Opinião
29/10/2025 | 15h50

O legado do transporte sustentável

Foto: Divulgação

Cloves Eduardo Benevides*

A sustentabilidade transformou-se no eixo central da política pública de transportes no Brasil. Mais do que um princípio, ela se consolidou como a própria lógica de gestão do Ministério dos Transportes, articulando inovação, governança, inclusão social e responsabilidade climática como elementos estruturantes do desenvolvimento nacional.

O país chega à COP30, em Belém, com um legado concreto de avanços institucionais. O Ministério dos Transportes lidera uma agenda que traduz a transição de uma infraestrutura centrada na expansão física para um modelo de investimento baseado em evidências, eficiência e resiliência climática. A sustentabilidade, antes vista como requisito adicional, tornou-se instrumento de decisão e prioridade de investimento.

Essa transformação resulta de um processo contínuo de planejamento e cooperação. Por meio das Diretrizes Interministeriais de Sustentabilidade, do PIT (Plano Integrado de Transportes) e do PNL 2050 (Plano Nacional de Logística 2050), o ministério incorporou indicadores de risco climático, eficiência energética e impacto social à governança dos investimentos públicos. Esses instrumentos unem ciência, dados e responsabilidade, garantindo que cada obra seja também uma resposta às metas de mitigação e adaptação à mudança do clima.

Na dimensão ambiental, o Programa PRO-AdaptaVias marca um salto histórico. Lançado em 2025, o programa integra diagnósticos técnicos de vulnerabilidade com soluções concretas de adaptação da infraestrutura rodoviária e ferroviária aos eventos climáticos extremos. Paralelamente, a Taxonomia Sustentável Brasileira, coordenada pelo Ministério da Fazenda, consolida a base para direcionar investimentos verdes ao transporte resiliente e de baixo carbono.

A dimensão social também foi fortalecida. A criação da Aspad (Assessoria de Participação Social e Diversidade) institucionalizou o diálogo com comunidades impactadas e assegurou que a diversidade e os direitos humanos fossem tratados como parte da sustentabilidade. O sistema Midas (Monitoramento Integrado de Dados Socioambientais) tornou-se referência na gestão de licenciamento ambiental, ampliando a transparência e o controle social sobre as obras públicas.

Na governança, o ministério estabeleceu um modelo robusto de gestão estratégica. Medidas regulatórias criaram mecanismos de integridade e critérios ESG em concessões e licitações, estimulando investimentos sustentáveis nas rodovias federais. O resultado é um setor público mais transparente, inovador e preparado para liderar o planejamento de longo prazo da infraestrutura nacional.

A COP30, sediada na Amazônia, oferece ao Brasil a oportunidade de apresentar esse legado ao mundo. Em parceria com a CNT (Confederação Nacional do Transporte), o ministério coordena a Estação do Desenvolvimento – Transporte, Infraestrutura e Sustentabilidade, um espaço de convergência entre governo, setor produtivo e sociedade civil para debater soluções, firmar compromissos e fortalecer a transição ecológica.

A Estação do Desenvolvimento refletirá o novo papel do transporte: ser protagonista na descarbonização da economia e no financiamento verde. Com painéis técnicos, experiências culturais e imersões amazônicas, o espaço vai conectar inovação tecnológica, diversidade cultural e responsabilidade socioambiental, consolidando um legado para além da COP30.

O Acordo de Cooperação Técnica MT–CNT, que estrutura a parceria, também prevê o Inventário Nacional de Emissões de GEE do Transporte Rodoviário e Ferroviário – ferramenta essencial para orientar políticas públicas e estratégias de descarbonização baseadas em dados reais. Trata-se do primeiro inventário nacional que abrangerá integralmente os modos terrestres de transporte de carga e passageiros.

Ao integrar políticas climáticas, dados ambientais e inovação logística, o Ministério dos Transportes reafirma sua contribuição direta às metas brasileiras do Acordo de Paris e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. O setor passa a atuar com visão sistêmica: reduzir emissões, proteger pessoas e garantir competitividade.

Esse novo paradigma é fruto de alianças institucionais com o BID, GIZ, CDRI, ITF/OCDE e SLOCAT, que apoiam o desenvolvimento de instrumentos técnicos e financeiros de infraestrutura sustentável. Essa rede de cooperação internacional consolida o Brasil como referência em planejamento logístico e governança climática.

Mais do que resultados, esse legado traduz um reposicionamento. O Ministério dos Transportes deixa de reagir às demandas ambientais e passa a antecipar soluções, transformando sustentabilidade em estratégia de Estado. O futuro da infraestrutura de transportes brasileira é um futuro de baixo carbono, inovação e justiça social.

Na COP30, esse compromisso será visível e compartilhado. A infraestrutura de transportes não será apenas palco de debates – será vitrine de resultados e símbolo da capacidade do Brasil de liderar com integridade, conhecimento e esperança.

*Cloves Eduardo Benevides é subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes.

Tags:

Solicite sua demonstração do produto Boletins e Alertas

Solicite sua demonstração do produto Fornecimento de Conteúdo

Solicite sua demonstração do produto Publicidade e Branded Content

Solicite sua demonstração do produto Realização e Cobertura de Eventos

Inscreva-se no Boletim Semanal Gratuito

e receba as informações mais importantes sobre infraestrutura no Brasil

Cancele a qualquer momento!