24/09/2026 | 09h06  •  Atualização: 24/09/2026 | 09h15

‘Acessamos diesel de diversos mercados’, diz CEO da Vibra sobre EUA 

Foto: Vibra Energia

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O presidente da Vibra, Ernesto Pousada, minimizou nesta quarta-feira (23) o risco de suspensão temporária das exportações de diesel dos Estados Unidos pelo governo Donald Trump para privilegiar o mercado interno americano, que tem sofrido com preços altos. Ele disse que a Vibra, maior distribuidora de combustíveis do Brasil, tem capacidade para acessar outros mercados e, inclusive, aumentar as compras externas se for preciso.

Segundo o executivo, em caso de proibição das vendas americanas, o maior impacto não seria na disponibilidade de diesel, mas no preço: ainda haveria diesel no mercado internacional, mas a valores ainda maiores que os atuais, já pressionados por efeito da guerra no Oriente Médio.

“Não acho que isso está caminhando para essa direção [suspensão das exportações americanas]. Mas, de qualquer maneira, nós estamos preparados. Hoje nós temos uma diversificação de fontes de fornecimento de diesel bastante grande”, disse Pousada. Ele falou em painel da ROG 2026 (Rio Oil & Gás 2026), que acontece esta semana no Rio de Janeiro.

Na avaliação do executivo, o mundo já convive com um preço de barril de petróleo alto por muito tempo e “medidas artificiais” para segurar produto “não vão se sustentar”.

Ele lembrou que, nos últimos meses, desde que começou a guerra entre Estados Unidos e Irã, algumas fontes que abasteciam o mercado brasileiro “sumiram”, mas, nem por isso, houve falta de produto

Executivos de outras grandes distribuidoras ouvidos pela Agência iNFRA falaram no mesmo sentido, sobre impacto maior nos preços. Ainda assim, reconhecem preocupação sobre dificuldades em acessar produto em cenário de oferta ainda mais restrita. Essas empresas já perderam o acesso ao produto russo, que dominava o mercado brasileiro de diesel importado até o meados deste ano, quando a Rússia suspendeu vendas para fora do país.

“Sobre preço, não há dúvida que subiria ainda mais. O problema é que, se os EUA também pararem [de exportar], as fontes que sobrarem podem travar cargas para privilegiar outros mercados que pagam mais. Nesse caso, teríamos sim um problema de acesso”, disse um executivo de outra de grande distribuidora.

Capacidade ociosa
Segundo Pousada, a Vibra ainda tem capacidade ociosa de tancagem, para o nível de importação atual, que dobrou com relação ao que era feito antes do início da guerra.

“Nos principais portos brasileiros, nos polos de importação, nós temos uma capacidade que é adicional ao que a gente faz de importação naturalmente (…) Temos a capacidade de infraestrutura para aumentar importações terminais e, também, acesso a mercados que poucas empresas têm para poder seguir com esse abastecimento”, disse.

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