06/02/2026 | 18h39

Com expectativa de El Niño, carga de energia deve crescer 4,6% em 2026 

Foto: Domínio Público

da Agência iNFRA

A demanda de energia elétrica no Brasil deve registrar crescimento em 2026, impulsionada por temperaturas mais elevadas associadas à transição para o fenômeno El Niño. Projeções apresentadas no Workshop do Plano Anual da Operação Energética (PLAN 2026–2030) indicam que a carga do SIN (Sistema Interligado Nacional) deve alcançar 85.067 MWm (megawatts médios) no próximo ano, alta de 4,6% em relação aos 81.302 MWm estimados para 2025.

O aumento da carga ocorre em um contexto de crescimento econômico moderado. A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2026 foi revisada de 2,2% para 2,1% e, ainda assim, o setor avalia que a reforma tributária e os investimentos em infraestrutura devem contribuir positivamente no médio prazo.

Segundo Matheus Machado, especialista em inteligência de mercado do Grupo Bolt, o fator climático será determinante para a elevação da demanda. De acordo com ele, as projeções indicam uma tendência de aumento das temperaturas no país ao longo de 2026, em função da consolidação do El Niño, o que impacta diretamente o consumo de energia nos segmentos residencial e comercial.

Estudos setoriais apontam que a sazonalidade da carga tem sido fortemente influenciada por eventos climáticos extremos. Gráficos de anomalias de temperatura para 2026 indicam um aquecimento progressivo, com possibilidade de um El Niño de intensidade moderada já no primeiro semestre, elevando as temperaturas acima da média histórica.

Para Camila Sapucci, meteorologista e head de comercializadoras da Tempo OK Meteorologia, o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico equatorial intensifica as trocas de calor entre o oceano e a atmosfera, contribuindo para uma elevação persistente da temperatura global. Esse cenário, segundo ela, aumenta o uso de sistemas de climatização e refrigeração, elevando de forma estrutural a carga elétrica do SIN.

Demanda por região
Regionalmente, o crescimento da demanda deve ser mais intenso nas regiões Norte e Nordeste. O subsistema Norte projeta a maior expansão, com alta de 6,9%, impulsionada pela interligação de Roraima ao SIN e pelo retorno de grandes consumidores livres do setor de alumínio. No Nordeste, a expectativa é de crescimento de 5,8%. Já o Sudeste/Centro-Oeste deve registrar aumento de 4,5%, alcançando uma carga de 47.634 MWm em 2026.

O crescimento da carga é avaliado como um indicativo positivo para o setor elétrico, apesar dos desafios operacionais associados ao clima. Segundo Machado, o aumento do consumo sinaliza maior atividade econômica e tende a atrair investimentos para a expansão da infraestrutura de geração e transmissão.

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