Luiz Araújo, da Agência iNFRA
Com interesse pela concessão da rodovia Régis Bittencourt (SP/PR), a Motiva afirma estar se preparando para o leilão previsto para julho. A informação foi dada pelo CEO do grupo, Miguel Setas, durante a conferência de apresentação dos resultados operacionais, realizada na manhã desta quinta-feira (30).
“Ainda estamos em processo de modelagem e análise, sem nada para compartilhar por enquanto, mas é um ativo que certamente nos interessa”, afirmou o executivo.
O leilão será realizado após a repactuação da concessão atualmente gerida pela Arteris. O novo contrato dará direito à exploração do ativo até 2041, com previsão de R$ 7,2 bilhões em investimentos.
Caso confirme a participação e saia vencedora do certame, será a segunda concessão repactuada da Arteris a ser transferida para a Motiva. Em dezembro, o grupo venceu a disputa pela Rodovia Fernão Dias (BR-381/SP/MG), assumindo o controle neste mês.
Aditivos e free flow
Ainda sobre a plataforma de rodovias, Setas mencionou que estão em curso tratativas com o governo de São Paulo para aditivo ao contrato de concessão da AutoBAn. Além disso, há uma “negociação iminente” para revisão contratual na SPVias. Segundo ele, o acordo pode resultar em extensão de prazo e/ou reequilíbrio econômico-financeiro em função de novos investimentos.
O executivo também foi questionado sobre as recentes movimentações relacionadas ao free flow, sistema de pedágio sem cancelas. Diante do aumento de reclamações de usuários por multas por inadimplência, o governo federal decidiu suspender temporariamente as penalidades por 200 dias, determinando ajustes do sistema no período, como a conclusão do processo de integração de dados de cobrança na CNH do Brasil.
De acordo com Setas, a modalidade ainda tem peso reduzido na arrecadação da companhia, representando cerca de 2% das receitas de pedágio. Dentro desse universo, aproximadamente 60% dos usuários já utilizam “tags”, o que reduz a exposição à inadimplência. Por isso, afirmou que o impacto da medida tende a ser limitado.
O executivo ressaltou que o setor passa por um período de adaptação ao novo modelo de cobrança, com esforços das concessionárias para ampliar a comunicação com os usuários e simplificar os meios de pagamento, inclusive por meio de iniciativas conjuntas com outras operadoras.







