da Agência iNFRA
O preço da gasolina no Amazonas subiu 52,6% desde 2022, quando foi privatizada a Ream (Refinaria de Manaus), segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Em agosto, o litro do combustível, que no final de 2022 estava em R$ 4,60, chegou a R$ 7,02.
De acordo com Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros), mantenedora do Dieese, após a privatização, a Ream – atualmente controlada pelo grupo Atem – deixou de processar o petróleo extraído em Urucu (AM) e transferiu a atividade de refino para São Paulo, o que encareceu o preço final para os consumidores amazonenses.
Em 2022, a Ream refinava, em média, mais de 900 mil barris de petróleo por mês. Em 2025, foram processados apenas 296 mil barris em março e 114 mil barris em abril. Segundo a FUP, a refinaria deixou de produzir combustíveis e agora funciona apenas como base logística.
A FUP e o Sindipetro-AM (Sindicato dos Petroleiros do Amazonas) encaminharam ao presidente Lula documento com dados do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás) sobre os impactos da privatização da Ream. O estudo mostra que a venda da refinaria teria resultado em redução “drástica” da atividade de refino, maior dependência da importação de combustíveis, preços abusivos para a população, precarização do trabalho, perda bilionária de arrecadação aos cofres públicos, e risco de transformar a Ream em simples terminal de armazenamento.
Junto às informações, as entidades enviaram propostas de alternativas para esses impactos, como a reversão da privatização ou o estabelecimento de uma parceria operacional com o atual controlador para a retomada do refino no Amazonas. O documento também defende que o Amazonas seja incluído na estratégia nacional de energia e que a Petrobras retome o papel central no setor de refino.





