03/11/2026 | 14h34  •  Atualização: 04/11/2026 | 10h48

Capacidade nacional de refino deve crescer 10% até 2036

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA

A capacidade nacional de refino deve crescer 10% até 2036 e atingir 2,5 milhões de bpd (barris por dia). A previsão do MME (Ministério de Minas e Energia) e da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) está no Caderno de Refino e Infraestrutura de Abastecimento do PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) 2036, divulgado nesta terça-feira (3).

A expansão será impulsionada pelos investimentos previstos no setor, incluindo o segundo trem da Rnest (Refinaria Abreu e Lima, localizada em Pernambuco), a integração operacional do Complexo Boaventura, situado no Rio de Janeiro, assim como ampliações e modernizações de unidades existentes.

A produção nacional de petróleo deverá alcançar aproximadamente 4,9 milhões de barris por dia em 2036, sendo que mais da metade desse volume deverá ser exportada, segundo o estudo.

No mercado internacional, o documento projeta moderação dos preços do petróleo Brent, condicionada à normalização da oferta. Restrições físico-logísticas e baixos investimentos podem pressionar as cotações para cima, enquanto uma eventual sobreoferta e a aceleração da substituição tecnológica podem contribuir para sua redução.

Diesel
Apesar da expansão da capacidade de refino, o Brasil deverá manter a condição de importador líquido de derivados de petróleo durante todo o horizonte decenal. As importações líquidas totais deverão atingir cerca de 37 mil m³/dia em 2036.

A demanda nacional de óleo diesel A deverá crescer 19% entre 2026 e 2036, enquanto a produção doméstica aumentará 13%. Com isso, o país continuará dependente de importações para complementar a oferta nacional. As importações líquidas de óleo diesel deverão alcançar cerca de 51 mil m³/dia em 2036, ante aproximadamente 36,6 mil m³/dia em 2026.

Outros derivados
As projeções indicam mudanças relevantes nos balanços de oferta e demanda de diferentes produtos. O país poderá alcançar a autossuficiência em gasolina no médio prazo, em um contexto de demanda estagnada, influenciado pelo aumento do teor obrigatório de etanol anidro na mistura, pela evolução da oferta de etanol hidratado e pela expansão da eletrificação dos veículos leves.

Em relação à nafta (composto proveniente do petróleo usado como matéria-prima no setor petroquímico, por exemplo), a produção nacional deverá crescer cerca de 70% entre 2026 e 2036, reduzindo a dependência externa de aproximadamente 54% para 27%.

Para o QAV (querosene de aviação), a dependência externa, atualmente estimada em 16%, deverá ser eliminada ao longo do horizonte, considerando os investimentos previstos em refinarias e a introdução de SAF (combustíveis sustentáveis de aviação).

O GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) também deverá apresentar redução da dependência externa. Em 2036, as importações deverão corresponder a cerca de 6% da demanda nacional. Por sua vez, o óleo combustível deverá manter excedentes exportáveis durante todo o período decenal.

Infraestrutura
As projeções indicam desafios para a infraestrutura logística de derivados, especialmente em trechos de oleodutos que poderão atingir ou se aproximar dos limites de capacidade até 2036. Entre os dutos identificados estão o Opasc (Oleoduto Paraná-Santa Catarina), o Osbra (Oleoduto São Paulo-Brasília) e o Osplan I (Oleoduto São Sebastião-Paulínia).

O estudo destaca a importância de aprimorar a eficiência operacional e avaliar investimentos complementares em infraestrutura logística para reduzir riscos de restrições regionais ao abastecimento. Também ressalta que a expansão do refino, embora contribua para a segurança energética nacional, deve ser analisada em conjunto com medidas pelo lado da demanda, incluindo a substituição e a diversificação das fontes de energia.

Consulta pública
A consulta pública do PDE 2036 está aberta até sexta-feira (6). Elaborado anualmente pela EPE, sob diretrizes do MME, o PDE apresenta, com base em um cenário de referência, perspectivas para a evolução da oferta e da demanda de energia.

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