{"id":5006,"date":"2020-06-05T13:00:05","date_gmt":"2020-06-05T16:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agenciainfra.com\/blog\/?p=5006"},"modified":"2020-06-04T17:22:37","modified_gmt":"2020-06-04T20:22:37","slug":"infradebate-covid-19-nota-sobre-a-irrelevancia-da-decisao-do-governo-do-reino-unido-para-concessoes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agenciainfra.com\/blog\/infradebate-covid-19-nota-sobre-a-irrelevancia-da-decisao-do-governo-do-reino-unido-para-concessoes-no-brasil\/","title":{"rendered":"iNFRADebate: Covid-19 n\u00e3o configura  &#8216;evento de for\u00e7a maior&#8217; em PPPs do Reino Unido \u2013 qual a relev\u00e2ncia dessa decis\u00e3o para as discuss\u00f5es no Brasil?"},"content":{"rendered":"<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: right;\"><strong><span class=\"s1\">Marcelo Rangel Lennertz<\/span><\/strong><strong><span class=\"s1\">*<\/span><\/strong><\/h5>\n<p><b><\/b><span class=\"s1\"><b>I. Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><span class=\"s1\"><sup>1<\/sup><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Na <i>Guidance Note<\/i> emitida em 02\/04\/2020 pela <i>Infrastructure and Project Authority<\/i> (\u201c<i>Guidance Note<\/i>\u201d), o Governo do Reino Unido<\/span><span class=\"s1\"><sup>2 <\/sup><\/span><span class=\"s1\">afirma que a pandemia da COVID-19 n\u00e3o configura um \u201cForce Majeure Event\u201d<\/span><span class=\"s1\"><sup>3 <\/sup><\/span><span class=\"s1\">nos contratos de PFI e PF2<\/span><span class=\"s1\"><sup>4 <\/sup><\/span><span class=\"s1\">(que se assemelham \u00e0s parcerias p\u00fablico-privadas &#8211; PPPs brasileiras). Essa afirma\u00e7\u00e3o tem sido citada nos debates sobre os impactos da pandemia nos contratos administrativos no Brasil por aqueles que buscam relativizar ou mesmo evitar a caracteriza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica desse fato como um \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O Reino Unido tem grande experi\u00eancia no envolvimento do setor privado em projetos para investimento em infraestrutura p\u00fablica e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Por isso, as pr\u00e1ticas por l\u00e1 adotadas tendem a repercutir no Brasil e t\u00eam o potencial de influenciar a constru\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s de propostas para o enfrentamento da crise atual causada pela COVID-19.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O objetivo dessa breve nota \u00e9 evitar que a leitura desatenta e descontextualizada da <i>Guidance Note<\/i> do Governo do Reino Unido influencie e impacte indevidamente a vida das concess\u00f5es no Brasil.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Para isso, explico que (<b>item II<\/b>) o conceito de \u201cForce Majeure\u201d nos contratos de PFI e PF2 n\u00e3o \u00e9 equivalente ao conceito de caso \u201cCaso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d no Brasil,<i> <\/i>e que, (<b>item III<\/b>) apesar de a pandemia n\u00e3o ter sido enquadrada juridicamente, para fins dos contratos de PFI e PF2, como um \u201cForce Majeure Event\u201d, a recomenda\u00e7\u00e3o no Reino Unido \u00e9 que o Poder Concedente<\/span><span class=\"s1\"><sup>5 <\/sup><\/span><span class=\"s1\">adote medidas que importam na assun\u00e7\u00e3o de parte relevante dos efeitos da pandemia sobre as Contratadas<\/span><span class=\"s1\"><sup>6<\/sup><\/span><span class=\"s1\">, de modo a assegurar a continuidade dos contratos. Na conclus\u00e3o (<b>item IV<\/b>), demonstro que a (i) n\u00e3o caracteriza\u00e7\u00e3o da pandemia da COVID-19 pelo Reino Unido como um \u201cForce Majeure Event\u201d nos contratos de PFI e PF2 \u00e9 irrelevante para a discuss\u00e3o no Brasil sobre se a pandemia configura um evento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior \u2013 e, consequentemente, sobre se esse evento gera para as concession\u00e1rias o direito ao reequil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro dos contratos de concess\u00e3o \u2013 e que (ii) h\u00e1 li\u00e7\u00f5es mais importantes a serem extra\u00eddas da posi\u00e7\u00e3o do Governo do Reino Unido diante dos impactos da COVID-19 nos contratos p\u00fablicos, que podem servir de inspira\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es para os problemas que v\u00eam sendo enfrentados pelas concession\u00e1rias no Brasil.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Antes de passar \u00e0 an\u00e1lise do tema desta nota, \u00e9 necess\u00e1rio deixar claro para o leitor que atuo como advogado na defesa dos interesses de concession\u00e1rias de diversos setores que est\u00e3o sendo impactadas tanto pela pandemia da COVID-19 quanto pelos atos de autoridades p\u00fablicas no combate da pandemia.<\/span><\/p>\n<p><b><\/b><span class=\"s1\"><b>II. \u201cForce Majeure Events\u201d n\u00e3o correspondem a \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Se analisarmos o disposto nos contratos de PFI e PF2 do Reino Unido<\/span><span class=\"s1\"><sup>7<\/sup><\/span><span class=\"s1\">, fica claro que os denominados \u201cForce Majeure Events\u201d n\u00e3o correspondem aos \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d previstos na legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Trata-se de conceitos distintos, que possuem diferen\u00e7as relevantes ao menos quanto (a) \u00e0s hip\u00f3teses de enquadramento de eventos nesses conceitos e quanto (b) \u00e0 aloca\u00e7\u00e3o de risco a eles subjacente e suas consequ\u00eancias para a defini\u00e7\u00e3o sobre qual parte da rela\u00e7\u00e3o contratual \u2013 e em que medida \u2013 deve suportar quais efeitos gerados pela ocorr\u00eancia de um evento caracterizado juridicamente como um \u201cForce Majeure Event\u201d ou como um \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d:<\/span><\/p>\n<p><b><\/b><span class=\"s1\"><b>a) Hip\u00f3teses de enquadramento de eventos como um \u201cForce Majeure Event\u201d nos contratos de PFI e PF2 e como um \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d nos contratos administrativos no Brasil: <\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">A cl\u00e1usula padr\u00e3o de \u201cForce Majeure Events\u201d dos contratos de PFI e PF2 elenca <b>taxativamente<\/b> quais s\u00e3o os eventos que se enquadram nessa categoria<\/span><span class=\"s1\"><sup>8<\/sup><\/span><span class=\"s1\">. Nesse conjunto de eventos n\u00e3o foram expressamente inclu\u00eddos os casos de pandemia. Por essa raz\u00e3o, a pandemia da COVID-19 n\u00e3o foi considerada um \u201cForce Majeure Event\u201d pelo Governo do Reino Unido. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">No Brasil, a lei n\u00e3o define taxativamente quais os eventos que se caracterizam como \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d. Muito pelo contr\u00e1rio, a defini\u00e7\u00e3o legal \u00e9 aberta<\/span><span class=\"s1\"><sup>9<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> e apenas estabelece como requisitos que o fato que se pretende enquadrar como \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d seja \u201cnecess\u00e1rio\u201d e que seus efeitos n\u00e3o possam ser evitados ou impedidos pelas partes<\/span><span class=\"s1\"><sup>10<\/sup><\/span><span class=\"s1\">. Na pr\u00e1tica, tanto na doutrina<\/span><span class=\"s1\"><sup>11<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> como na jurisprud\u00eancia esses requisitos t\u00eam sido interpretados de modo a se entender que se enquadram na defini\u00e7\u00e3o legal quaisquer eventos cuja ocorr\u00eancia as partes de um contrato n\u00e3o poderiam (i) prever<\/span><span class=\"s1\"><sup>12 <\/sup><\/span><span class=\"s1\">ou (ii) controlar<\/span><span class=\"s1\"><sup>13<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> e que (iii) impe\u00e7am o cumprimento pela parte devedora de suas obriga\u00e7\u00f5es nos termos originalmente previstos no contrato<\/span><span class=\"s1\"><sup>14<\/sup><\/span><span class=\"s1\">. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Nos contratos administrativos brasileiros, tem sido usual a mera remiss\u00e3o \u00e0 defini\u00e7\u00e3o legal de \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d. Quando se formulam cl\u00e1usulas que buscam elencar expressamente hip\u00f3teses que se enquadram nesse conceito, elas t\u00eam car\u00e1ter <b>exemplificativo<\/b><\/span><span class=\"s1\"><sup>15<\/sup><\/span><span class=\"s1\"><b><\/b>, e n\u00e3o taxativo \u2013 ainda que, em rela\u00e7\u00e3o aos contratos de concess\u00e3o comum e de PPP, possa haver alguma discuss\u00e3o quanto \u00e0 viabilidade jur\u00eddica da previs\u00e3o de um rol taxativo de fatos que configurem \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d<\/span><span class=\"s1\"><sup>16<\/sup><\/span><span class=\"s1\">.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Por essa raz\u00e3o, mesmo que as epidemias e pandemias n\u00e3o estejam expressamente previstas como \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d nos contratos administrativos brasileiros \u2013 incluindo os contratos de concess\u00e3o comum e de PPP \u2013 a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica<\/span><span class=\"s1\"><sup>17<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> e o Judici\u00e1rio<\/span><span class=\"s1\"><sup>18<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> n\u00e3o encontrar\u00e3o obst\u00e1culos para reconhecer o seu enquadramento nessa categoria. No caso espec\u00edfico da pandemia da COVID-19, por se tratar de fato sem precedentes no Brasil pelo menos nos \u00faltimos 100 anos<\/span><span class=\"s1\"><sup>19<\/sup><\/span><span class=\"s1\">, incontrol\u00e1vel por qualquer das partes dos contratos administrativos e que tem impactado drasticamente a execu\u00e7\u00e3o desses contratos, a sua caracteriza\u00e7\u00e3o como \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d \u00e9 ainda mais evidente.<\/span><\/p>\n<p><b><\/b><span class=\"s1\"><b>b) Aloca\u00e7\u00e3o do risco de ocorr\u00eancia de \u201cForce Majeure Events\u201d nos contratos de PFI e PF2 e de \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d nos contratos administrativos no Brasil e suas consequ\u00eancias:<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">Nos contratos de PFI e PF2, \u201cForce Majeure Events\u201d s\u00e3o <b>casos espec\u00edficos, com consequ\u00eancias pr\u00f3prias<\/b>, da categoria gen\u00e9rica \u201cSupervening Events\u201d (\u201cEventos Supervenientes\u201d). Quando ocorrem, geram a desonera\u00e7\u00e3o da parte afetada (Contratada e\/ou Poder Concedente) quanto ao cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es e podem levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do contrato (se, no prazo previamente estabelecido, as partes n\u00e3o chegarem a um acordo sobre como lidar com os efeitos de tais eventos sobre o contrato), com o consequente pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 Contratada (que deve, no entanto, se limitar a cobrir os compromissos financeiros assumidos pela Contratada e custos<\/span><span class=\"s1\"><sup>20<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> gerados pela extin\u00e7\u00e3o do contrato<\/span><span class=\"s1\"><sup>21<\/sup><\/span><span class=\"s1\">). Nesse sentido, o risco de ocorr\u00eancia de um \u201cForce Majeure Event\u201d nos contratos de PFI e PF2 \u00e9 compartilhado entre Contratada e Poder Concedente<\/span><span class=\"s1\"><sup>22<\/sup><\/span><span class=\"s1\">, j\u00e1 que nenhuma das partes tem o direito de exigir da outra parte o cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es ou a compensa\u00e7\u00e3o integral pelos preju\u00edzos sofridos em fun\u00e7\u00e3o do \u201cForce Majeure Event\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\"> Tamb\u00e9m s\u00e3o casos espec\u00edficos de \u201cSupervening Events\u201d nesses contratos, com caracter\u00edsticas e consequ\u00eancias espec\u00edficas e distintas dos \u201cForce Majeure Events\u201d, os chamados \u201cCompensation Events\u201d (eventos que s\u00e3o risco do Poder Concedente e que fazem surgir para a Contratada o direito de ser compensada pelos impactos que sofreu \u2013 por exemplo, atrasos em seu cronograma, aumento de custos ou perdas de receita \u2013 al\u00e9m da desonera\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es cujo cumprimento houver sido impactado por esses eventos) e os \u201cRelief Events\u201d (eventos que, embora sejam risco da Contratada, podem autorizar a desonera\u00e7\u00e3o da Contratada pelo Poder Concedente em rela\u00e7\u00e3o ao cumprimento de certas obriga\u00e7\u00f5es e \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de penalidades \u2013 no limite, a prerrogativa do Poder Concedente de terminar o contrato \u2013, mas que n\u00e3o lhe conferem o direito a ser compensada pelos impactos que lhe foram causados e nem levam \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do contrato).<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">J\u00e1 na legisla\u00e7\u00e3o brasileira que rege os contratos administrativos, os \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d s\u00e3o <b>exemplos<\/b> de Eventos Supervenientes \u2013 e n\u00e3o casos espec\u00edficos, como os \u201cForce Majeure Events\u201d dos contratos de PFI e PF2 \u2013, <b>cujo risco \u00e9 alocado \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Contratante \/ Poder Concedente<\/b><\/span><span class=\"s1\"><sup>23<\/sup><\/span><span class=\"s1\"><b><\/b>, e que, simultaneamente, geram para a Contratada (i) o direito a ser compensada por impactos que lhe forem causados por esses eventos (art. 65, II, d, da Lei n\u00ba 8.666\/1993), (ii) a desonera\u00e7\u00e3o quanto a obriga\u00e7\u00f5es que tiveram seu cumprimento dificultado ou impedido por esses eventos (art. 393 do C\u00f3digo Civil, c\/c art. 54 da Lei n\u00ba 8.666\/1993) e (iii) o direito \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do contrato, quando sua execu\u00e7\u00e3o ficar impedida em raz\u00e3o da ocorr\u00eancia desses eventos (art. 78, XVII, da Lei n\u00ba 8.666\/1993). Ou seja, pode-se dizer que, no Brasil, <b>os \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d (e todos os demais exemplos de \u201cEventos Supervenientes\u201d previstos no art. 65, II, d, da Lei n\u00ba 8.666\/1993) contemplam, simultaneamente, as consequ\u00eancias de todas as tr\u00eas esp\u00e9cies de \u201cSupervening Events\u201d (i.e., \u201cCompensation Events\u201d, \u201cRelief Events\u201d e \u201cForce Majeure Events\u201d) dos contratos de PFI e PF2 do Reino Unido<\/b>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Portanto, <b>carece de sentido a tentativa de se buscar na <i>Guidance Note<\/i> do Governo do Reino Unido fundamentos para relativizar ou mesmo evitar a caracteriza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da pandemia da COVID-19 nos contratos administrativos no Brasil como um \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d<\/b>.<\/span><\/p>\n<p><b><\/b><span class=\"s1\"><b>III. Quais os efeitos pr\u00e1ticos do n\u00e3o enquadramento da pandemia como um \u201cForce Majeure Event\u201d nos contratos de PFI e PF2?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A afirma\u00e7\u00e3o contida na <i>Guidance Note<\/i> do Governo do Reino Unido de que a pandemia da COVID-19 n\u00e3o configura um \u201cForce Majeure Event\u201d nos contratos de PFI e PF2 significa, simplesmente, que <b>pandemias n\u00e3o constam do rol (taxativo) de hip\u00f3teses previstas nesses contratos para a caracteriza\u00e7\u00e3o de um \u201cForce Majeure Event\u201d<\/b>. <b>O principal efeito pr\u00e1tico dessa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 impedir que as Contratadas possam requerer a extin\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o contratual, com o consequente pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o pelo Poder Concedente<\/b><\/span><span class=\"s1\"><sup>24<\/sup><\/span><span class=\"s1\"><b><\/b>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Isso, no entanto, definitivamente n\u00e3o quer dizer que (i) pandemias n\u00e3o devam ou n\u00e3o possam ser consideradas \u201cForce Majeure Events\u201d em outros contratos \u2013 de outros pa\u00edses<\/span><span class=\"s1\"><sup>25<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> ou do pr\u00f3prio Reino Unido<\/span><span class=\"s1\"><sup>26<\/sup><\/span><span class=\"s1\">\u00a0\u2013; ou que (ii) o conceito de \u201cForce Majeure Events\u201d, a aloca\u00e7\u00e3o de riscos a ele subjacente e suas consequ\u00eancias nos contratos de PFI e PF2 devam ser considerados e utilizados para caracterizar juridicamente a pandemia em outros contratos. <b>Tamb\u00e9m n\u00e3o quer dizer que, mesmo nos contratos de PFI e PF2, (iii) os efeitos da pandemia devam ser suportados exclusivamente pelas Contratadas<\/b> \u2013 como se demonstra a seguir.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A an\u00e1lise da <i>Guidance Note<\/i> \u2013 em conjunto com os demais documentos<\/span><span class=\"s1\"><sup>27<\/sup><\/span><span class=\"s1\">\u00a0a que ela se relaciona \u2013 revela que, mesmo n\u00e3o reconhecendo a pandemia como um \u201cForce Majeure Event\u201d nos contratos de PFI e PF2, o Governo do Reino Unido recomenda que o Poder Concedente nesses contratos esteja preparado para assumir parte relevante dos efeitos causados pela pandemia sobre as Contratadas, nos casos em que isso for necess\u00e1rio para manter a presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os. A premissa da <i>Guidance Note<\/i> \u00e9 que atrav\u00e9s dos contratos de PFI e PF2 s\u00e3o prestados servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais ou atividades de apoio a tais servi\u00e7os, que n\u00e3o podem ser interrompidos durante a pandemia ou que devem estar prontamente dispon\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o quando cessar o per\u00edodo de emerg\u00eancia causado pela COVID-19 no Reino Unido<\/span><span class=\"s1\"><sup>28<\/sup><\/span><span class=\"s1\">.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Assim, sempre que, em fun\u00e7\u00e3o dos impactos da COVID-19 (incluindo impactos como o adoecimento da for\u00e7a de trabalho e custos adicionais com a ado\u00e7\u00e3o de novas medidas de sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho), o Poder Concedente identificar que a Contratada em uma rela\u00e7\u00e3o contratual de PFI ou PF2 n\u00e3o ser\u00e1 capaz de cumprir adequadamente suas obriga\u00e7\u00f5es (em especial, no caso de impossibilidade de atingimento do n\u00edvel de desempenho exigido pelo contrato), recomenda-se na <i>Guidance Note<\/i> que as partes avaliem a utiliza\u00e7\u00e3o de medidas como:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"s1\"><span class=\"s1\"><span class=\"s1\"><span class=\"s1\"><span class=\"s1\">a modera\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es contratuais da Contratada <\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span class=\"s1\"><span class=\"s1\"><span class=\"s1\"><span class=\"s1\">e par\u00e2metros de desempenho<\/span><\/span><\/span><\/span><span class=\"s1\"><sup>29<\/sup><\/span><span class=\"s1\">;<\/span><\/li>\n<li><span class=\"s1\">a suspens\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o de mecanismos de vincula\u00e7\u00e3o do pagamento ao desempenho (evitando, por exemplo, descontos em raz\u00e3o de um desempenho inferior ao exigido no contrato)<\/span><span class=\"s1\"><sup>30<\/sup><\/span><span class=\"s1\">; e<\/span><\/li>\n<li><span class=\"s1\">a manuten\u00e7\u00e3o do pagamento realizado \u00e0 Contratada<\/span><span class=\"s1\"><sup>31<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> (sugere-se a utiliza\u00e7\u00e3o, como base, da m\u00e9dia dos tr\u00eas meses anteriores \u00e0 pandemia)<\/span><span class=\"s1\"><sup>32<\/sup><\/span><span class=\"s1\">, ainda que o servi\u00e7o, por for\u00e7a da pandemia, esteja sendo prestado em n\u00edvel inferior ao previsto no contrato<\/span><span class=\"s1\"><sup>33<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> e independentemente da possibilidade de se realizar um \u201cacerto de contas\u201d quanto a esses valores no futuro<\/span><span class=\"s1\"><sup>34<\/sup><\/span><span class=\"s1\">.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Tamb\u00e9m s\u00e3o expressamente admitidas medidas excepcionais, como a \u201cacelera\u00e7\u00e3o\u201d do pagamento<\/span><span class=\"s1\"><sup>35<\/sup><\/span><span class=\"s1\">\u00a0pelo Poder Concedente das faturas devidas \u00e0s Contratadas \u2013 ainda que elas estejam dentro do prazo previsto de 30 dias para o pagamento e que delas constem erros ou irregularidades menores, que poder\u00e3o ser posteriormente corrigidos \u2013, e at\u00e9 mesmo a possibilidade de antecipa\u00e7\u00e3o de pagamentos \u00e0s Contratadas, na import\u00e2ncia de at\u00e9 25% do valor do contrato, em circunst\u00e2ncias que, no entendimento do <i>Accounting Officer<\/i>, sejam justific\u00e1veis em uma an\u00e1lise de custo-benef\u00edcio<\/span><span class=\"s1\"><sup>36<\/sup><\/span><span class=\"s1\">.<i> <\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Com o objetivo de proporcionar seguran\u00e7a jur\u00eddica aos agentes p\u00fablicos e \u00e0s Contratadas, foram publicados um caderno de perguntas e respostas<\/span><span class=\"s1\"><sup>37<\/sup><\/span><span class=\"s1\"> sobre a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica p\u00fablica desenhada pelo Governo brit\u00e2nico e uma minuta padronizada<\/span><span class=\"s1\"><sup>38<\/sup><\/span><span class=\"s1\">\u00a0dos \u201ctermos provis\u00f3rios de pagamento\u201d, a ser considerada e adaptada pelas partes em cada contrato para viabilizar a ado\u00e7\u00e3o de uma ou mais das medidas acima mencionadas \u2013 embora a recomenda\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para os contratos de PFI e PF2 na <i>Guidance Note<\/i> seja de priorizar a utiliza\u00e7\u00e3o de mecanismos j\u00e1 previstos contratualmente para viabilizar a ado\u00e7\u00e3o dessas medidas. Os documentos refor\u00e7am que cada autoridade p\u00fablica contratante tem autonomia para decidir quais s\u00e3o as Contratadas que est\u00e3o sendo afetadas pela pandemia e quais as medidas de apoio que podem ser adotadas visando \u00e0 continuidade dos servi\u00e7os, a preserva\u00e7\u00e3o das infraestruturas, cadeias produtivas e empregos. A decis\u00e3o deve considerar as caracter\u00edsticas de cada caso, mas, tendo em vista a urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se exige da autoridade p\u00fablica contratante que proceda a uma avalia\u00e7\u00e3o detalhada dos impactos sofridos pela Contratada ou da viabilidade econ\u00f4mico-financeira das medidas propostas para enfrent\u00e1-los<\/span><span class=\"s1\"><sup>39<\/sup><\/span><span class=\"s1\">.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Em contrapartida, o Governo do Reino Unido espera que as Contratadas dos contratos de PFI e PF2 se considerem parte da resposta do setor p\u00fablico \u00e0 crise provocada pela COVID-19<\/span><span class=\"s1\"><sup>40<\/sup><\/span><span class=\"s1\">. Nesse sentido, refor\u00e7a que elas devem:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span class=\"s1\">assegurar que seus planos de conting\u00eancia estejam atualizados e tenham sido discutidos e revisados pelos respectivos Poderes Concedentes;<\/span><\/li>\n<li><span class=\"s1\">colocar esses planos de conting\u00eancia em pr\u00e1tica imediatamente, realizando seus melhores esfor\u00e7os para, na medida do poss\u00edvel, viabilizar a continuidade dos servi\u00e7os em sua integralidade<\/span><span class=\"s1\"><sup>41<\/sup><\/span><span class=\"s1\">; e<\/span><\/li>\n<li><span class=\"s1\">agir com total transpar\u00eancia e lealdade: \u00e9 requisito para poder contar com as medidas de apoio disponibilizadas pelo Governo brit\u00e2nico que as Contratadas concordem em atuar de forma transparente, disponibilizando informa\u00e7\u00f5es sobre seus custos para o Poder Concedente durante esse per\u00edodo e discriminando aqueles que decorrem especificamente dos impactos da pandemia sobre o contrato. Adicionalmente, devem assumir o compromisso de manter o pagamento de seus empregados e subcontratados.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Al\u00e9m disso, orienta-se que o Poder Concedente (i) jamais permita que os par\u00e2metros de desempenho a serem cumpridos pelas Contratadas sejam reduzidos a um n\u00edvel que coloque em risco a seguran\u00e7a na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, (ii) avalie cuidadosamente os pedidos de ajuda de Contratadas que, antes da pandemia, j\u00e1 tinham desempenho inferior ao exigido pelo contrato e (iii), caso constate que a Contratada violou os compromissos de transpar\u00eancia e lealdade e buscou obter vantagem indevida por meio das medidas de apoio que lhe foram disponibilizadas, instaure procedimento para reaver valores e penalizar a Contratada.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Ou seja, de todo o exposto, <b>percebe-se que, tamb\u00e9m da perspectiva de seus efeitos pr\u00e1ticos sobre a resposta do Governo do Reino Unido, n\u00e3o faz sentido citar o n\u00e3o reconhecimento da pandemia como um \u201cForce Majeure Event\u201d como argumento para sustentar que os Poderes Concedentes no Brasil n\u00e3o devam suportar os impactos desse evento sobre as concess\u00f5es.<\/b> A an\u00e1lise da <i>Guidance Note<\/i> e demais documentos que integram a resposta do Governo brit\u00e2nico aos efeitos da pandemia da COVID-19 sobre os contratos p\u00fablicos revela (i) a ado\u00e7\u00e3o de uma postura pragm\u00e1tica, com foco no enfrentamento dos problemas de forma cooperativa com o setor privado, com o objetivo de viabilizar, da melhor maneira poss\u00edvel, a continuidade da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais \u2013 ainda que isso signifique que, em casos espec\u00edficos, o poder p\u00fablico deva assumir integralmente os impactos financeiros da pandemia, (ii) uma invej\u00e1vel capacidade de coordena\u00e7\u00e3o para produzir, com rapidez, orienta\u00e7\u00f5es claras e padronizadas para os agentes p\u00fablicos e para as Contratadas e (iii) a preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a jur\u00eddica necess\u00e1ria para que as partes sintam-se confort\u00e1veis para construir solu\u00e7\u00f5es no ambiente de incerteza criado pela crise da COVID-19.<i> <\/i><\/span><\/p>\n<p><span class=\"s1\"><b>IV. Conclus\u00e3o: a (ir)relev\u00e2ncia da decis\u00e3o do Governo do Reinou Unido para o enfrentamento dos impactos da COVID-19 sobre as concess\u00f5es e PPPs no Brasil<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Em resumo, portanto, a decis\u00e3o do Governo do Reino Unido em sua <i>Guidance Note<\/i> de n\u00e3o considerar a pandemia da COVID-19 um \u201cForce Majeure Event\u201d nos contratos de PFI e PF2 \u00e9 irrelevante para a discuss\u00e3o sobre o enquadramento no Brasil desse fato como um \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d. As diferen\u00e7as entre esses conceitos (i.e., diferen\u00e7as quanto \u00e0s hip\u00f3teses de enquadramento, \u00e0 aloca\u00e7\u00e3o de risco e \u00e0s consequ\u00eancias) tornam, nesse caso, completamente sem sentido a compara\u00e7\u00e3o entre as realidades brit\u00e2nica e brasileira.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Se h\u00e1 li\u00e7\u00f5es relevantes a serem extra\u00eddas da posi\u00e7\u00e3o do Governo do Reino Unido no enfrentamento dos impactos da COVID-19 para a constru\u00e7\u00e3o de propostas aplic\u00e1veis \u00e0s concess\u00f5es e PPPs no Brasil, essas li\u00e7\u00f5es dizem respeito (i) \u00e0 postura pragm\u00e1tica e cooperativa com as Contratadas, (ii) \u00e0 capacidade de coordena\u00e7\u00e3o e rapidez na formula\u00e7\u00e3o de uma resposta aos impactos da pandemia sobre os contratos p\u00fablicos e (iii) \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a jur\u00eddica em um ambiente de incerteza que, por vezes, requer solu\u00e7\u00f5es inovadoras e arrojadas<\/span>.<\/p>\n<h6 class=\"p1\"><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>*Marcelo Rangel Lennertz \u00e9 advogado especialista na estrutura\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o de concess\u00f5es e PPPs, s\u00f3cio de Portugal Ribeiro Advogados, Master of Laws (LL.M.) pela Yale Law School e mestre em Direito pela PUC-Rio<\/b><\/span><span class=\"s1\"><b>.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1 Agrade\u00e7o a Maur\u00edcio Portugal Ribeiro e a Paulo Vitor Da Matta pela revis\u00e3o das primeiras vers\u00f5es desse texto. Maur\u00edcio foi quem chamou a aten\u00e7\u00e3o para a relev\u00e2ncia, no atual momento, de textos que procurem esclarecer e contextualizar as respostas que v\u00eam sendo adotadas por governos de diferentes pa\u00edses no enfrentamento dos efeitos da pandemia da COVID-19 sobre os contratos de concess\u00e3o, a fim de evitar que refer\u00eancias a essas experi\u00eancias sejam utilizadas indevidamente no debate brasileiro.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>2 Atrav\u00e9s da Infrastructure and Project Authority, foi publicada, em 02\/04\/2020, a <em>Guidance Note<\/em> denominada \u201cPrivate Finance Initiative and PF2 Projects &#8211; Supporting vital service provision in PFI \/PF2 (and related) contracts during the COVID-19 emergency\u201d. Essa Guidance Note complementa orienta\u00e7\u00f5es do Cabinet Office do Governo do Reino Unido, emitidas por meio dos seguintes documentos: \u201cProcurement Policy Note 02\/20 &#8211; Supplier relief due to COVID-19\u201d; \u201cGuidance Notes on Model Interim Payment Terms &#8211; Procurement Policy Note 02\/20\u201d e \u201cFrequently Asked Questions (FAQs) &#8211; Procurement Policy Note 02\/20\u201d. Todos esses documentos podem ser encontrados em: <a href=\"https:\/\/www.gov.uk\/government\/publications\/procurement-policy-note-0220-supplier-relief-due-to-covid-19#history\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.gov.uk\/government\/publications\/procurement-policy-note-0220-supplier-relief-due-to-covid-19#history<\/a> (acesso em 26\/05\/2020).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>3 Nos termos do item 3 da <em>Guidance Note<\/em> de 02\/04\/2020: \u201c<em>3. <span style=\"text-decoration: underline;\">As a matter of contract, Government does not regard COVID-19 as an event of force majeure<\/span> and therefore expects that best efforts are made by all parties for the continuation of service provision under PFI contracts at this critical time for the country<\/em>\u201d (grifou-se).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>4 As express\u00f5es \u201cPrivate Finance Initiative \u2013 PFI\u201d e \u201cPrivate Financing 2 &#8211; PF2\u201d correspondem a duas \u201cgera\u00e7\u00f5es\u201d de arranjos contratuais de longo prazo para o envolvimento do setor privado em projetos para investimento em infraestrutura e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais no Reino Unido. Nesses arranjos, semelhantes \u00e0s concess\u00f5es administrativas no Brasil, o Poder Concedente transfere \u00e0 Contratada o planejamento, financiamento, constru\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura e lhe paga um valor mensal \u2013 normalmente denominado \u201cUnitary Charge\u201d \u2013, que corresponde \u00e0 sua remunera\u00e7\u00e3o por essas atividades. Esse valor mensal varia em fun\u00e7\u00e3o do desempenho da Contratada. Esses tipos de contratos j\u00e1 foram utilizados em diferentes setores, incluindo hospitais, escolas, pres\u00eddios, rodovias e gest\u00e3o de res\u00edduos. De acordo com relat\u00f3rio publicado pela Infrastructure and Projects Authority do Governo do Reino Unido, em 31\/03\/2018 havia 704 projetos de PFI ou PF2 em atividade no Reino Unido (Cf. \u201cPrivate Finance Initiative and Private Finance 2 projects: 2018 summary data\u201d. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/assets.publishing.service.gov.uk\/government\/uploads\/system\/uploads\/attachment_data\/file\/805117\/PFI_and_PF2_FINAL_PDF1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/assets.publishing.service.gov.uk\/government\/uploads\/system\/uploads\/attachment_data\/file\/805117\/PFI_and_PF2_FINAL_PDF1.pdf<\/a>. Acesso em 26\/05\/2020).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>5 Tradu\u00e7\u00e3o livre do original \u201ccontracting authorities\u201d.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>6 Tradu\u00e7\u00e3o livre do original \u201cPFI contractors\u201d.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>7 Cf. Chapter 5 do Standardisation of PFI Contracts &#8211; SoPC e Chapter 15 do Standardisation of PF2 Contracts (ambos os documentos est\u00e3o dispon\u00edveis em: <a href=\"https:\/\/ppp.worldbank.org\/public-private-partnership\/library\/united-kingdom-treasury-standardisation-pf2-contracts-sopc-december-2012\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/ppp.worldbank.org\/public-private-partnership\/library\/united-kingdom-treasury-standardisation-pf2-contracts-sopc-december-2012<\/a> \u2013 acesso em 25\/05\/2020).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>8 Itens 5.4.1.2 do Standardisation of PFI Contracts &#8211; SoPC e 15.4.1.2 do Standardisation of PF2 Contracts: \u201c<em>\u2018Force Majeure Event\u2019 means the occurrence after the date of Contract of: (a) war, civil war, armed conflict or terrorism; or (b) nuclear, chemical or biological contamination unless the source or the cause of the contamination is the result of the actions of or breach by the Contractor or its subcontractors; or (c) pressure waves caused by devices travelling at supersonic speeds, which directly causes either party (the \u2018Affected Party\u2019) to be unable to comply with all or a material part of its obligations under this Contract<\/em>\u201d.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>9 Como explica Maur\u00edcio Portugal Ribeiro sobre essa abertura da defini\u00e7\u00e3o legal dos conceitos de caso fortuito e for\u00e7a maior: \u201cAs cl\u00e1usulas de for\u00e7a maior e caso fortuito s\u00e3o abertas, largas, exatamente porque devem funcionar como \u2018v\u00e1lculas de escape\u2019, uma abertura no sistema jur\u00eddico para o indeterminado, de maneira que elas me parecem perfeitamente adequadas para lidar com a pandemia\u201d (Cf. RIBEIRO, Maur\u00edcio Portugal. <em>Notas sobre equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro de contratos administrativos em tempo de pandemia<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.agenciainfra.com\/blog\/notas-sobre-equilibrio-economico-financeiro-de-contratos-administrativos-em-tempos-de-pandemia\/?utm_source=Newsletter+Portugal+Ribeiro+Advogados&amp;utm_campaign=13c6698b46-Agenda+portugal+ribeiro+de+infraestrutura+2018_COP&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_264781a9dd-13c6698b46-92486013\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.agenciainfra.com\/blog\/notas-sobre-equilibrio-economico-financeiro-de-contratos-administrativos-em-tempos-de-pandemia\/?utm_source=Newsletter+Portugal+Ribeiro+Advogados&amp;utm_campaign=13c6698b46-Agenda+portugal+ribeiro+de+infraestrutura+2018_COP&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_264781a9dd-13c6698b46-92486013<\/a>, acesso em 26\/05\/2020).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>10 Cf. Art. 393, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil: \u201c<em>Art. 393. (&#8230;) Par\u00e1grafo \u00fanico. O caso fortuito ou de for\u00e7a maior verifica-se no fato necess\u00e1rio, cujos efeitos n\u00e3o era poss\u00edvel evitar ou impedir<\/em>\u201d.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>11 Ver, por exemplo: CARVALHO FILHO, Jos\u00e9 dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 24\u00aa ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011, pp. 196-197; e JUSTEN FILHO, Mar\u00e7al. Coment\u00e1rios \u00e0 Lei de Licita\u00e7\u00f5es e Contratos Administrativos.14\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Dial\u00e9tica, 2010, pp. 778-779.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>12 Cf. REsp 710078-SP: \u201c<em>7. A imprevisibilidade importante aos contratos administrativos diz n\u00e3o apenas com a ocorr\u00eancia de certo fato, mas tamb\u00e9m com os efeitos de certo fato (casos em que a ocorr\u00eancia era previs\u00edvel, mas a amplitude das conseq\u00fc\u00eancias n\u00e3o)<\/em>\u201d (STJ, REsp 710078-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 12\/04\/2010).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>13 O \u201ccontrole\u201d deve ser avaliado tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade das partes de impedir a ocorr\u00eancia do evento ou de seus efeitos quanto em rela\u00e7\u00e3o a se houve a contribui\u00e7\u00e3o de alguma das partes para a ocorr\u00eancia do evento ou para que seus efeitos impedissem o adimplemento de obriga\u00e7\u00f5es contratuais (por exemplo, no caso de culpa concorrente do devedor). Nesse sentido, entendeu o STJ no REsp 264589-RJ que a inevitabilidade \u00e9 tra\u00e7o fundamental para a caracteriza\u00e7\u00e3o do evento de caso fortuito ou for\u00e7a maior: \u201c<em>Caso fortuito \u00e9 \u2018o acidente produzido por for\u00e7a f\u00edsica ininteligente, em condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podiam ser previstas pelas partes\u2019, enquanto a for\u00e7a maior \u00e9 \u2018o fato de terceiro, que criou, para a inexecu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o, um obst\u00e1culo, que a boa vontade do devedor n\u00e3o pode vencer\u2019, com a observa\u00e7\u00e3o de que o tra\u00e7o que os caracteriza n\u00e3o \u00e9 a imprevisibilidade, mas a inevitabilidade<\/em>\u201d (STJ, REsp 264589-RJ, Rel. Min. S\u00e1lvio de Figueiredo Teixeira, Quarta Turma, DJ 18\/12\/2000).\u00a0<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>14 Nesse sentido, entendeu o Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, em decis\u00e3o no REsp 1.597.419-PR: \u201c<em>A impontualidade, para que se exclua a responsabilidade da construtora, deve decorrer de eventos imprevis\u00edveis e inevit\u00e1veis, cujos efeitos tenham impossibilitado de forma absoluta a entrega da obra<\/em>\u201d (STJ, REsp 1.597.419-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Data de Publica\u00e7\u00e3o 19\/05\/2020).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>15 Apenas como curiosidade, vale mencionar que, no Contrato de Concess\u00e3o rodovi\u00e1ria n\u00ba 0409\/ARTESP\/2020 do Estado de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 cl\u00e1usula (Cl\u00e1usual 48.1.1) muito semelhante \u00e0 cl\u00e1usula de defini\u00e7\u00e3o de \u201cForce Majeure Event\u201d do Standardisation of PFI Contracts &#8211; SoPC e do Standardisation of PF2 Contracts (transcrita na nota de rodap\u00e9 n\u00ba 5 acima), mas com a ressalva expressa de que o elenco de hip\u00f3teses tem natureza meramente exemplificativa. Interessante observar que, neste caso, al\u00e9m de ter reconhecido se tratar, genericamente, de caso fortuito ou for\u00e7a maior (ver a parte final da nota de rodap\u00e9 n\u00ba 17 abaixo), a ARTESP entendeu (de forma distinta do Governo do Reino Unido) que a pandemia tamb\u00e9m se enquadraria na hip\u00f3tese espec\u00edfica de \u201ccontamina\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica\u201d prevista na Cl\u00e1usula 48.1.1 do Contrato de Concess\u00e3o rodovi\u00e1ria n\u00ba 0409\/ARTESP\/2020.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>16 Nos contratos administrativos regidos pela Lei n\u00ba 8.666\/1993, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel criar uma cl\u00e1usula elencando de maneira taxativa as hip\u00f3teses que configuram \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d. Isso porque, caso ocorra um evento que n\u00e3o esteja previsto nessa cl\u00e1usula, mas que atenda os requisitos previstos na defini\u00e7\u00e3o legal, restar\u00e1 configurada hip\u00f3tese de \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d. Em outras palavras, a defini\u00e7\u00e3o expressa nos contratos administrativos das hip\u00f3teses de \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d ser\u00e1 sempre exemplificativa. J\u00e1 nos contratos de concess\u00e3o comum ou de PPP, em fun\u00e7\u00e3o, respectivamente, do disposto nos arts. 10, 23, II e V, da Lei n\u00ba 8.987\/1995 e nos arts. 4\u00ba, VI, e 5\u00ba, III, da Lei n\u00ba 11.079\/2004, pode haver discuss\u00e3o sobre se o disposto nos contratos prevalece em face da defini\u00e7\u00e3o legal prevista na Lei n\u00ba 8.666\/1993. Tendo em vista que (i) os arts. 54 e 65, II, d, da Lei n\u00ba 8.666\/1993 se aplicam subsidiariamente \u00e0s concess\u00f5es comuns (art. 18 da Lei n\u00ba 8.987\/1995) e PPPs (art. 11 da Lei n\u00ba 11.079\/2004), (ii) que o art. 10 da Lei n\u00ba 8.987\/1995 n\u00e3o se refere expressamente aos \u201cEventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d e que o art. 23, V, da mesma lei enfatiza a necessidade de previsibilidade na defini\u00e7\u00e3o de direitos e obriga\u00e7\u00f5es nos contratos e (iii) que os arts. 4\u00ba, VI, e 5\u00ba, III, da Lei n\u00ba 11.079\/2004 exigem que a reparti\u00e7\u00e3o de riscos \u2013 inclusive quanto a esses eventos \u2013 seja objetiva, entendo que (a) os contratos de concess\u00e3o comum ou PPP somente podem afastar a incid\u00eancia da regra da Lei n\u00ba 8.666\/1993 para os casos neles identificados de forma expressa e espec\u00edfica (i.e., a fim de se respeitar a previsibilidade na defini\u00e7\u00e3o de direitos e obriga\u00e7\u00f5es e a objetividade da distribui\u00e7\u00e3o de riscos), raz\u00e3o pela qual (b) seria poss\u00edvel elencar nesses contratos um rol taxativo de hip\u00f3teses que <em>n\u00e3o<\/em> configuram \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d, mas a previs\u00e3o das hip\u00f3teses enquadr\u00e1veis nesse conceito seria sempre exemplificativa e (c) cl\u00e1usulas de aloca\u00e7\u00e3o residual de riscos \u00e0 concession\u00e1ria s\u00e3o ilegais.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>17 Por exemplo, no \u00e2mbito da Uni\u00e3o, por meio do PARECER n. 261\/2020\/CONJUR-MINFRA\/CGU\/AGU, reconheceu-se que \u201c<em>a pandemia do novo coronav\u00edrus configura for\u00e7a maior ou caso fortuito, caracterizando \u00e1lea extraordin\u00e1ria para fins de aplica\u00e7\u00e3o da teoria da imprevis\u00e3o a justificar o reequil\u00edbrio de contratos de concess\u00e3o de infraestrutura de transportes<\/em>\u201d (p. 15, dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/licitacao.paginas.ufsc.br\/files\/2020\/03\/Parecer-AGU-Concess%C3%A3o-Transportes-Recomposi%C3%A7%C3%A3o.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/licitacao.paginas.ufsc.br\/files\/2020\/03\/Parecer-AGU-Concess%C3%A3o-Transportes-Recomposi%C3%A7%C3%A3o.pdf<\/a>. Acesso em 26\/05\/2020). J\u00e1 no Estado de S\u00e3o Paulo, a ARTESP reconheceu expressamente, na Cl\u00e1usula 1.1 do Termo Aditivo e Modificativo n\u00ba 01\/2020 do Contrato de Concess\u00e3o rodovi\u00e1ria n\u00ba 0409\/ARTESP\/2020, que \u201c<em>a pandemia do novo coronav\u00edrus (COVID-19) se configura como caso fortuito e\/ou for\u00e7a maior (&#8230;)<\/em>\u201d.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>18 Vale mencionar que, nos contratos privados, mesmo nos casos de epidemias que n\u00e3o chegaram a ser classificadas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade coo pandemias, o Judici\u00e1rio entendeu se tratar de \u201cEvento de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior\u201d (Cf. TJSP, Apela\u00e7\u00e3o n\u00ba 0017080-71.2010.8.26.0019, Rel. Des. Gomes Varj\u00e3o, 34\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado, DJe 1\/10\/2014: \u201c<em>A circunst\u00e2ncia ensejadora do cancelamento do pacote tur\u00edstico n\u00e3o pode ser atribu\u00edda a qualquer das partes. Com efeito, o agravamento da epidemia de gripe causada pelo v\u00edrus H1N1, nos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, era imprevis\u00edvel, especialmente na data em que o pacote tur\u00edstico foi adquirido.<\/em>\u201d; eTJDFT, Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel no Juizado Especial n\u00ba 572.585, Rel. Juiz Jos\u00e9 Guilherme, 2\u00aa Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal, data de julgamento 06\/03\/2012: \u201c<em>&#8230; comprovado o motivo de for\u00e7a maior para o cancelamento da viagem, qual seja, a ocorr\u00eancia de casos confirmados, nos Estados Unidos, de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus influenza A (H1N1), altamente contagioso, e popularmente conhecido por \u2018gripe su\u00edna<\/em>\u2019\u201d).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>1<\/b><\/span><span class=\"s1\"><b>9 A gripe espanhola, que gerou no mundo todo cerca de 50 milh\u00f5es de v\u00edtimas fatais, atingiu o Brasil em 1918. Ver a respeito: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gripe_espanhola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gripe_espanhola<\/a> (acesso em 25\/05\/2020).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>20 Por exemplo, custos com pagamentos devidos aos empregados da Contratada que ser\u00e3o demitidos e com a rescis\u00e3o de contratos com fornecedores ou empresas subcontratadas.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>21 Itens 21.3.2 do do Standardisation of PFI Contracts &#8211; SoPC e 23.3.2 do Standardisation of PF2 Contracts.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>22 A justificativa para esse compartilhamento \u00e9 disponibilizada no Standardisation of PFI Contracts &#8211; SoPC (item 5.4.1.1) e no Standardisation of PF2 Contracts (item 15.4.1.1): \u201c<em>As neither party is likely to be in a better position than the other to manage either the occurrence or the effects of force majeure, and the events may continue for a long period of time, such events are given a different treatment from Relief Events and the financial consequences shared.<\/em>\u201d<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>23 Embora, em raz\u00e3o do disposto no art. 65, II, d, da Lei n\u00ba 8.666\/1993, o risco de ocorr\u00eancia de Eventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior tenha sido alocado, como regra geral, ao Poder Concedente, \u00e9 certo que, nos regimes estabelecidos pela Lei n\u00ba 8.987\/1995 para as concess\u00f5es comuns e pela Lei n\u00ba 11.079\/2004 para as parcerias p\u00fablico-privadas (PPPs), admite-se que o contrato de concess\u00e3o excepcione a aloca\u00e7\u00e3o legal desse risco ao Poder Concedente, caso se preveja expressamente e de maneira objetiva a sua aloca\u00e7\u00e3o \u00e0 Concession\u00e1ria. Como j\u00e1 mencionado na nota de rodap\u00e9 n\u00ba Erro! Indicador n\u00e3o definido. acima, a utiliza\u00e7\u00e3o da chamada cl\u00e1usula residual de riscos com o intuito de alocar \u00e0 Concession\u00e1ria todos os riscos que n\u00e3o foram expressamente previstos no contrato de concess\u00e3o, al\u00e9m de n\u00e3o integrar o conjunto de boas pr\u00e1ticas na estrutura\u00e7\u00e3o de contratos de concess\u00e3o comum ou PPPs, n\u00e3o cumpre os requisitos das Leis n\u00ba 8.987\/1995 e n\u00ba 11.079\/2004 para excepcionar a aloca\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica do risco de ocorr\u00eancia de Eventos de Caso Fortuito ou For\u00e7a Maior ao Poder Concedente prevista na Lei n\u00ba 8.666\/1993 e, por isso, deve ser considerada ilegal (Cf. RIBEIRO, Maur\u00edcio Portugal. <em>Atribui\u00e7\u00e3o ao contratado da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica de todos os riscos n\u00e3o tratados no contrato \u00e9 nula perante a Lei 8.666\/93<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.direitodoestado.com.br\/colunistas\/mauricio-portugal-ribeiro\/-atribuicao-ao-contratado-da-administracao-publica-de-todos-os-riscos-nao-tratados-no-contrato-e-nula-perante-a-lei-8-666-93\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.direitodoestado.com.br\/colunistas\/mauricio-portugal-ribeiro\/-atribuicao-ao-contratado-da-administracao-publica-de-todos-os-riscos-nao-tratados-no-contrato-e-nula-perante-a-lei-8-666-93<\/a>. Acesso em 25\/05\/2020).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>24 No Standardisation of PFI Contracts \u2013 SoPC (item 21.3.1) e no Standardisation of PF2 Contracts (item 23.3.1), se prev\u00ea a possibilidade de que o Poder Concedente n\u00e3o aceite o requerimento de extin\u00e7\u00e3o do contrato e opte por viabilizar a sua continuidade, ainda que de forma tempor\u00e1ria. Nesse caso, ap\u00f3s o per\u00edodo inicial em que as partes buscar\u00e3o chegar a um acordo, dever\u00e1 o Poder Concedente remunerar a Contratada por um prazo determinado como se o servi\u00e7o estivesse sendo integralmente prestado, at\u00e9 que seja poss\u00edvel reavaliar a situa\u00e7\u00e3o e, eventualmente, as partes entrem em acordo sobre as novas bases para a preserva\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o contratual ou se decida pela extin\u00e7\u00e3o do contrato.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>25 Como alertado pelo Governo do Reino Unido na PPN 02\/20: \u201c<em>(\u2026) It may also be relevant to consider the governing law and jurisdiction clause as contracts subject to foreign law may be interpreted differently by the courts. It may also be an exclusion clause, which is subject to the Unfair Contract Terms Act 1977<\/em>\u201d.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>26 Conforme observado no Standardisation of PFI Contracts &#8211; SoPC (nota de rodap\u00e9 no 45)e no Standardisation of PF2 Contracts (nota de rodap\u00e9 no 39) em rela\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado da cl\u00e1usula padr\u00e3o de \u201cForce Majeure Events\u201d dos contratos de PFI e PF2: \u201c<em>This definition should not be expanded without a very careful consideration of the specific issues on the Project concerned, as the effect can be to dilute or undermine agreed areas of risk transfer. <span style=\"text-decoration: underline;\">It is recognised, however, that there are some obvious sector specific changes that may be needed<\/span> (for example, certain MOD projects might exclude some of paragraph (a) if it is intended to operate during times of war). The definition may also be narrowed to cope with the fact that paragraph (b) may be inapplicable to environmental projects or projects involving chemical treatment which may be designed to deal with a certain degree of chemical contamination. The NHS has specific provisions dealing with chemical and biological contamination<\/em>\u201d (grifou-se). Al\u00e9m disso, a an\u00e1lise da PPN 02\/20 n\u00e3o deixa d\u00favidas de que, no \u00e2mbito do outros contratos p\u00fablicos do Reino Unido, a pandemia pode vir a ser caracterizada como um evento de \u201cforce majeure\u201d: \u201c<em>If a supplier seeks to invoque a clause relating to a form of contractual relief that would allow them to suspend performance, <span style=\"text-decoration: underline;\">such as force majeure<\/span>, contracting authorities should first work with the supplier to amend or vary contracts instead. These variations could include changes to contract requirements, delivery locations, frequency and timing of delivery, targets and performance indicators etc. Changes to the original terms should be limited to the specific circumstances of the situation, and considered on a case by case basis<\/em>\u201d (grifou-se).<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>27 Cf. nota de rodap\u00e9 n\u00ba 2 acima.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>28 Item 2 da <em>Guidance Note<\/em>.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>29 Item 4 da <em>Guidance Note<\/em>.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>30 Idem.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>31 Idem.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>32 Cf. Item 4 da <em>Guidance Note<\/em> e \u201cQ20\u201d do Frequently Asked Questions (FAQs) &#8211; Procurement Policy Note 02\/20<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>33 Cf. \u201cQ5\u201d do Frequently Asked Questions (FAQs) &#8211; Procurement Policy Note 02\/20.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>34 Cf. <em>Introduction<\/em> da PPN 02\/20.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>35 Cf. <em>Accelerating Payment of Invoices<\/em> da PPN 02\/20.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>36 Cf. Conforme se explica no Item 8 da PPN 02\/20, em circunst\u00e2ncias normais a antecipa\u00e7\u00e3o de pagamentos sem a anu\u00eancia do Tesouro seria vedada pela legisla\u00e7\u00e3o do Reino Unido.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>37 Cf. Frequently Asked Questions (FAQs) &#8211; Procurement Policy Note 02\/20.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>38 Cf. \u201c<em>Guidance Notes<\/em> on Model Interim Payment Terms &#8211; Procurement Policy Note 02\/20\u201d.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>39 Cf. \u201cQ17\u201d do Frequently Asked Questions (FAQs) &#8211; Procurement Policy Note 02\/20.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>40 Cf. Item 2 da <em>Guidance Not<\/em>e.<\/b><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>41 Cf. Itens 3 e 4 da <em>Guidance Note<\/em>.<\/b><\/span><\/h6>\n<h5>O iNFRADebate \u00e9 o espa\u00e7o de artigos da Ag\u00eancia iNFRA com opini\u00f5es de seus atores que n\u00e3o refletem necessariamente o pensamento da Ag\u00eancia iNFRA, sendo de total responsabilidade do autor as informa\u00e7\u00f5es, ju\u00edzos de valor e conceitos descritos no texto.<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Rangel Lennertz* I. Introdu\u00e7\u00e3o1 Na Guidance Note emitida em 02\/04\/2020 pela Infrastructure and Project Authority (\u201cGuidance Note\u201d), o Governo do Reino Unido2 afirma que a pandemia da COVID-19 n\u00e3o configura um \u201cForce Majeure Event\u201d3 nos contratos de PFI e PF24 (que se assemelham \u00e0s parcerias p\u00fablico-privadas &#8211; PPPs brasileiras). 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