Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
A ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, defende que o Brasil reúne condições para ser competitivo no mercado de terras raras – atualmente, dominado pela China. Ela, contudo, faz a ressalva de que é preciso buscar parceiros dispostos a compartilhar conhecimento para ajudar o país a ter o “domínio tecnológico” da cadeia de processamento.
Em entrevista à Agência iNFRA, na terça-feira (12), a titular do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) reforçou a posição do presidente Lula de que o país deve “garantir industrialização, processamento, refinamento” dos minerais críticos extraídos das reservas brasileiras.
“Esses são insumos da transição energética e da transformação digital. Eles perpassam uma cadeira dinâmica da economia, e o Brasil tem tudo, matéria-prima e inteligência, para processar e refinar”, afirmou Luciana Santos.
Além de citar que o país tem a segunda maior reserva de terras raras, a ministra mencionou que o Cetem (Centro de Tecnologia Mineral), ligado ao MCTI, desenvolveu a tecnologia de separação dos ETRs (Elementos de Terras Raras) em uma de suas unidades de pesquisa. O projeto, contudo, tem capacidade de produzir apenas em escala piloto.
A separação, apontada pela ministra como “o grande desafio”, é uma das primeiras fases do processamento das terras raras. As etapas subsequentes – como o refino e a produção dos ímãs permanentes – envolvem maior complexidade, risco e aporte financeiro.
A discussão sobre o papel do Brasil na cadeia de suprimento de minerais críticos ocorre no momento de definição do marco legal – PL (Projeto de Lei) 2.780/2026, em tramitação no Senado – e retomada da agenda bilateral com os Estados Unidos, que envolve a expectativa de firmar acordo de cooperação nessa área.
Parceiro tecnológico
Para Luciana Santos, o foco de extrair os minerais críticos e fazer o processamento no Brasil deve pautar a negociação de parcerias com outros países, evitando a repetição do “processo histórico de só exportar commodities”.
“Nós sempre fizemos cooperação internacional numa perspectiva de a gente deter a tecnologia, de fazer transferência tecnológica, de diminuir a nossa curva de aprendizagem de modo a garantir que a gente tenha um domínio tecnológico, tenha a possibilidade de comercializar o produto manufaturado”, destacou a ministra.






