25/08/2026 | 13h20  •  Atualização: 25/08/2026 | 13h33

Gás a US$ 14 inviabiliza produção de aço verde no Brasil, diz CEO da Vale

Foto: Dilvulgação/Ibram

Rafael Bitencourt*, da Agência iNFRA

O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou nesta terça-feira (25) que ficou “feliz” com a sinalização de esforço para reduzir o preço do gás natural no Brasil. Durante a Exposibram 2026, o executivo afirmou que a redução do preço desse combustível pode viabilizar a produção do aço “verde” no país, envolvendo processos com baixa emissão de carbono.

“A gente adoraria avançar com a pauta de aço verde no Brasil, fazer o HBI, por exemplo. Isso é gerar valor agregado dentro do Brasil, mas com o gás a US$ 14 por milhão de BTU [unidade térmica britânica] não vai sair. Nós precisamos trazer o gás para US$ 5, US$ 6”, afirmou o presidente da Vale, no evento realizado em Belo Horizonte (MG).

Com o projeto HBI, mencionado pelo executivo, a Vale busca derrubar as emissões de carbono em altos fornos das siderúrgicas que produzem aço. Ele disse que, se for usado hidrogênio no lugar de gás natural, a emissão de gases poluentes chega perto de zero.

No evento, Pimenta defendeu que a experiência de muitos países mostra que o desenvolvimento industrial passa pelo acesso à oferta de gás a preços mais atrativos. “É difícil industrializar uma nação com um gás que não seja competitivo. O gás é elemento de industrialização”, destacou.

O executivo da Vale contou que, no Oriente Médio, gás natural é ofertado a US$ 3 por milhão de BTU. “Não estou nem pedindo os US$ 3, mas não os US$ 14”, frisou.

Minério ‘estratégico’
Dentro da discussão sobre a política de minerais críticos, o presidente da Vale defendeu que o minério de ferro deveria ser classificado como “estratégico”, para se beneficiar de processos mais ágeis de licenciamento e autorização. Ele citou a necessidade de superar entraves relacionados à demora no licenciamento ambiental e à falta de regras para classificação de cavidades.

“A gente acha que o minério de ferro, principalmente o de alto teor, é estratégico porque ele ajuda a descarbonizar a cadeia siderúrgica. E um dos nossos maiores desafios como sociedade é a descarbonização da cadeia siderúrgica”, afirmou Pimenta, a jornalistas.

O executivo ressaltou que a cadeia siderúrgica responde por 8% das emissões do mundo. Segundo ele, o Brasil pode contribuir com redução desse indicador por meio da produção de minério de ferro de alto teor. Como exemplo, ele disse que, com essa visão, a Austrália classificou essa categoria de minério de ferro como estratégico.

Porto Sudeste
Questionado sobre o interesse da Vale no Porto Sudeste, Pimenta disse que avalia a aquisição como “uma oportunidade”, se faz sentido para o portfólio da companhia.

“Temos olhado, mas ainda não temos nenhuma decisão a respeito”, disse o executivo, comentando que o ativo portuário pode ser importante para a mineradora “seguir tendo uma participação relevante dentro do mercado de minério”, contando com “alternativas logísticas”.

(*) O jornalista viajou para Belo Horizonte (MG) a convite do Ibram

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