Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA
O diretor-executivo de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, disse nesta quinta-feira (24) acreditar que a estatal vai chegar a um consenso com os credores dentro do processo de recuperação extrajudicial da Braskem. Contudo, ele não descarta o caminho da recuperação judicial.
A petroquímica protocolou o pedido de recuperação extrajudicial em agosto, na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, em processo que envolve aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras da companhia. Na ocasião, credores que representavam 39,6% do valor dos débitos aderiram ao plano, percentual suficiente para o início do procedimento. Agora, circula nos bastidores que os credores pleiteiam aporte de US$ 3 bilhões por parte dos acionistas controladores – Petrobras e IG4 Capital –, ao que a petroleira estatal estaria resistindo.
“Estamos buscando garantir um plano de reestruturação de capital dentro da recuperação extrajudicial, que permita que a Braskem se estruture operacionalmente, logisticamente e financeiramente. Para que a gente possa, daqui a cinco, seis anos, estar com uma empresa robusta”, disse França a jornalistas nesta quinta-feira (24), durante a ROG.e 2026 (antiga Rio Oil & Gas), que está sendo realizada no Rio de Janeiro (RJ).
O executivo, porém, deixou a porta aberta para a possibilidade de um processo de recuperação judicial propriamente dito, assim como a injeção de recursos pela Petrobras, que ainda não teria sido decidida.
“Temos até 24 de novembro para fechar o acordo de recuperação extrajudicial com os credores, porque o prazo é de 90 dias”, explicou França. Os 90 dias são referentes ao quórum necessário à homologação de uma versão atualizada do plano, que poderá vincular a totalidade dos créditos abrangidos à nova estrutura de pagamento.
A estrutura societária da Braskem é composta pelo fundo Shine I, com 50,11% do capital votante; Petrobras, com 47,3%; e outros acionistas, com 2,86% do capital votante. Na quarta (23), a Braskem informou, via fato relevante, que o fundo Shine I lançou uma OPA (Oferta Pública de Ações) da companhia, com leilão previsto para o dia 16 de outubro.





