da Agência iNFRA
A Raízen registrou prejuízo de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26, valor acima da perda de R$ 158,3 milhões do mesmo período do ano anterior.
Segundo a companhia, o resultado reflete o desempenho operacional mais fraco, o aumento das despesas financeiras, decorrentes de maior endividamento e do CDI mais elevado, e um efeito contábil maior relacionado à avaliação de ativos biológicos. Além disso, a empresa contabilizou R$ 1 bilhão em impactos negativos não recorrentes ligados à hibernação e à venda de ativos no processo de simplificação do portfólio.
Apesar do cenário, a Raízen avalia que o trimestre marca uma evolução em relação aos resultados operacionais recorrentes, se isolados, do mesmo período do ano anterior.
“Nós não estamos lá ainda, nós temos uma série de desafios ainda à nossa frente, mas claramente eu tenho uma convicção que a gente está no caminho certo. Para chegar nesse caminho certo e para trilhar essa jornada, três iniciativas muito claras. Primeiro, uma simplificação de tudo da nossa estrutura, dos nossos processos, da nossa rotina de tomada de decisões, do nosso portfólio. Segundo, eficiência operacional em todos os nossos negócios, buscando extrair o máximo de valor em cada um dos nossos negócios. E, finalmente, a otimização da nossa estrutura de capital”, afirmou o CEO da Raízen, Nelson Gomes.
Gomes reforçou que a desalavancagem é a principal prioridade da empresa. O volume total de desinvestimentos já anunciados chega a R$ 5 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão já está em caixa. “Nós temos R$ 4 bilhões aproximadamente em recursos a receber até o final deste ano-safra, que mais uma vez serão dedicados exclusivamente à redução da nossa alavancagem”.
Parte dos valores a receber são provenientes de desinvestimentos nas operações da Argentina. “Esse processo segue avançando e, nesse momento, está em fase de avaliação e negociação de propostas e documentos vinculantes recebidos nos últimos dias. Finalmente, uma mensagem dos nossos acionistas: eles informaram que seguem evoluindo na avaliação de alternativas para fortalecer a estrutura de capital da Raízen e garantir a sustentabilidade da nossa companhia no longo prazo. Tanto Shell e Cozan têm mantido reuniões bastante frequentes”, disse Gomes.
Endividamento
A dívida líquida da Raízen fechou o trimestre em R$ 53,4 bilhões, alta de 48,8% frente ao mesmo período da safra passada. A empresa atribui o crescimento à redução de linhas de capital de giro, no valor de R$ 12,1 bilhões, e ao consumo de caixa somado aos juros acumulados, que totalizaram R$ 5,4 bilhões.
“Tem dois fatores aqui que impactaram o endividamento no trimestre. Primeiro, a substituição dos elementos de capital de giro por dívida, que eu mencionei agora pouco, e as maiores despesas financeiras decorrentes do aumento, tanto do saldo da dívida quanto da elevação do CDI entre os períodos”, explicou o diretor de Relações com Investidores, Phillipe Casale.
Durante a teleconferência de apresentação dos resultados financeiros, Casale também mencionou a contratação de uma linha de crédito rotativo de US$ 1 bilhão, com prazo de cinco anos, anunciada na quinta-feira (13).
Renúncia
Nesta sexta-feira (14), a Raízen comunicou, por meio de fato relevante, a renúncia do diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Rafael Bergman. Segundo a companhia, Lorival Luz assumirá o cargo a partir de 1º de dezembro.





