Opinião
19/02/2026 | 17h17

Ciclo global de crescimento dos lubrificantes ganha tração em 2026

Foto: Iconic

Alexandre Bassaneze*

O mercado global de lubrificantes entra em 2026 com perspectiva de crescimento consistente, sustentado por maior exigência técnica e por uma demanda industrial cada vez mais sofisticada. Projeções recentes indicam avanço tanto em volume quanto em valor: a Mordor Intelligence estima que o mercado global passe de 39,02 bilhões de litros em 2025 para 43,46 bilhões de litros em 2030 (CAGR de 2,18%), enquanto a Fortune Business Insights projeta a evolução do mercado global de US$ 175,52 bilhões em 2024 para US$ 205,62 bilhões em 2032.

Em 2026, esse crescimento tende a ser cada vez menos “comoditizado” e mais orientado a desempenho – é nesse contexto que os lubrificantes inteligentes ganham protagonismo. Mais do que uma nova categoria comercial, o termo se refere a lubrificantes de alta engenharia, formulados para atuar como parte ativa do sistema, combinando eficiência energética, maior estabilidade térmica, menor atrito, compatibilidade com novos materiais e suporte a estratégias avançadas de manutenção baseada em condição, dados e confiabilidade operacional. Na prática, são produtos que ajudam a reduzir perdas, aumentar a vida útil de ativos e otimizar o custo total de operação.

Esse movimento é especialmente visível no segmento industrial. Projeções indicam que o mercado global de lubrificantes industriais pode crescer de 22,82 bilhões de litros em 2025 para 27,08 bilhões de litros em 2030 (CAGR de 3,48%), ritmo superior ao crescimento médio do mercado total. A busca por produtividade, eficiência energética e previsibilidade operacional tem elevado o papel do lubrificante como ferramenta estratégica dentro das plantas industriais.

No automotivo, 2026 será marcado por um novo ciclo global de renovação de especificações e requisitos de desempenho. A chegada de padrões mais exigentes acelera a modernização do portfólio mundial, elevando a régua para controle de desgaste, eficiência e proteção em motores cada vez mais complexos. Isso reforça a migração para formulações mais avançadas e consolida o lubrificante como uma tecnologia embarcada, integrada à evolução dos powertrains.

Outro vetor relevante de crescimento no segmento automotivo é o mercado de motocicletas, que segue em ritmo acelerado tanto no Brasil quanto em outros mercados emergentes. A busca por mobilidade com menor custo, maior rapidez no deslocamento urbano e eficiência operacional, somada à expansão dos serviços de entrega e da logística de última milha, tem impulsionado de forma consistente a frota de duas rodas. No Brasil, dados da Fenabrave mostram que o licenciamento anual de motocicletas vem superando 1,5 milhão de unidades, enquanto estudos da McKinsey e da Statista apontam tendência semelhante em mercados da Ásia e da América Latina. Esse movimento amplia de forma estrutural a demanda por lubrificantes específicos para motos – óleos de motor, fluidos de transmissão e produtos para altas rotações – reforçando a necessidade de formulações mais robustas, com elevada estabilidade térmica, proteção contra desgaste e desempenho confiável em regimes severos de uso intensivo, típicos das frotas de entrega.

A eletrificação, por sua vez, não reduz a relevância do setor – ela reorganiza oportunidades e amplia a fronteira de fluidos especiais. A IEA (Agência Internacional de Energia) estima que as vendas globais de veículos elétricos em 2025 devem superar 20 milhões de unidades, representando mais de um quarto dos carros vendidos no mundo. Sob as políticas atuais, essa participação pode exceder 40% das vendas globais até 2030. Esse avanço impulsiona a demanda por e-fluids, graxas especiais e fluidos de gestão térmica e de transmissão. A Precedence Research projeta que o mercado global de fluidos para veículos elétricos alcance US$ 1,24 bilhão em 2025, com trajetória de crescimento para US$ 11,92 bilhões até 2034.

Paralelamente à evolução técnica dos produtos, 2026 também consolida uma mudança estrutural na forma como a indústria pensa sustentabilidade e circularidade. A redução do uso de plástico nas embalagens, a adoção de materiais reciclados, soluções de refil e modelos de entrega a granel deixam de ser iniciativas pontuais e passam a integrar a estratégia central do setor. Esse movimento responde tanto a exigências regulatórias quanto à demanda de clientes industriais e frotistas por cadeias mais eficientes e de menor impacto ambiental.

Nesse mesmo viés, a circularidade dos lubrificantes ganha escala e relevância. A ampliação da coleta de óleo lubrificante usado e contaminado (OLUC) e o avanço do rerrefino tornam-se pilares para reduzir a dependência de recursos fósseis, diminuir emissões e fechar o ciclo do produto. O rerrefino, além de ambientalmente vantajoso, já se consolida como solução industrial madura, capaz de entregar óleos básicos de alta qualidade, alinhados às exigências técnicas da nova geração de lubrificantes.

Com esse pano de fundo, 2026 se desenha como um ano de crescimento com ganho claro de qualidade: mais demanda por performance, mais foco em eficiência e sustentabilidade e mais espaço para soluções de alta engenharia. O setor global de lubrificantes avança para uma nova fase, em que inovação, circularidade e conformidade técnica tornam-se alavancas centrais de competitividade – e em que os lubrificantes inteligentes ajudam a transformar produtividade, custo total de operação e confiabilidade em valor real para clientes e para a sociedade.

*Alexandre Bassaneze é presidente da Iconic – joint venture da Ipiranga e Chevron para o setor de lubrificantes.

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