16/04/2026 | 15h59

América do Sul pode protagonizar mercado de terras raras, aponta KPMG

Foto: Peggy Greb/Wikimedia

da Agência iNFRA

A corrida global por minerais críticos, essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos e tecnologias digitais, pode redesenhar o mapa geopolítico da energia nas próximas décadas. E, segundo um novo estudo da KPMG, a América do Sul surge como uma das regiões mais bem posicionadas para ganhar protagonismo nesse cenário, especialmente no mercado de terras raras.

Isso porque, atualmente, mais de 70% da produção mundial desses elementos está concentrada na China, o que expõe cadeias de suprimentos a riscos geopolíticos e instabilidades. Ao mesmo tempo, a demanda global cresce em ritmo acelerado, impulsionada pela transição energética e pela eletrificação da economia.

É nesse contexto que a América do Sul aparece como alternativa estratégica. O relatório destaca que a região, em especial o Brasil, reúne condições únicas para ocupar um papel relevante no mercado global. Apesar de deter a segunda maior reserva mundial de terras raras, o país ainda tem participação modesta na produção.

Além do Brasil, a Argentina também aparece como aposta promissora, com depósitos identificados e potencial ainda em desenvolvimento. Juntos, os dois países podem, segundo o estudo, ajudar a reduzir a dependência global de poucos fornecedores e diversificar a oferta desses minerais estratégicos.

A KPMG elencou quatro caminhos para liderar a transição, que incluem diversificação do fornecimento global, industrialização, economia circular e gestão de riscos.

Para além da extração, o estudo defende que o verdadeiro ganho econômico está na integração às etapas mais avançadas da cadeia produtiva, como a fabricação de ímãs permanentes e ligas tecnológicas. Sem isso, a região corre o risco de repetir o histórico de exportação de commodities com baixo valor agregado.

As quatro frentes prioritárias para transformar o potencial da América Latina em protagonismo, segundo a KPMG:

  • Diversificação do fornecimento global: ampliar a exploração de reservas ainda pouco utilizadas pode reduzir a concentração da produção mundial;
  • Industrialização local: investir em processamento e refino dentro da região permitiria agregar valor e gerar empregos qualificados;
  • Economia circular: a reciclagem de eletrônicos, baterias e motores pode complementar a oferta e reduzir impactos ambientais;
  • Gestão de riscos: incorporar variáveis geopolíticas, climáticas e econômicas no planejamento da mineração é essencial para garantir estabilidade nas cadeias de suprimento.

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