13/01/2026 | 10h00  •  Atualização: 14/01/2026 | 13h03

Troca de comando na Brava Energia é bem recebida pelo mercado financeiro

Foto: Divulgação Brava

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

Uma das maiores petroleiras independentes do país, a Brava Energia, anunciou trocas no comando executivo da companhia e do Conselho de Administração, movimentos que fizeram as ações subirem 4,5% na sessão desta segunda-feira (12) na B3.

Segundo fontes de mercado e analistas, o otimismo do investidor tem a ver com a expectativa por uma aceleração na redução da alavancagem da companhia, via maior rotação de ativos (compra e venda) e, consequentemente, alguma antecipação de distribuição de dividendos. O pagamento de proventos sempre esteve entre as promessas da empresa, que nasceu da fusão entre as antigas Enauta e 3R Petroleum, mas ainda era considerado distante. Nenhum desses movimentos foi formalmente comunicado pela empresa, que falou em “continuidade da estratégia operacional”.

Na prática, acionistas relevantes liderados pelo fundo Yellowstone (cotista da EBrasil e dono de termelétricas no Nordeste), JiveMauá e Queiroz Galvão, definiram a saída do engenheiro e ex-presidente da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) Décio Oddone da presidência da companhia em 31 de janeiro. A partir de fevereiro, Oddone será substituído pelo economista Richard Kovacs, até então presidente do Conselho de Administração da Brava e indicação direta da EBrasil. Para assumir o conselho, foi escolhido o também economista Alexandre Cruz, um dos fundadores da gestora JiveMauá.

“No fundo, são só os maiores acionistas buscando um controle mais direto sobre o comando e o caixa da companhia. O Décio tem uma cabeça de muito longo prazo, voltada à expansão da companhia, nem tanto de dividendo. E as partes querem fazer negócio”, disse uma fonte com conhecimento do assunto. Segundo esse interlocutor, a ideia de trocar o comando da Brava não é nova e já vinha sendo tratada desde o ano passado.

Consenso
À Agência iNFRA, Oddone confirmou que já havia conversas relacionadas à sua saída, que definiu como “consensuada”.

“Foi consensual, suave. Eu fiz a integração (de Enauta e 3R), passei pela fase mais complexa. Depois queria entregar o [FPSO] Atlanta, estabilizar a produção em Papa-Terra e mudar a estratégia no onshore. Isso foi feito, eu cumpri o objetivo. Esses ativos nunca estiveram tão bem”, disse Oddone.

Segundo interlocutores, o executivo sempre foi encarado como um nome técnico forte para consolidar a nova empresa e colocar os principais projetos nos trilhos – como o projeto Atlanta, na Bacia de Santos, que ainda é a base da produção da Brava – em uma fase de quadro acionário ainda pulverizado, na configuração de “corporation”. Agora, com o quadro acionário mais consolidado, é natural que os acionistas queiram impor uma “visão de dono” para extrair valor à sua maneira.

Yellowstone e JiveMauá detêm, cada uma, 6,9% das ações ordinárias da Brava Energia, só atrás do Bradesco (12,2%) e do Bloco Somah Printemps Quantum (7%). Depois vem a Cobas (5,1%). O restante do capital (61,9%) está repartido entre outros acionistas menos expressivos.

Uma fonte observa que a sucessão é coerente com o momento da empresa, já que Oddone tinha um perfil mais técnico, atento às oportunidades e dinâmicas de produção, enquanto Kovacs tem um perfil mais “financeiro”. Questionada se Oddone resistia à venda de ativos, a fonte disse que isso chegou a acontecer, mas que o executivo nunca se negou a fazê-la. Kovacs, porém, poderia acelerar esse processo de modo a fazer caixa e reduzir endividamento, dando mais velocidade a um processo que já estava nos planos de Oddone.

A Brava Energia chegou a vender pequenos ativos em terra e a colocar toda a operação na Bahia à venda, voltando atrás em seguida. Recentemente, rumores de mercado davam conta de que a empresa teria conversas com players como Ecopetrol, para entrada no capital, e com a Eneva, para a venda de poços de gás, que não se confirmaram. Confrontado por jornalistas a este respeito no fim do ano passado, o atual diretor financeiro, Luiz Carvalho, disse que não comenta esse tipo de movimento, mas disse que a companhia estaria sim aberta a movimentos de venda e aquisição de ativos. Anunciado no fim de outubro, Carvalho permanece na estrutura.

Visão dos bancos
Em relatório a investidores, o BTG Pactual informou que os esforços de desalavancagem por meio da redução da dívida líquida, considerada elevada, seguirão no horizonte da empresa. Segundo os analistas, o novo comando poderá funcionar como um “catalisador para uma abordagem mais ativa de rotação e monetização de ativos, com maior foco em retorno ao acionista e redução do endividamento”.

O Santander também vê a mudança como positiva, destacando o legado operacional “sólido” de Oddone e classificando a chegada de Kovacs ao comando executivo como um movimento de transição para uma estrutura mais claramente liderada pelos acionistas.

“Isso reduz o risco de desalinhamento entre acionistas e gestão, especialmente considerando que o bloco de acionistas formado pela EBrasil, JiveMauá e pela Queiroz Galvão detém cerca de 21% do capital da companhia”, dizem os analistas do Santander, também citando foco em desalavancagem e maximização do retorno aos acionistas, no que menciona “potencial venda parcial ou total” de ativos da companhia.

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