24/09/2026 | 10h30  •  Atualização: 24/09/2026 | 10h41

Suspensão do diesel dos EUA elevaria preço, sem falta de produto

Foto: Agência Brasil

Gabriel Vasconcelos e Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA

Executivos do setor de combustíveis consideram que o efeito objetivo de uma proibição temporária das exportações de diesel americano pelo governo Donald Trump seria um novo solavanco nos preços acessados por grandes importadores brasileiros, mas ainda não cogitam falta de produto. Pressionado pela proximidade das eleições de meio de mandato, Trump voltou a defender a medida publicamente na terça-feira (22), quando disse a jornalistas que já pediu isso à sua equipe. 

A diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano, descartou categoricamente, nesta quarta-feira (23), que esse cenário ameace o fornecimento ao mercado brasileiro pela estatal. Ela destacou que a Petrobras tem ampliado produção própria para atender a sua demanda e disse que não há importações previstas para novembro, porque a safra agrícola – fator de pressão sobre a demanda – já terá sido superada. 

Já Ernesto Pousada, presidente da Vibra, maior distribuidora do país e com importação igualmente relevante, se mostrou cético à possibilidade de suspensão das vendas americanas e minimizou os impactos sobre a operação da companhia, que poderia acessar outros fornecedores. Segundo ele, o impacto maior se daria sobre preço, que ajustaria a demanda pelo produto. Outros executivos de grandes distribuidoras endossaram o argumento, mas disseram que o cenário poderia sim trazer dificuldade de acesso às cargas. 

“Sobre preço, não há dúvida de que subiria ainda mais. O problema é que, se os EUA também pararem [de exportar], as fontes que sobrarem podem travar cargas para privilegiar outros mercados que pagam mais. Nesse caso, teríamos sim um problema de acesso”, disse um executivo de outra grande distribuidora. 

O maior temor vem de pequenos e médios importadores, que têm mais dificuldade para acessar volumes por conta de sua escala. Com relação a preço, a paridade de importação de diesel calculada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) bateu recorde na semana entre 14 e 18 de setembro, se aproximando ou até ultrapassando os R$ 7,00 por litro em alguns polos. No início do ano, esse valor era menos da metade disso. O preço de importação pelo Porto de Suape (PE) chegou a R$ 6,88 por litro no período. Nos portos de Santos e Paranaguá, foi de R$ 6,93 por litro. Eventual restrição à chegada do produto americano poderia levar a uma nova alta nesse preço. 

Petrobras
“A nossa produção própria atende bastante a nossa demanda”, disse Angélica Laureano, da Petrobras, a jornalistas. Segundo ela, no momento, só a Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), no Paraná, está em parada de manutenção, com todo o restante do parque de refino da Petrobras ativo e com FUT (Fator de Utilização Total) “bastante alto”.

O Golfo do México (EUA) é a principal fonte de importação de diesel da Petrobras. Por ser listada na Bolsa de Nova York, a companhia nunca importou produto da Rússia.

Segundo a diretora, as compras para outubro já foram realizadas – totalizando 650 mil m³ (metros cúbicos), de diversas origens – e ainda não está claro se haverá demanda adicional para esse mês. “Eventualmente, na falta de algum produto, a gente pode vir a importar. Mas hoje não temos previsão de importação para novembro, a não ser que tenha alguma parada adicional [de refinaria] ou algum evento”, disse a executiva.

Vibra
“Não acho que isso está caminhando para essa direção [suspensão das exportações americanas]. Mas, de qualquer maneira, nós estamos preparados. Hoje nós temos uma diversificação de fontes de fornecimento de diesel bastante grande”, disse Pousada. Ele falou em painel da ROG 2026 (Rio Oil & Gás 2026), que acontece esta semana no Rio de Janeiro.

Na avaliação do executivo, o mundo já convive com um preço de barril de petróleo alto por muito tempo e “medidas artificiais” para segurar produto “não vão se sustentar”. Ele lembrou que, nos últimos meses, desde que começou a guerra entre Estados Unidos e Irã, algumas fontes que abasteciam o mercado brasileiro “sumiram do mercado”, mas, nem por isso, houve falta de produto.

Segundo Pousada, a Vibra ainda tem capacidade ociosa de tancagem, para o nível de importação atual, que dobrou com relação ao que era feito antes do início da guerra.

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