23/10/2025 | 09h13  •  Atualização: 24/10/2025 | 11h08

Aquisição de ativos ‘com problemas’ é a estratégia da J&F, diz executivo

Foto: Divulgação

Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA

O grupo J&F está replicando no setor de energia a estratégia já utilizada no ramo alimentício, com a JBS: a compra de empreendimentos com “potencial de valorização”, diz Marcelo Zanatta, CEO da Âmbar, braço de energia do conglomerado empresarial. O que o mercado vê como “ativos problemáticos”, o executivo vê como oportunidade. Segundo Zanatta, foi dessa forma que a JBS, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, cresceu no mundo: “em cima de ativos que às vezes não eram tão interessantes e importantes para o grupo anterior, ou que tiveram algum tipo de problema”.

Seguindo a visão empresarial, a Âmbar também não descarta, por exemplo, a aquisição de usinas que estão tendo prejuízos com o curtailment, os cortes obrigatórios de geração. “Temos interesse. Porque aqui você tem oportunidade, você consegue enxergar o que a força do trabalho e o potencial de investimento podem fazer de diferença neste negócio”, afirmou Zanatta.

Recentemente a empresa entrou em projetos que estavam emperrados no setor, como a distribuidora Amazonas Energia, e a Eletronuclear. As duas companhias passavam por dificuldades financeiras e com projetos paralisados. “A gente não tem preconceito com nada. Nós não temos preconceito de fonte, nós não temos preconceito de negócio. Nós gostamos de todos os segmentos”, destacou.

O executivo explicou como a estratégia foi bem sucedida no ramo dos frigoríficos, no qual a J&F é referência. “Hoje nós temos mais de 400 frigoríficos no mundo. Tudo foi vencendo desafios. Foram inúmeras empresas no Brasil que tiveram problemas e a gente foi adquirindo. Então, nós montamos a maior plataforma de proteína do mundo aproveitando a oportunidade de crescimento. No Brasil, na parte de energia, é praticamente a mesma coisa”, disse o executivo a jornalistas nesta quarta-feira (22), após participação no evento Euroconsumers Forum Brasil 2025, em Brasília.

Baterias
Zanatta destacou que a empresa também está olhando para os sistemas de armazenamento. A Âmbar vê as baterias como uma forma de não desperdiçar a energia nos horários em que há excesso de geração, contribuir para o atendimento na ponta do sistema e, ainda, lidar com a volatilidade do preço da energia. 

“O modelo [de formação do Preço de Liquidação das Diferenças] está mais próximo à realidade, que não é R$ 59, tem hora do dia que está R$ 400, R$ 300, R$ 250″, comenta. “Se você olhar hoje para a bateria, é uma oportunidade para você conseguir fazer trading dessa energia. É melhor do que simplesmente estar sentado em uma mesa de comercializadora tentando acertar a mosca.”

Setor nuclear
Com a compra da participação da Eletrobras (agora, Axia Energia) na Eletronuclear, a empresa espera aumentar o parque de energia nuclear do país, não apenas em Angra dos Reis. A expectativa do executivo é que a aquisição seja finalizada em cerca de seis meses. 

Segundo Zanatta, faz parte dos planos de crescimento da Âmbar a construção de “Angra 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10″. E a instalação de usinas nucleares em outros estados do Brasil. “Na minha opinião, [a energia nuclear] não tem que ficar só em Angra, tem que ter lá a usina nuclear no Amazonas, a usina nuclear no Centro-Oeste, a usina nuclear no Nordeste, que você tenha esses hubs de apoio que consiga sustentar eletricamente a região”, concluiu.

Na região Norte do país, onde está prestes a assumir duas distribuidoras de energia – dos estados do Amazonas e de Roraima – a companhia estuda o uso de pequenos reatores (os SMRs) para fornecimento de energia nos sistemas isolados. “Tem comunidade que a Amazonas Energia está presente, que leva até sete dias de barco para chegar. Se você colocar esse microrreator nuclear com combustível que dura um ano, você não tem que ficar transportando o diesel. A gente acredita que você consegue descarbonizar o Amazonas e trazer confiança e segurança para toda a comunidade”, destacou Zanatta.

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