Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
O presidente da Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), Markus Vlasits, afirmou nesta quinta-feira (18), que o leilão de sistemas de baterias é um primeiro passo para expansão do setor, mas lamentou que o certame só vai remunerar os agentes pela potência, quando outros serviços associados serão prestados.
“No leilão, a nossa remuneração será pela potência, quando vamos prestar outros serviços. Não vamos empilhar outras receitas, vamos enclausurar tudo dentro de um único serviço. Não é o modelo perfeito, mas é um primeiro passo a partir do qual podemos e devemos evoluir”, disse Vlasits em painel sobre o tema no Enase (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico), no Rio de Janeiro.
Como serviços associados que deveriam ser remunerados para além da potência, ele cita o atributo de flexibilidade e a “inércia sintética”, tecnologia que injeta potência extra na rede elétrica por alguns segundos para estabilizar a frequência e evitar apagões durante distúrbios súbitos.
Ainda assim, ele elogiou aspectos do leilão, como a exigência de projetos de no mínimo 30 MW e duração de quatro horas, além dos contratos de 15 anos, período que definiu como plenamente factível para os equipamentos, que inclusive poderiam ter uma sobrevida de operação.
Desafios
Vlasits listou entre desafios para o leilão o requisito de conteúdo local (média de 15%). Segundo ele, essa exigência é compreensível vis a vis o perfil do governo, mas exige uma estratégia mais ampla e de médio prazo de armazenamento, com mais leilões, para estabelecer um parque fabril local. “Projetos fabris não se definem em função de um único leilão”, disse. Depois, destacou o direcionamento locacional por meio de bonificações, que podem conduzir os projetos para determinadas áreas e os custos associados para o consumidor.
Sinais de preço
Segundo Vlasits, a verdadeira expansão não passa somente por leilões, mas pelo estabelecimento de mecanismos de sinal de preço, capazes de estimular os agentes a instalarem baterias em seus projetos de geração de forma unilateral.
Seja por meio de leilões ou projetos independentes, a Absae prevê R$ 80 bilhões em investimentos no setor até o meio da próxima década. A previsão, disse o executivo, é “conservadora”, e o montante pode ser puxado para cima por fatores como o ritmo de expansão da mini e microgeração distribuída.
“Quando olhamos para fora, Austrália, especificamente, muito acontece por sinal de preço. O Chile é assim também. Eles têm capacidade instalada de baterias muito superior e não tiveram leilões para tudo isso, foram, precisamente, os sinais de preço”, diz.





