Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
As principais entidades do setor de biocombustíveis reagiram, nesta sexta-feira (21), à fala do senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sobre possível revisão do teor de 32% do etanol na mistura da gasolina comercializada em postos de abastecimento do país, o chamado E32.
Flávio afirmou em transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira (20) que, se eleito, o E32 vai ter de ser discutido, e associou o movimento do governo federal à chamada “reduflação”, quando um fabricante reduz o volume de um produto, mas mantém o preço para disfarçar a inflação. Ele sugere que isso poderia motivar o aumento do etanol na mistura do combustível, já que reduz a parcela de gasolina do produto.
A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), a UNEM (União Nacional do Etanol de Milho, a Bioenergia Brasil), a Feplana (Federação dos Plantadores de Cana do Brasil), a Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana) e a Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) assinaram nota de repúdio contra a manifestação.
“A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações — do Proálcool ao RenovaBio e à Lei do Combustível do Futuro”, dizem as entidades. Elas ainda destacam que, enquanto senador, Flávio participou das discussões legislativas sobre o tema, inclusive aprovando a Lei do Combustível do Futuro.
“O etanol é combustível de elevada octanagem, produzido em mais de mil municípios brasileiros. Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética. O Brasil alcançou a autossuficiência nos combustíveis do ciclo Otto, que movem os veículos leves”, defende o grupo de entidades.
Elas destacam, ainda, que os testes de viabilidade do aumento de mistura promovidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia usaram 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, em laboratório e pista, nas misturas de 27%, 30% e 32%, com acompanhamento de ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), fabricantes e importadores de veículos, com conclusão de “plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor”.





