da Agência iNFRA
Pesquisadores da PUCRS, em parceria com a Petrobras, lançaram um atlas digital que mapeia pela primeira vez o potencial do Brasil para capturar, utilizar e armazenar CO₂ (dióxido de carbono) no subsolo. O “Atlas de Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono: Explorando o Potencial do Brasil” é uma ferramenta interativa e pública que reúne dados georreferenciados sobre onde estão as principais fontes industriais de emissão, qual a infraestrutura disponível para transporte e, principalmente, em quais regiões do país o gás pode ser injetado e guardado de forma segura e permanente.
A tecnologia, conhecida pela sigla CCUS, é considerada crucial para que setores industriais de difícil descarbonização, como cimento, siderurgia e química, possam reduzir suas emissões sem paralisar a produção. O atlas surge como um guia técnico para orientar empresas, governos e investidores sobre onde e como esses projetos podem ser viabilizados no território nacional.
O trabalho identificou mais de 1.825 fontes estacionárias de CO₂ no país, desde termelétricas e refinarias até fábricas de cimento e usinas de etanol. Cruzando esses dados com a geologia brasileira, a pesquisa aponta oito bacias sedimentares com alto potencial para receber o carbono injetado: Paraná, Santos, Campos, São Francisco, Recôncavo, Sergipe-Alagoas, Potiguar e Ceará.
Além dos reservatórios geológicos convencionais, o documento destaca o potencial de rochas basálticas, abundantes na Bacia do Paraná, que podem transformar o CO₂ em minerais sólidos – um mecanismo considerado o mais seguro de armazenamento permanente. Também são analisadas as possibilidades de uso de camadas de carvão não mineráveis e de campos de petróleo e gás já esgotados.
O atlas é integrado com a Plataforma GIS CCUS Brasil, um sistema online onde os dados podem ser visualizados e explorados de forma dinâmica. A ferramenta classifica o potencial das áreas com base em seu nível de conhecimento geológico, indo de regiões com dados preliminares (“Play”) até áreas bem mapeadas e com alta confiabilidade (“Prospect”).








