{"id":46167,"date":"2026-08-20T07:00:00","date_gmt":"2026-08-20T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/?p=46167"},"modified":"2026-08-20T07:00:04","modified_gmt":"2026-08-20T10:00:04","slug":"com-pnl-2050-transportes-tem-proposta-para-investidores-de-longo-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/com-pnl-2050-transportes-tem-proposta-para-investidores-de-longo-prazo\/","title":{"rendered":"Com PNL 2050, Transportes tem proposta para investidores de longo prazo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>da Ag\u00eancia iNFRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que vai levar ao Minist\u00e9rio da Fazenda uma proposta para estimular que investidores institucionais, como fundos de pens\u00e3o e resseguradoras, a aplicar em pap\u00e9is de infraestrutura. Para ele, o pa\u00eds aproveitou pouco at\u00e9 agora esse tipo de investidor, que olha para projetos de longo prazo, e o plano de longo prazo no setor de log\u00edstica, lan\u00e7ado na semana passada, \u00e9 o passo fundamental para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o mercado nacional n\u00e3o tem os recursos previstos para financiar os investimentos previstos no PNL (Plano Nacional de Log\u00edstica) 2050, de pelo menos R$ 1,1 trilh\u00e3o, e ser\u00e1 preciso ir atr\u00e1s desse tipo de recurso fora do pa\u00eds. \u201cPara eu captar fora, eu tenho que ter \u00e9 hedge funds, de seguradoras, eu tenho que ter fundo de pens\u00e3o internacional e tamb\u00e9m tem que ter fundo de pens\u00e3o brasileiro\u201d, disse Santoro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa, Santoro falou que o PNL era o elemento que faltava ao pa\u00eds para atrair empresas que querem investir no pa\u00eds, depois da solu\u00e7\u00e3o dada pela reforma tribut\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o aos impostos serem muito diferentes do resto do mundo, impedindo uma compara\u00e7\u00e3o adequada.<br><br>O ministro detalhou ainda as mudan\u00e7as na forma de fazer o plano, seu direcionamento para resolver gargalos e sobre a meta a ser alcan\u00e7ada, que \u00e9 reduzir os custos log\u00edsticos do pa\u00eds de 15,7% do PIB ao ano para 6%. \u201cA renda m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o brasileira vai quase dobrar\u201d, aposta o ministro, caso essa meta seja atingida.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Abaixo, os principais trechos da entrevista, no Est\u00fadio iNFRA, ao diretor da <strong>Ag\u00eancia iNFRA Dimmi Amora<\/strong>, durante a cobertura especial de lan\u00e7amento do PNL 2050, dentro do projeto Agenda Infra Brasil. A conversa completa pode ser vista <a href=\"https:\/\/youtu.be\/AOUf3dJB398\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/youtu.be\/AOUf3dJB398\">neste link<\/a>, no canal da <strong>Ag\u00eancia iNFRA<\/strong> no YouTube.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia iNFRA:\u00a0 O PNL 2050 \u00e9 a pedra fundamental do planejamento de transporte no pa\u00eds. Como voc\u00eas deram um novo olhar para esse planejamento? O que refizeram na forma?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: A gente mudou bastante a forma de construir o PNL. O Brasil historicamente fazia obra e depois corria para fundamentar por que fez aquela obra. E isso a auditoria do TCU [Tribunal de Contas da Uni\u00e3o], quando eu cheguei l\u00e1, escreveu. A gente precisava mudar toda a sistem\u00e1tica. Primeiro tinha que saber que Brasil n\u00f3s queremos. Quando eu falo Brasil, eu falo da import\u00e2ncia t\u00e3o grande da log\u00edstica no peso da economia nacional, que ela hoje consome 16% do PIB. O que \u00e9 um n\u00famero muito fora da curva mundial. Estamos falando do dobro da m\u00e9dia do mundo gasta em custo log\u00edstico. Isso \u00e9 muito ruim para o pa\u00eds. Um pa\u00eds que exporta commodities: min\u00e9rio, celulose, combust\u00edvel, gr\u00e3os e prote\u00ednas. Nos pr\u00f3ximos anos, a tend\u00eancia \u00e9 permanecer nessa seara exportadora. Espero que a gente melhore essa plataforma. No PNL, o diagn\u00f3stico que a gente fez \u00e9 para n\u00e3o ter gargalos para ter uma redu\u00e7\u00e3o desse custo log\u00edstico. Isso foi a nossa vis\u00e3o de futuro. A partir dela identificamos os problemas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>D\u00e1 um exemplo desses gargalos ou desses problemas que voc\u00eas identificaram?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: Um gargalo muito claro \u00e9 que eu tenho 60% da carga em rodovia. Isso me gera um peso excessivo de um \u00fanico modal. E a ferrovia com pouco mais de 15%. Hidrovia tamb\u00e9m, muito pequena. Cabotagem incipiente. Quando voc\u00ea olha a m\u00e9dia do mundo, \u00e9 mais bem distribu\u00eddo. Isso gera um problema de produtividade na economia, de efici\u00eancia econ\u00f4mica. Como eu quero que o Brasil cres\u00e7a o PIB se eu sou ineficiente na sua log\u00edstica? Quando voc\u00ea olha o dia a dia voc\u00ea v\u00ea que um navio leva 522 horas no Porto de Santos. Paranagu\u00e1, 480 horas, e est\u00e1 aqui n\u00e3o sei quantas horas. O acesso ferrovi\u00e1rio \u00e9 limitado a poucos portos. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea pega o ranking dos portos voc\u00ea vai olhar que a maioria dos grandes portos brasileiros t\u00eam ferrovia. E aquele porto que n\u00e3o tem ferrovia, vira um gargalo log\u00edstico na rodovia. Porque s\u00e3o filas de caminh\u00e3o. Santos, mesmo com a ferrovia, \u00e9 uma fila de caminh\u00e3o. Quatro mil caminh\u00f5es\/dia, tr\u00eas mil caminh\u00f5es\/dia dentro de Cubat\u00e3o, atrapalhando a vida da cidade. Esses s\u00e3o os gargalos que a gente identificou. Ter acesso ferrovi\u00e1rio a mais portos \u00e9 fundamental. A gente ampliar a capacidade de rodovias, no sentido de elas conectarem com ferrovia, conectarem com hidrovia, conectarem com a cabotagem.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Isso vai significar ent\u00e3o que nem sempre voc\u00ea vai ter que fazer uma obra para resolver um gargalo ou uma obra nova, vamos chamar assim. Voc\u00ea pode resolver um problema com uma interven\u00e7\u00e3o menor ou mais simples ou uma obra que d\u00ea efetividade a essa produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: Voc\u00ea foi no ponto. A gente chama \u00e0s vezes l\u00e1 no minist\u00e9rio, s\u00e3o pequenas obras de grandes mudan\u00e7as. Vou dar um exemplo. Canoa Quebrada [Cear\u00e1] \u00e9 uma praia que recebe 200 mil turistas no ver\u00e3o. Tem um gargalo log\u00edstico ali de pessoas que v\u00e3o para aquela regi\u00e3o. Com uma solu\u00e7\u00e3o de R$ 30 milh\u00f5es, que \u00e9 uma rotat\u00f3ria, eu resolvo um gargalo log\u00edstico enorme que os turistas, os veranistas, levam \u00e0s vezes quatro horas para chegar, parados num trevo. Esse olhar mais micro \u00e9 muito importante e a gente vai procurar passar. O PNL \u00e9 mais macro e isso vai estar nos planos setoriais. Mas a grande mudan\u00e7a \u00e9 que a gente est\u00e1 olhando como vai ser ao longo dos pr\u00f3ximos anos a evolu\u00e7\u00e3o dessa carga.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E o que voc\u00eas est\u00e3o vendo nesse estudo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: Na d\u00e9cada de 1970, tudo foi feito no Brasil olhando o litoral. S\u00f3 que toda a minha produ\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 no Centro-Oeste, no Matopiba. E eu n\u00e3o constru\u00ed infraestrutura antes para l\u00e1. Come\u00e7ou a produ\u00e7\u00e3o l\u00e1 sem ter infraestrutura. Ent\u00e3o a gente quer evitar isso. Essa \u00e9 a meta, ou seja, eu construir antecedendo para onde vai crescer a produ\u00e7\u00e3o, onde vou precisar dessa infraestrutura. Vai ser necess\u00e1rio implantar novas rodovias, vai ser necess\u00e1rio implantar novas conex\u00f5es ferrovi\u00e1rias, mas voc\u00ea falou um ponto fundamental. Eu fui a Mato Grosso do Sul semana passada. Eu estou com um projeto de duplicar a BR-262. Quando voc\u00ea vai no local e entende o problema, a rodovia est\u00e1 cheia de caminh\u00e3o transportando min\u00e9rio de ferro de Corumb\u00e1 para Minas. Talvez n\u00e3o precisasse duplicar a rodovia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas fazer uma ferrovia efetiva ali\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: N\u00e3o preciso fazer, ela j\u00e1 est\u00e1 pronta, est\u00e1 l\u00e1 do lado. Fazer ela funcionar, que \u00e9 a Malha Oeste, que \u00e9 o projeto de concess\u00e3o que estamos colocando [em licita\u00e7\u00e3o]. Eu tenho uma ferrovia constru\u00edda h\u00e1 mais de 70 anos e sai de Santa Cruz de La Sierra na Bol\u00edvia, Corumb\u00e1 e chega ao Porto de Santos e que est\u00e1 inutilizada. A gente precisa recuperar ela. Tem uma mina que produzia um milh\u00e3o, dois milh\u00f5es de toneladas de min\u00e9rio. Est\u00e1 produzindo oito e vai para 30 milh\u00f5es de toneladas. Parte vai sair por hidrovia, parte a gente acha que vai sair por ferrovia. E hoje, como eu n\u00e3o tenho nada disso funcionando regularmente, est\u00e1 saindo por caminh\u00e3o por quase dois mil quil\u00f4metros. N\u00e3o faz sentido nenhum. Esse \u00e9 um custo log\u00edstico que afeta aquele n\u00famero do PIB de quase 16%, que \u00e9 15,7% do custo log\u00edstico estimado do PIB. \u00c9 isso que a gente quer combater. A gente tem que ter o diagn\u00f3stico claro, olhar para onde a gente quer ir e fazer os projetos para combater esse passado. Voc\u00ea viu l\u00e1 que eu falei que dos mais de 120 objetivos, 70 s\u00e3o para resolver esses problemas, ou seja, eu ainda tenho um legado de passivo enorme de gargalo. Tem que enfrentar isso. Mas tem que olhar para o futuro para evitar que aconte\u00e7a gargalo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um dos fatores de mudan\u00e7a nesse planejamento foi a identifica\u00e7\u00e3o entre tipos diferentes de corredores para o transporte. De exporta\u00e7\u00e3o, de abastecimento interno e o outro do transporte das pessoas. Por que isso \u00e9 importante para o trabalho que vai ser feito agora de direcionar os investimentos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: Tenho uma caracter\u00edstica muito espec\u00edfica quando eu falo de exporta\u00e7\u00e3o: grande volume de carga. Quando eu falo de alimentar a ind\u00fastria nacional, \u00e9 outra caracter\u00edstica que a gente chama de carga geral. Essa carga geral no Brasil \u00e9 quase toda rodovi\u00e1ria. No mundo inteiro as pessoas pegam trem de passageiro e p\u00f5em um vag\u00e3o para transportar carga e misturam. Como o Tom\u00e9 [Franca, ministro de Portos e Aeroportos] falou muito bem falado: as barrigas dos transportes a\u00e9reos j\u00e1 carregam carga. Mas a gente n\u00e3o consegue identificar isso direito. E a gente est\u00e1 induzindo, a gente n\u00e3o colocou no PNL agora, porque est\u00e1 querendo a nota fiscal espec\u00edfica para isso, as fazendas estaduais no governo federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No caso dos aeroportos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: Dos aeroportos. O \u00fanico modal de carga que a gente n\u00e3o colocou foi esse e a gente vai ajeitar no pr\u00f3ximo. Mas \u00e9 muito pequeno hoje o registro. A gente tem que pesquisar. Eu acho que essa \u00e9 a quest\u00e3o mais importante a\u00ed que a gente est\u00e1 colocando, \u00e9 a mudan\u00e7a da cultura de diagn\u00f3stico baseado em dados e evid\u00eancias. E esses dados, a gente melhorou muito. Hoje eu tenho acesso a todos os manifestos eletr\u00f4nicos, todos os conhecimentos eletr\u00f4nicos. Quando a gente fez a Lei do Frete, a gente vinculou o Ciot (C\u00f3digo Identificador da Opera\u00e7\u00e3o de Transporte) aos documentos fiscais, eu vou ter uma precis\u00e3o absoluta a partir de agora da informa\u00e7\u00e3o de carga, o que eu n\u00e3o tinha. E com a reforma tribut\u00e1ria, eu n\u00e3o sei se todo mundo entendeu a minha fala ali [no palco do evento]. Hoje eu tenho benef\u00edcios tribut\u00e1rios que carregam cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, a nota s\u00f3 vai e volta, n\u00e3o tem carga. Muitas vezes, os estudos at\u00e9 de uma concess\u00e3o consideravam como carga essas coisas, e na pr\u00e1tica era s\u00f3 nota indo e vindo. A carga n\u00e3o ia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E como voc\u00eas est\u00e3o fazendo a sele\u00e7\u00e3o do que entra no PNL?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: A gente introduziu nesse PNL o conceito de que toda a infraestrutura \u00e9 poss\u00edvel ser constru\u00edda e desenvolvida, mas eu tenho que reconhecer que eu tenho restri\u00e7\u00f5es de licenciamento, or\u00e7ament\u00e1rias e financeiras. A gente colocou isso para poder fazer as escolhas de forma correta. O PNL anterior, se eu fosse executar o que estava em vigor, que era o de 2035, eu n\u00e3o teria PIB do Brasil para cumprir aquilo. O n\u00famero um escolhido era uma ferrovia cortando o Acre, no meio da floresta Amaz\u00f4nica. \u00c9 poss\u00edvel fazer? \u00c9. Mas quanto tempo eu vou levar para licenciar uma ferrovia no meio da floresta amaz\u00f4nica no Acre? E os desafios de engenharia nisso? E quanto custaria isso. Essa vis\u00e3o a gente conseguiu resolver nesse PNL. A gente conseguir discutir de forma integrada os problemas efetivos. Ent\u00e3o, planejamento vai dizer: &#8220;Eu vou ter dinheiro para fazer esses investimentos todos aqui&#8221;? N\u00e3o. Ent\u00e3o eu tenho que ter um balanceamento com PPP [Parceria P\u00fablico-Privada] e concess\u00e3o. E a\u00ed a gente, no nosso diagn\u00f3stico, o futuro nosso \u00e9 passar 60% dos investimentos em log\u00edstica de transporte para o setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como chegaram a esse n\u00famero?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro:<\/strong> Eu tenho uma realidade fiscal e uma regra fiscal hoje no Brasil, certo? Ent\u00e3o a gente fez uma proje\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica baseado na regra fiscal atual, eu vou ter um espa\u00e7o fiscal de investimento que o minist\u00e9rio tem. Nos \u00faltimos quatro anos, contando com o de agora, eu tive em m\u00e9dia R$ 15 bi no minist\u00e9rio [dos Transportes]. E a gente pegou a regra fiscal, pegou os par\u00e2metros econ\u00f4micos junto com o Minist\u00e9rio do Planejamento, as previs\u00f5es que eles fazem, e colocamos no papel. Por isso eu chego no m\u00e1ximo a 40%. E eu estou olhando tamb\u00e9m para os estados, que a gente incorporou o planejamento dos estados no nosso. E esse recurso tem que ser muito bem utilizado. Por isso que a gente defende em ferrovia cobrir viabilidade com recursos p\u00fablicos. Ou com financiamento subsidiado. Mecanismos em rodovia eu vou precisar, porque at\u00e9 agora as concess\u00f5es pegaram o que tem mais volume de tr\u00e1fego. Mas tem agora o desafio da regi\u00e3o Norte, Nordeste, Centro-Oeste e alguns projetos na regi\u00e3o Sul que o ped\u00e1gio ficar\u00e1 muito caro se eu fizer amplia\u00e7\u00e3o de capacidade sem botar dinheiro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual o exemplo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro: <\/strong>Se eu atender tudo que o povo de Santa Catarina quer de duplica\u00e7\u00e3o, o ped\u00e1gio das rodovias l\u00e1 vai ser o dobro da tarifa quilom\u00e9trica que eu tenho hoje. A economia l\u00e1 permite isso? Permite. Mas a popula\u00e7\u00e3o vai querer? Essa \u00e9 a discuss\u00e3o que n\u00f3s estamos fazendo agora l\u00e1 nos projetos de rodovia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Houve mudan\u00e7a na forma de classificar os investimentos, por eixos de transporte. Nem sempre \u00e9 um eixo s\u00f3 rodovi\u00e1rio ou s\u00f3 ferrovi\u00e1rio, eles integram diferentes modos de transporte e diferentes infraestruturas. Por que voc\u00eas tomaram a decis\u00e3o e o que que isso vai significar para os investimentos dos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro:<\/strong> Isso \u00e9 uma coisa muito legal e s\u00f3 foi permitido por essa governan\u00e7a em conjunto. Olhar os modais de forma integrada e olhar que, quando eu ponho uma hidrovia ou ferrovia no corredor, meu custo m\u00e9dio log\u00edstico despenca. Como a minha meta \u00e9 reduzir de 15,7% para seis [por cento], o meu custo log\u00edstico, tenho que ter corredores integrados em que eu tenha modais que sejam mais eficientes e mais baratos. Quanto custa eu implementar uma hidrovia? R$ 70 milh\u00f5es, R$ 80 milh\u00f5es? O rio est\u00e1 l\u00e1. Eu tenho que fazer uma dragagem, fazer uma compensa\u00e7\u00e3o ambiental. Se eu for incluir um projeto mais complexo de hidrovia, eu defendo isso, que a gente tenha a compensa\u00e7\u00e3o ambiental, pense nas comunidades, fa\u00e7a as compensa\u00e7\u00f5es, ele vai custar mais caro. Mas mesmo com tudo isso, \u00e9 muito mais barato do que eu fazer uma ferrovia. Tem alguns lugares em que a ferrovia encaixa perfeitamente, porque eu tenho um plat\u00f4 muito plano, vai ter pouca obra de arte e eu vou carregar muito a carga. Em alguns corredores faz muito sentido integrar hidrovia com ferrovia. Por exemplo, o corredor da Ferrogr\u00e3o, ele vai ser quando implementado o menor custo log\u00edstico do Arco Norte. Eu tenho que ter flexibilidade para o embarcador mudar. E a\u00ed eu consigo atrair um investidor institucional.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem teria interesse?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: O Brasil teve um grande ciclo de investimento com poupan\u00e7a, no primeiro momento do fundo de garantia, para fazer as habita\u00e7\u00f5es, e no segundo momento de fundo de pens\u00e3o do pr\u00f3prio Brasil e de fora. Estamos h\u00e1 20 anos sem isso. Quando o mundo inteiro pega a poupan\u00e7a de fundos de pens\u00e3o, coloca em infraestrutura para desenvolver economicamente e [d\u00e1] rentabilidade l\u00e1 em cima. E hoje a gente v\u00ea l\u00e1 as professoras de Ont\u00e1rio [Canad\u00e1] todas ricas, porque aplicaram em infraestrutura em pa\u00eds em desenvolvimento com uma taxa de retorno muito acima da economia delas. Fizeram uma poupan\u00e7a enorme e hoje s\u00e3o grandes investidoras no mundo. O Brasil n\u00e3o pegou esse boom desses investimentos, pouca coisa. Eles investiram mais no desenvolvimento de energia no Brasil. Transporte pegou muito pouco de fundo de pens\u00e3o. \u00c9 isso que a gente precisa mexer. Estamos discutindo com a Abdib [Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Infraestrutura e Ind\u00fastrias de Base], inclusive, e vou levar para a Fazenda uma discuss\u00e3o sobre um est\u00edmulo a investidor institucional a colocar em pap\u00e9is de infraestrutura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pap\u00e9is espec\u00edficos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro:<\/strong> Espec\u00edficos, como deb\u00eanture, deb\u00eantures incentivadas, ou fundos de investimento exclusivo, de fundo para infraestrutura. Por que a gente precisa disso? Porque eu tenho aquele tetinho ali que a gente fez uma conta, n\u00e3o sei se est\u00e1 certo, pode ser que seja menos, para eu cumprir o plano com 40% [de recursos] de governo. Se eu n\u00e3o tiver isso, cada vez mais eu vou precisar [de] privado. E vem da onde esse privado? E eu n\u00e3o tenho 60% do que eu preciso no mercado nacional, de investidor. Eu tenho que captar fora. Para eu captar fora, eu tenho que ter \u00e9 hedge funds de seguradoras, eu tenho que ter fundo de pens\u00e3o internacional e tamb\u00e9m tem que ter fundo de pens\u00e3o brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>V\u00e3o precisar ter novos ou os que t\u00eam precisam ser melhorados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro:<\/strong> Eu acho que a gente precisa de uma regulamenta\u00e7\u00e3o, que eu vou tentar conversar dentro do governo isso. N\u00e3o apresentei isso. Eu fiz uma primeira conversa muito ampla com o Dario [Durigan, ministro da Fazenda]. Talvez alguma agenda em que a gente estimule esses investidores institucionais a comprarem pap\u00e9is dessa \u00e1rea. H\u00e1 uma reclama\u00e7\u00e3o muito grande da Fazenda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 competi\u00e7\u00e3o com os t\u00edtulos do Tesouro. Isso \u00e9 muito importante. Eu acho que o Dario est\u00e1 absolutamente correto. A gente deu muito incentivo tribut\u00e1rio a t\u00edtulos que n\u00e3o representam a economia. Eu tenho t\u00edtulos que t\u00eam seis, sete, oito alavancagens em cima de uma base econ\u00f4mica. Nas de infraestrutura e a de incentivadas nossas, \u00e9 um para um. A gente fiscaliza se aquele papel est\u00e1 coberto com o investimento. Se eu estou financiando infraestrutura que vai melhorar a produtividade da economia, que vai diminuir custo log\u00edstico, eu estou desenvolvendo o Brasil pro futuro e aumentando a arrecada\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o. Faz sentido esse benef\u00edcio. Agora, o benef\u00edcio que s\u00f3 fica no trade, ganhando dinheiro, o mercado financeiro, quem \u00e9 que vai investir na economia real? O que a gente defende \u00e9 terminar esses incentivos dessas \u00e1reas que realmente n\u00e3o refletem a economia, esses incentivos tribut\u00e1rios. Manter os que tem na \u00e1rea de infraestrutura e a gente estimular que investidores institucionais apliquem seus recursos no longo prazo. Um fundo de pens\u00e3o tem um um olhar de 40, 50 anos, \u00e9 quando ele vai precisar dos recursos. Num projeto de infraestrutura, de ferrovia, \u00e9 um payback de 20 anos. De rodovia, dez anos. Por que ele n\u00e3o pode investir nessas \u00e1reas?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00eas v\u00e3o, ao longo do tempo, pegar os dados da realidade, o que estiver acontecendo, as mudan\u00e7as que o pa\u00eds vai ter e que a gente n\u00e3o consegue ter todas elas controladas, para incluir e fazer as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que o objetivo final, que \u00e9 reduzir o custo log\u00edstico, seja alcan\u00e7ado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro:<\/strong> O comit\u00ea de governan\u00e7a \u00e9 permanente, e ele tem v\u00e1rias c\u00e2maras setoriais de discuss\u00e3o e a Infra S.A. consolida os dados. E todo ano a gente vai rodar dados novos e atualizando esse ciclo. S\u00e3o modelos econom\u00e9tricos que a gente fez. E o que vai dar mais trabalho, que \u00e9 mais complexo, s\u00e3o as entrevistas. As pesquisas qualitativas para onde as ind\u00fastrias, para onde a agricultura est\u00e1 caminhando. E isso a gente vai ter que fazer com mais periodicidade. Os PNL eram muito estanques, eu acho que a gente vai ter que ter um ciclo permanente de atualiza\u00e7\u00e3o. Como eu falei, a gente pegou um documento que n\u00e3o \u00e9 para ser mais um documento. \u00c9 para as pessoas olharem fora do Brasil. Porque hoje eu quero me instalar no Brasil. Uma ind\u00fastria n\u00e3o sabe exatamente em dez anos como \u00e9 que vai ser a infraestrutura que vai atend\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea contou a hist\u00f3ria do ministro indiano que esteve aqui.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro:<\/strong> Foi muito triste, para mim que nunca tinha trabalhado no governo federal, foi muito impactante a forma franca e expl\u00edcita [que ele falou]. Ele falou que era para jogar no lixo nosso plano de log\u00edstica, que n\u00e3o servia para nada. Na hora da tradu\u00e7\u00e3o do em ingl\u00eas, eu perguntei: &#8220;\u00c9 isso mesmo que ele falou&#8221;? Aquilo ali para mim foi importante porque eu entendi exatamente a vis\u00e3o de algu\u00e9m de fora que tava com ind\u00fastrias l\u00e1 querendo se instalar no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eles n\u00e3o sabiam onde botar a ind\u00fastria deles, como escoar a carga?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro:<\/strong> Normalmente as decis\u00f5es de investimento no mundo baseiam-se em tr\u00eas quest\u00f5es, principalmente para fazer a conta: \u00e1gua, energia e log\u00edstica. O Brasil adotou um modelo de incentivo tribut\u00e1rio. Eu j\u00e1 fui secret\u00e1rio de Fazenda e eu fiz road shows para apresentar, tanto o Rio de Janeiro como Alagoas, para apresentar a competitividade minha em rela\u00e7\u00e3o a um projeto. Vou dar um exemplo: estava numa viagem na China por Alagoas e uma ind\u00fastria chinesa queria montar uma malteria para atingir o mercado americano. E a\u00ed era uma disputa de custos. Eu fiz a apresenta\u00e7\u00e3o dos custos em Alagoas para o cara. E eu tinha estudado todos os pa\u00edses concorrentes com a gente, M\u00e9xico, tinha o estado de S\u00e3o Paulo, um pa\u00eds africano e, se eu n\u00e3o me engano, a Mal\u00e1sia. Alagoas dava um banho em todo mundo. Mas o chin\u00eas n\u00e3o conseguia compreender a minha conta. Ele entendia a conta de todos os outros pa\u00edses. A minha tributa\u00e7\u00e3o era t\u00e3o complexa, t\u00e3o desorganizada, que eu n\u00e3o conseguia nem provar que eu era melhor que S\u00e3o Paulo. Porque ele n\u00e3o conseguia compreender. Quando o Haddad [ex-ministro da Fazenda] faz a reforma tribut\u00e1ria, a gente ficou igual ao mundo inteiro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E o que o PNL apoia nisso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro<\/strong>: Com o plano de log\u00edstica o cara vai olhar para mim assim: &#8220;P\u00f4, \u00e9 aqui, vai ter rodovia, vai ter ferrovia, o meu produto vai sair daqui at\u00e9 o Porto e vai gastar tanto&#8221;. N\u00e3o adianta o brasileiro dizer que vai custar tanto. Ele tem que se convencer disso e ele s\u00f3 confia no governo. Ele n\u00e3o confia na informa\u00e7\u00e3o privada apenas. Ele quer checar as informa\u00e7\u00f5es. Essa decis\u00e3o de investimento. E muitas vezes o Brasil nem entra no radar de ningu\u00e9m. Porque n\u00e3o tem esse instrumento de log\u00edstica. E eu n\u00e3o tinha o instrumento tribut\u00e1rio. Agora, resolveu a parte tribut\u00e1ria. O Brasil fez mais de 600 acordos comerciais, ampliou a base de com\u00e9rcio, abriu-se para o mercado. Agora eu preciso ter uma log\u00edstica e uma energia compat\u00edvel, que a \u00e1gua eu tenho, n\u00e3o falta no Brasil. Isso \u00e9 um grande fator diferencial. Eu n\u00e3o tenho problema geopol\u00edtico nenhum. Eu n\u00e3o tenho problemas de efeitos clim\u00e1ticos muito adversos. Tem de vez em quando, mas nada como os outros pa\u00edses do mundo t\u00eam. Ent\u00e3o faltava eu ter dois instrumentos: energia, que acho que a gente nos \u00faltimos anos nos leil\u00f5es de linha de transmiss\u00e3o, com a energia limpa, a matriz limpa, que a gente tem, a gente mais do que endere\u00e7ou essa quest\u00e3o. J\u00e1 est\u00e1 contratado, fez agora as reservas de usinas t\u00e9rmicas. O que faltava era um plano log\u00edstico fact\u00edvel que todo mundo consultasse na internet. Eu preciso ter um ambiente friendly para esse investidor vir para o Brasil. Ent\u00e3o, eu acho que a gente precisava desse instrumento. Eu acho que ele ainda precisa melhorar nos pr\u00f3ximos anos, eu acho que vai melhorar, ele vai ser aperfei\u00e7oado, e eu acho que cada vez mais isso vai virar um ativo para o Brasil, n\u00e3o um passivo como \u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como \u00e9 que voc\u00ea v\u00ea o pa\u00eds em 2050 se a gente conseguir seguir com esse plano at\u00e9 l\u00e1 e execut\u00e1-lo da melhor forma?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro:<\/strong> Se a gente conseguir executar esse PNL todo, eu n\u00e3o vou mais brigar por resolver o gargalo log\u00edstico. Eu n\u00e3o vou ter o gargalo. Eu vou ter uma possibilidade de expans\u00e3o da capacidade produtiva do Brasil e com efici\u00eancia. E eu vou estar com um custo log\u00edstico de 6%. Olha a diferen\u00e7a. E isso aumenta o qu\u00ea? A renda dispon\u00edvel da popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a renda m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o brasileira vai quase dobrar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jogar 9% do PIB para distribuir pras pessoas\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>George Santoro:<\/strong> Isso \u00e9 muita coisa. Isso muda a vida de muita gente, que sai desse custo e melhora. E outra coisa importante. A grande discuss\u00e3o do mundo hoje, e talvez seja dessa elei\u00e7\u00e3o, \u00e9 a mobilidade. Os grandes centros est\u00e3o vivendo problemas de mobilidade. Essas discuss\u00f5es de mobilidade e qualidade de vida s\u00e3o as discuss\u00f5es do mundo moderno. As pessoas est\u00e3o buscando mais qualidade de vida. E a log\u00edstica tem tudo a ver com isso, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 log\u00edstica de carga. Quando eu resolvo a log\u00edstica de carga, eu resolvo o transporte das pessoas ao mesmo tempo. E l\u00e1 tamb\u00e9m no PNL tem um cap\u00edtulo s\u00f3 dedicado a transporte de passageiros, a\u00e9reo, de ferrovias, novos modais, a gente est\u00e1 colocando possibilidades de usar as hidrovias tamb\u00e9m para transporte. S\u00e3o mudan\u00e7as muito estruturais para o pa\u00eds, que a gente espera que a gente consiga ter financiamento para isso. O governo n\u00e3o tirou da cartola. A ideia da participa\u00e7\u00e3o social foi muito intensa por causa disso. E \u00e9 um projeto de longu\u00edssimo prazo em que a sociedade se envolveu. Claro que vai ter que melhorar, como eu falei. Mas \u00e9 um processo e uma mudan\u00e7a de cultura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>da Ag\u00eancia iNFRA O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que vai levar ao Minist\u00e9rio da Fazenda uma proposta para estimular que investidores institucionais, como fundos de pens\u00e3o e resseguradoras, a aplicar em pap\u00e9is de infraestrutura. 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