ser invi\u00e1vel, mas onera muito o projeto, as finan\u00e7as banc\u00e1rias oneram muito. Vim aqui para o banco para discutir e a equipe falou: &#8220;como \u00e9 que n\u00f3s vamos fazer <em>project finance<\/em> no escuro se n\u00f3s entramos sozinhos no projeto? N\u00f3s chegamos a 60%, 70% do investimento. Como n\u00f3s vamos correr o risco sozinhos?&#8221; A\u00ed fomos conversar com os que fazem, IDB, IAC, e eles disseram que fazem puro, mas s\u00f3 v\u00e3o at\u00e9 25% do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E n\u00e3o tem aqui parceiro para isso?<\/strong><br>Mas a\u00ed o que acontece? At\u00e9 eles podem ter os seus parceiros, mas se eu tenho financiamento que vai a 70% em TJLP, nenhum desses bancos privados financiam em TJLP.\u00a0E nenhum investidor vai querer abrir m\u00e3o de TJLP para ficar com o <em>project finance<\/em> no escuro. Ent\u00e3o, no caso agora de linhas de transmiss\u00e3o, todo o financiamento \u00e9 mercado. A\u00ed come\u00e7a a caber. Ent\u00e3o a gente iniciou conversas com os vencedores dos leil\u00f5es para ver se a gente estrutura algum, um <em>project finance<\/em> at\u00e9 para a gente aprender a fazer e testar como fazer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 \u00e1reas do banco menos afetadas pela crise?<\/strong><br>A \u00e1rea de log\u00edstica e transportes \u00e9 que foi uma \u00e1rea muito afetada por essa situa\u00e7\u00e3o toda. O setor el\u00e9trico, a \u00e1rea de energia, n\u00e3o foi t\u00e3o afetada. A gente agora est\u00e1 tendo um volume de projetos. Estamos trabalhando com o setor e\u00f3lico fortemente, que est\u00e1 com uma participa\u00e7\u00e3o na matriz de 10 gigas e a expectativa chega a ser de 120 gigas. Hoje, no total do Brasil, s\u00e3o 150. Ent\u00e3o isso sai de zero e est\u00e1 crescendo. Estamos investindo bastante na parte de fomento de energia solar e de gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda. E est\u00e3o entrando projetos que est\u00e3o sendo aprovados no banco e est\u00e1 evoluindo bem. A gente acha que \u00e9 uma nova fronteira e que o pa\u00eds tem potencial enorme para ser desenvolvido em gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O pessoal da e\u00f3lica tem reclamado que o governo travou os leil\u00f5es do setor. Quanto que isso, de fato, afeta o futuro dessa ind\u00fastria?&nbsp;<\/strong><br>Haveria um leil\u00e3o. Ele estava previsto para dezembro passado. Um leil\u00e3o de energia de reserva e\u00f3lica e solar. Realmente, as f\u00e1bricas de geradores est\u00e3o produzindo grande parte por causa dos leil\u00f5es passados. O setor precisa de not\u00edcias novas para manter uma expectativa de continuidade. Por enquanto, est\u00e1 todo mundo lotado ainda. Entregando a demanda. Mas, realmente, \u00e9 necess\u00e1rio na vis\u00e3o da ind\u00fastria. O contraponto disso \u00e9 que, em fun\u00e7\u00e3o da crise, grande parte do servidor est\u00e1 sobrecontratado de energia. Ent\u00e3o, numa vis\u00e3o bem de curto prazo, o mercado n\u00e3o est\u00e1 precisando de energia nova. \u00c9 preciso uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de longo prazo para investir. \u00c9 o tipo de investimento que precisa ter planejamento e ser dosado porque voc\u00ea cresce demais em um determinado per\u00edodo em pouco d\u00e1 um solavanco a ind\u00fastria est\u00e1 se firmando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E n\u00e3o d\u00e1 para exportar? Criar uma ind\u00fastria fora?&nbsp;<\/strong><br>A gente est\u00e1 estudando, est\u00e1 negociando com as empresas, particularmente de geradores, para a exporta\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. Vimos algumas dificuldades de log\u00edstica, mas estamos vendo quais os caminhos podemos tomar. Uma quest\u00e3o que as empresas colocam \u00e9 a quest\u00e3o tribut\u00e1ria. O que acontece quando voc\u00ea vai exportar um produto, n\u00e3o s\u00f3 com geradores? Quando voc\u00ea compra a mat\u00e9ria-prima, voc\u00ea vai acumulando impostos na cadeia. Quando voc\u00ea exporta, acaba exportando impostos. O que o setor precisa ter \u00e9 que, quando faz um produto para a exporta\u00e7\u00e3o, voc\u00ea tenha algum tipo de reconhecimento pr\u00e9vio dos insumos que n\u00e3o deveriam ser tribut\u00e1rios, que \u00e9 o que todos os outros produtos do mundo fazem. Isso faria com que o Brasil ficasse muito mais competitivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa parte de energia est\u00e1 dentro dos R$ 25 bilh\u00f5es que voc\u00ea falou no in\u00edcio da entrevista ou s\u00e3o s\u00f3 para transportes e saneamento?&nbsp;<\/strong><br>N\u00e3o. \u00c9 total. Tem uma parcela pequena tamb\u00e9m na \u00e1rea de energia. Na \u00e1rea de energia, isso foi um percentual muito pequeno de projetos. O setor de energia foi um dos que teve crescimento dentro desses porcentos de desembolso, vem tendo um desempenho muito bom. Foi o destaque da infraestrutura. Tem not\u00edcia boa tamb\u00e9m na parte de ferrovia. A gente est\u00e1 com bons projetos na \u00e1rea de ferrovia. J\u00e1 aprovamos no ano passado a VLI, estamos com a&nbsp;Rumo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas est\u00e3o liberando dinheiro para eles mesmo com contrato perto do fim do vencimento? D\u00e1 para financiar? Porque os contratos deles acabam daqui a 7 ou 8 anos, depende de cada um, na verdade.<\/strong><br>A gente tem um apoio j\u00e1 tradicional aos maiores operadores. Vale, VLI, Rumo, enfim, isso tem sido executado. Mas voc\u00ea tem raz\u00e3o nesse sentido. Hoje, o foco no fundo s\u00e3o dois: o primeiro \u00e9 acelerar o processo de renova\u00e7\u00f5es antecipadas tendo novos investimentos como contrapartida que tamb\u00e9m foram introduzidos pela lei 13.448. Ent\u00e3o, o governo est\u00e1 trabalhando em avaliar essas informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos operadores, compor um processo que pare de p\u00e9 e que possa ser submetido ao TCU rapidamente e aprovar essa celebra\u00e7\u00e3o de aditivos de contratos de concess\u00e3o. O primeiro processo, nesse sentido, \u00e9, pelo o que n\u00f3s sabemos, da MRS depois VLI, enfim, isso tem acontecido, a gente tem participado desse processo. E o outro lado s\u00e3o as novas concess\u00f5es, Norte-Sul, Ferrogr\u00e3o, enfim.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como h\u00e1 um contrato em finaliza\u00e7\u00e3o, estou imaginando que o banco fica limitado ao tamanho da d\u00edvida, ao tamanho do cr\u00e9dito, e voc\u00ea n\u00e3o consiga financiar tudo que seja poss\u00edvel ou desej\u00e1vel pelas empresas.<\/strong><br>\u00c9, e tamb\u00e9m tem o pr\u00f3prio operador, ele n\u00e3o vai fazer um investimento imenso se n\u00e3o tiver tempo de recuperar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Haroldo Fialho Prates (chefe de Departamento de Energia)<\/strong> &#8211; Mas j\u00e1 h\u00e1 um plano de investimento em andamento. Os investimentos que fez a VLI no passado e ainda vai fazer at\u00e9 2019, a pr\u00f3pria Rumo, enfim. A reposi\u00e7\u00e3o do que seria o org\u00e2nico \u00e9 bastante relevante, R$ 2 bilh\u00f5es ou 3 bilh\u00f5es por ano. Ent\u00e3o, s\u00e3o valores que, no geral, consegue renovar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O risco \u00e9 se esse processo de renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o seguir ou dentro do que est\u00e1 se esperando voc\u00ea come\u00e7ar a diminuir esse ritmo.<\/strong><br>Exato. Mas todos os sinais s\u00e3o contr\u00e1rios, muito positivos. Esses dispositivos da lei foram debatidos a exaust\u00e3o tanto com os \u00f3rg\u00e3os de controle quanto com entidades p\u00fablicas. Ent\u00e3o, n\u00e3o paira muito questionamento, mas sobre outros dispositivos da lei j\u00e1 tem um pouco mais de controv\u00e9rsias. Mas sobre esses, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E quanto vai ser poss\u00edvel financiar no setor?<\/strong><br><strong>Marilene Ramos<\/strong> &#8211; Na linha das boas not\u00edcias, nossa expectativa esse ano \u00e9 aumentar em mais de 40% os desembolsos na \u00e1rea de energia, por exemplo. Como eu disse \u00e9 um setor menos afetado. Outra coisa boa que n\u00f3s temos trabalhado \u00e9 nos nossos processos internos que os financiamentos saiam mais r\u00e1pidos. Anunciado esse desafio de conseguir fazer um processo de financiamento em at\u00e9 180 dias, o que para um <em>project finance<\/em>&nbsp;ainda que seja desafiador, a gente j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a fazer os primeiros processos em 180 dias aqui no banco, na \u00e1rea de infraestrutura. Obviamente que s\u00e3o os menos complexos, mas a gente est\u00e1 perseguindo essa meta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essas proje\u00e7\u00f5es de energia tamb\u00e9m est\u00e3o para as outras? Quanto voc\u00eas acham que conseguem chegar?<\/strong><br><strong>Luciene<\/strong>&nbsp;<strong>Machado<\/strong> &#8211; Em saneamento, log\u00edstica e mobilidade, a expectativa de desembolso esse ano \u00e9 de R$ 8,5 bilh\u00f5es. Em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado o crescimento n\u00e3o \u00e9 grande, de 10%, se houver. Existe um pipeline novo que deixa a gente bastante otimista, as rodovias do estado de S\u00e3o Paulo, o PPI est\u00e1 bastante avan\u00e7ado com dois trechos de rodovia tamb\u00e9m, a Concepa e a BR-364\/365, al\u00e9m da pr\u00f3pria Norte-Sul. Agora, claro que s\u00e3o projetos longos, por sua natureza, o tempo de matura\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise, at\u00e9 que isso se torne essa vari\u00e1vel que a gente est\u00e1 perseguindo aqui que \u00e9 o desembolso. Os aeroportos certamente v\u00e3o ser os primeiros que a gente vai ver, mas \u00e9 primeiro semestre do ano que vem, desembolso do primeiro semestre do ano que vem. Eles acabaram de acionar os contratos de concess\u00e3o agora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nessa \u00e1rea de saneamento, houve uma audi\u00eancia p\u00fablica em Bras\u00edlia e suas cr\u00edticas foram bastante duras com o nosso atual modelo e com o que o pa\u00eds tem nessa \u00e1rea. O que que vai ser poss\u00edvel conseguir entregar rapidamente nesse setor para tirar o Brasil do que voc\u00ea classificou no encontro como S\u00e9culo XVIII?<\/strong><br><strong>Mariliene Ramos<\/strong> &#8211; Estamos na idade m\u00e9dia em termos de saneamento. Nossa expectativa \u00e9 que n\u00f3s hoje temos 16 estados, tem que conferir esse n\u00famero porque acho que o Rio Grande do Norte saiu, mas n\u00f3s estamos trabalhando com 16 estados nesse processo de modelagem para concess\u00f5es, subconcess\u00f5es, privatiza\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de saneamento de forma a viabilizar universaliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e esgoto. Esses processos tamb\u00e9m s\u00e3o processos que grande parte das consultorias para fazer os estudos j\u00e1 est\u00e3o contratadas e o trabalho est\u00e1 em pleno andamento. N\u00e3o \u00e9 um trabalho de curt\u00edssimo prazo, ent\u00e3o, nossa expectativa \u00e9 de no primeiro semestre do ano que vem come\u00e7ar a colocar os primeiros leil\u00f5es na rua. A quest\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s temos um cen\u00e1rio mais complexo por conta do ano que vem ser ano eleitoral e com mudan\u00e7as nos governos dos estados, isso pode trazer uma certa turbul\u00eancia ao processo e eventuais atrasos. Mas n\u00f3s estamos otimistas de colocar alguns projetos j\u00e1 no primeiro semestre do ano que vem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00f3 esses processos v\u00e3o resolver ou o que julga ser ainda mais necess\u00e1rio?<\/strong><br>Fora isso, para que esses processos sejam vi\u00e1veis, \u00e9 preciso alguns aperfei\u00e7oamentos no marco regulat\u00f3rio. A gente tem aquela decis\u00e3o do Supremo sobre a quest\u00e3o do saneamento em regi\u00e3o metropolitana que n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o simples de ser cumprida, exige uma articula\u00e7\u00e3o entre estado e os munic\u00edpios, ela exige at\u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o melhor do alcance dela, quer dizer, se vai servir para qualquer regi\u00e3o metropolitana. As regi\u00f5es metropolitanas s\u00e3o formadas, muitas vezes, por interesses econ\u00f4micos que n\u00e3o tem nada a ver com a quest\u00e3o do saneamento. Ent\u00e3o, voc\u00ea misturar essa demarca\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com uma demarca\u00e7\u00e3o que \u00e9 de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, que tem outro desenho, n\u00e3o faz muito sentido. Mas tem um grupo de trabalho que estamos participando ativamente l\u00e1 na Casa Civil juntamente com os minist\u00e9rios das Cidades e do Planejamento para aperfei\u00e7oar esse marco regulat\u00f3rio e buscar facilitar a entrada dos player privados nesses setor, dando seguran\u00e7a jur\u00eddica para eles fazerem os investimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>da Ag\u00eancia iNFRA A engenheira civil Marilene Ramos tem que lidar com uma situa\u00e7\u00e3o complexa um ano ap\u00f3s ter assumido a diretoria do BNDES: o praticamente \u00fanico banco a financiar infraestrutura no pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 conseguindo emprestar o dinheiro que tem destinado para isso. \u201cTivemos cerca de R$ 25 bilh\u00f5es que n\u00e3o conseguimos desembolsar no 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