Opinião
31/03/2026 | 15h00

Grandes eventos: por que o futuro da mobilidade depende de tecnologia

George Miley, vice-presidente da Sita para as Américas | Foto: Divulgação

George Miley*

Países que recebem grandes eventos sabem que a celebração começa muito antes da abertura oficial. Ela começa nas fronteiras. É ali que o visitante tem seu primeiro contato com o país e onde se definem duas prioridades essenciais para qualquer nação moderna: fluidez e segurança.

O Brasil conhece bem essa equação. Em 2014, quando sediou a FIFA World Cup 2014, cerca de 10 milhões de passageiros passaram por aproximadamente 20 aeroportos brasileiros em apenas 31 dias, um aumento significativo no fluxo de viagens aéreas durante o período do torneio. Dois anos depois, durante os Rio 2016 Olympic Games, mais de 540 mil turistas internacionais visitaram o país apenas no período dos Jogos, segundo dados do Ministério do Turismo.

Esses números ajudam a explicar por que grandes eventos são muito mais do que uma questão de logística turística. Eles são verdadeiros testes de estresse para sistemas de controle de fronteiras, em aeroportos, portos e postos terrestres, que precisam processar volumes excepcionais de viajantes sem comprometer a segurança.

E a tendência é que esse desafio cresça. Em 2025, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais, de acordo com o Ministério do Turismo. Este é o maior número já registrado na série histórica, superando inclusive anos marcados por megaeventos esportivos globais. Com o aumento do fluxo internacional e a retomada acelerada das viagens globais, países que desejam atrair visitantes precisam estar preparados para lidar com picos de demanda cada vez mais intensos.

No caso brasileiro, o calendário já aponta para novas ondas de movimentação. Eventos culturais e de entretenimento de grande escala, como o Rock in Rio, convivem com iniciativas que atraem visitantes de todo o país e do exterior, como o projeto Todo Mundo no Rio em maio no Rio de Janeiro, além de inúmeros feriados prolongados que tradicionalmente aumentam o fluxo de viagens internas e internacionais. No horizonte mais amplo, o país também já se prepara para sediar a FIFA Women’s World Cup 2027, o que deverá gerar novamente um intenso movimento de visitantes.

Esse cenário levanta uma pergunta estratégica: como garantir que a mobilidade funcione de forma eficiente quando milhões de pessoas cruzam fronteiras em um curto período de tempo?

Historicamente, o controle migratório foi concebido para volumes relativamente estáveis de passageiros. No entanto, a realidade atual exige sistemas capazes de lidar com fluxos altamente variáveis, especialmente em eventos internacionais, quando aeroportos e postos de fronteira podem registrar aumentos abruptos de demanda.

A resposta passa, cada vez mais, pela tecnologia. Soluções de automação e identificação biométrica já estão transformando a maneira como países gerenciam seus pontos de entrada. Sistemas de reconhecimento facial, portões automatizados, análise avançada de dados e plataformas digitais de verificação documental permitem reduzir tempos de espera e aumentar a precisão na identificação de viajantes.

Essa transformação não ocorre apenas por conveniência. Ela é uma necessidade operacional.
Quanto maior o fluxo de passageiros, maior a pressão sobre agentes de imigração e autoridades de segurança. Ferramentas tecnológicas permitem direcionar recursos humanos para situações que realmente exigem análise aprofundada, enquanto passageiros de baixo risco passam por processos automatizados e rápidos.

Além disso, o avanço das tecnologias de análise de dados e Inteligência Artificial está abrindo novas possibilidades para a gestão preditiva de fluxos. Sistemas capazes de antecipar volumes de chegada, identificar gargalos operacionais e integrar informações entre diferentes órgãos públicos tornam possível planejar operações de fronteira com muito mais eficiência.

Essa abordagem já vem sendo adotada em diferentes partes do mundo, onde aeroportos e portos estão se transformando em verdadeiros ecossistemas digitais. O objetivo é claro: permitir que segurança e experiência do viajante caminhem juntas, em vez de se tornarem objetivos conflitantes.

Para países com vocação turística e cultural como o Brasil, esse ponto é particularmente relevante. Grandes eventos não são apenas vitrines globais, são também oportunidades de demonstrar capacidade institucional, organização e hospitalidade.

A experiência de quem chega ao país, muitas vezes, começa com uma fila de imigração. Se ela for longa, confusa ou lenta, o impacto é imediato. Mas se for rápida, eficiente e segura, transmite uma mensagem poderosa: a de que o país está preparado para receber o mundo.

No futuro próximo, essa capacidade será cada vez mais determinante para nações que desejam se posicionar como destinos globais de turismo, negócios e grandes eventos. Afinal, quando milhões de pessoas cruzam fronteiras em poucos dias, não basta abrir as portas. É preciso ter sistemas inteligentes para fazê-lo funcionar.

E, nesse cenário, tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta operacional. Ela passa a ser parte essencial da infraestrutura de mobilidade de qualquer país que queira estar no centro das grandes rotas globais.

*George Miley é vice-presidente da Sita nas Américas. A companhia é líder mundial em comunicações de transporte aéreo e tecnologia da informação.

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