Associação alerta sobre problemas de fornecimento para desenvolvimento de obras no país

Dimmi Amora, da Agência iNFRA

A cadeia de fornecimento para o setor de construção no país está enfraquecida, ameaçando a previsão de grande aumento de recursos de orçamento público e de concessões para obras a partir deste ano. 

O alerta foi dado pelo diretor-presidente da Melhores Rodovias do Brasil – ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), Marco Aurélio Barcelos, durante o lançamento do relatório anual da associação e o novo modelo de pesquisa em dados do setor, na última quarta-feira (10), em Brasília.

O valor investido pelas concessionárias de rodovias no país em 2022 foi na casa dos R$ 9,5 bilhões nos 26 mil quilômetros de vias concedidas, 37% maior que em 2021 e próximo ao nível recorde, feito no ano de 2015. O investimento nos 13 mil quilômetros de vias federais concedidas, de R$ 5,2 bilhões em 2022, foi maior que todo o orçamento do governo federal no ano, que administra mais de 50 mil quilômetros de estradas.

Um dos dados levantados pela associação com base em informações oficiais é que, nos próximos anos, a perspectiva é que o país amplie em mais 30 mil quilômetros de concessões rodoviárias (atualmente são 26 mil quilômetros), produzindo R$ 108 bilhões em novos investimentos.

“Vamos mais que dobrar de tamanho. Talvez seja dos poucos setores de infraestrutura que tenham esse tamanho de negócio. Quem não entrou, tem essa porta de entrada para investimentos de grande porte”, disse Barcelos, lembrando que o setor já é maduro, ao contrário de outros que trazem mais insegurança, citando o saneamento.

Esses investimentos, segundo Barcelos, trazem benefícios para toda a sociedade. Num cálculo feito pela associação, as obras feitas em 2022 nas concessões reduziram em R$ 30 bilhões os custos de transportes para as empresas de carga do país. Essa estimativa é três vezes maior que todo o valor pago de pedágio para as concessionárias no ano (R$ 10 bilhões), informou Barcelos.

O diretor da associação afirmou que a perspectiva é que em 2023 os investimentos em concessões rodoviárias siga aumentando. Há concessionárias prevendo mais de R$ 10 bilhões em aportes somente em seus próprios contratos. 

Como também há uma perspectiva de aumento dos investimentos públicos federais (o orçamento federal para rodovias quadruplicou e está estimado na faixa dos R$ 20 bilhões) e dos estados no setor de construção, Barcelos alertou que isso traz um “bom problema, mas que é um problema”: a falta de indústria de base para a execução dos investimentos.

“Precisamos pensar agora na cadeia do ambiente, no sistema das obras e dos serviços que são demandados para que os recursos se transformem em intervenções e melhorias. Está na hora de falar da indústria de base, se ela vai dar conta do recado. Se haverá suprimentos para tudo isso”, disse Barcelos, citando também prestadores de serviços como consultores ambientais e de projetos. “Há uma concentração sem precedentes de investimentos públicos e privados no setor.”

Mesmo no ano passado, segundo apurou a Agência iNFRA, quando o governo federal estava com sua mais baixa capacidade de investimentos, as concessionárias já tiveram problemas para esse tipo de contratação, o que tem se repetido ao longo deste ano, também nas obras do setor público.

Outras precauções
Além dessa precaução com a indústria de base, Barcelos alertou para outras duas que também podem afetar o desempenho dos projetos futuros: os passivos das concessões passadas e o aprimoramento dos estudos para as novas concessões. 

Ele lembrou que os erros do passado são múltiplos e que é necessário “fechar as cicatrizes”, indicando que hoje há uma vontade do governo para que isso seja feito. Em relação aos estudos para novas, para ele, houve avanços na parte regulatória, mas é necessário que se repense a base para realizar os orçamentos das concessões.

O governo precifica os investimentos com o Sicro, um sistema de preços para obras públicas. Para ele, o Sicro não é adequado para concessões e isso tem causado dificuldades para atrair mais players.

Melhores rodovias
Na apresentação dos dados do setor, Barcelos destacou ainda os benefícios ao longo dos quase 30 anos de concessões rodoviárias no país. De acordo com os dados da associação, são mais de R$ 230 bilhões investidos só nos últimos 25 anos nas rodovias brasileiras, investimentos feitos por concessionárias.

Um estudo ainda em fase inicial da FDC (Fundação Dom Cabral), apresentado no evento, mostrou que as rodovias concedidas têm uma melhor qualidade de tráfego, com mais extensão operando nos melhores níveis de serviço. Barcelos lembrou ainda que, em relação à qualidade da infraestrutura das vias medida pela Pesquisa CNT de Rodovias, as melhores avaliações também são de vias concedidas.

Segundo Barcelos, a associação vai lançar um novo índice a partir deste ano, o ABCR+, que vai contabilizar benefícios trazidos pelas concessões rodoviárias e não apenas dados de fluxo de usuários, como vem sendo feito.

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