24/02/2026 | 16h45

Ferrovia na BA viabiliza até 60 Mt de minério de ferro, diz Ibram

Foto: Vale

Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

A conclusão de trechos da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), ligando o interior baiano ao Porto Sul, em Ilhéus (BA), pode viabilizar produção de 50 a 60 Mt (milhões de toneladas) de minério de ferro no sul do estado, prevê o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração). O segmento corresponde aos trechos Fiol 1 e 2 – o primeiro paralisado após o abandono das obras pela Bamin (Bahia Mineração) e o segundo em execução pelo governo federal.

“Quando terminar a construção da ferrovia, que já está 70% pronta, até o porto de Ilhéus para exportação de minério, a região não alcançará a produção de Minas Gerais e do Pará, com 180 Mt, mas vai passar de 50 Mt. Vão produzir de 50 a 60 Mt de minério de boa qualidade por ano”, disse o diretor de assuntos minerários do instituto, Julio Nery, em encontro da diretoria da entidade com jornalistas na segunda-feira (23).

O governo federal está tentando viabilizar o corredor que vai integrar a Fiol à Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) por meio de uma concessão. Mas antes precisa resolver a situação da Fiol 1, que vai de Ilhéus a Caetité (BA) e já foi concedida em 2021. Como mostrou a Agência iNFRA, quem avalia comprar o negócio da Bamin, que inclui porto e mina de ferro, é a Mota-Engil, construtora portuguesa que tem como acionista a chinesa CCCC (China Communications Construction Company).

A Fiol 2, de Caetité até Correntina (BA), também inacabada, é mantida pela estatal Infra S.A. O governo ainda discute modelos de contratação para viabilizar o terceiro trecho, a Fiol 3, que futuramente deve compor o corredor Fico-Fiol, com longo trajeto do litoral baiano podendo chegar até Lucas do Rio Verde, no interior do Mato Grosso.

Ao tratar da potencialidade da Fiol, a diretoria do Ibram ressaltou a importância da infraestrutura de logística para viabilizar projetos de mineração no Brasil. Os diretores destacaram que o investimento em ferrovias e portos, por exemplo, representam dois terços do valor dos projetos de mineração no país. Tal realidade, destacaram, não ocorre em outros países mineradores, como Austrália e Canadá, onde agentes do setor de transportes se encarregam de fazer os investimentos em ramais ferroviários ou terminais portuários para escoar a produção do minério.

‘Nova fronteira’
Entre 2026 e 2030, o setor mineral planeja investir US$ 11,2 bilhões (ou R$ 58,2 bilhões) em infraestrutura logística, segundo projeção do Ibram anunciada no início do mês. Isso representa 14,6% do total de US$ 76,9 bilhões programados pelo setor de mineração no Brasil no mesmo período.

De acordo com a projeção, o estado da Bahia receberá o terceiro maior volume de investimento do setor, o total de US$ 11,7 bilhões (R$ 60,7 bilhões) até 2030. Minas Gerais e Pará receberão valores maiores de US$ 19,7 bilhões e US$ 14,7 bilhões, respectivamente.

Na avaliação dos diretores do Ibram, a Bahia representa uma “nova fronteira” de exploração mineral no Brasil, em razão da diversidade de reservas e volume de investimento em mapeamento geológico.

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