da Agência iNFRA
Um a cada dois dólares destinados à infraestrutura é perdido devido a ineficiência nos processos de investimento na América Latina e no Caribe. A estimativa é do Grupo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que prevê que a a região precise investir anualmente cerca de 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) até 2030 para fechar sua lacuna de infraestrutura, o equivalente a mais de US$ 1,6 trilhão.
Segundo o grupo, o setor de transportes representa mais de US$ 630 bilhões do montante. O tema está sendo tratado por representantes de governos de 17 países, entre eles o Brasil, e líderes do setor privado, no LAC Transport Forum 2026, organizado pelo BID em Miami, nos Estados Unidos, entre terça e quarta-feira (30).
O encontro, feito pela primeira vez em parceria com a Fidic (Federação Internacional de Engenheiros Consultores), apresenta mais de 110 projetos de investimento no setor, que podem totalizar cerca de US$ 65 bilhões para os próximos 18 meses, o equivalente a todo o investimento anual da região em infraestrutura de transporte.
Com objetivo de mobilizar capital e ampliar a escala dos projetos, o evento protagoniza uma das maiores rodadas de reuniões entre governos e empresas da região. “Podemos aumentar em até 35% os resultados dos investimentos em infraestrutura sem aumentar o gasto público”, afirmou o presidente do Grupo BID, Ilan Goldfajn, durante a cerimônia de abertura.
Plataforma regional
No fórum, o grupo lança ainda uma plataforma destinada a melhorar a qualidade, a transparência e a competitividade dos processos de investimento na região, chamada Transport Delivers. De acordo com eles, a ferramenta apoia melhorias no planejamento, na licitação e na contratação dos projetos.
O banco explica que visa estimular a concorrência no setor, o que geraria reflexos importantes, e estima que cada licitante adicional leva a uma redução média de 2% a 8% nos preços. Já a consideração da qualidade junto ao preço pode reduzir entre 5% e 20% o custo total dos ativos ao longo de sua vida útil.
A ferramenta recebeu cerca de US$ 2,5 bilhões em doações da Espanha e do Japão. O grupo ainda pretende captar outros US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos para melhorar as condições e viabilizar aproximadamente US$ 20 bilhões em investimentos em transporte. “O objetivo é alcançar mais e melhor infraestrutura”, disse Goldfajn.




