Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A Petrobras formalizou ao mercado nesta quinta-feira (12) que não vai exercer o direito de preferência na compra da participação da sócia Novonor (ex-Odebrecht) na petroquímica Braskem nem acionar o “tag along”, ou seja, o direito de vender suas ações em condições de preço iguais às da parte vendedora. A decisão foi tomada em reunião do CA (Conselho de Administração) da estatal nesta quarta-feira (10) e confirmou as expectativas dos investidores. O colegiado de onze membros teve posição unânime, disseram fontes.
O novo acordo de acionistas, já considerando com o potencial comprador da fatia da Novonor, a gestora IG4 Capital, ainda está em negociação no âmbito da diretoria executiva da estatal. A Petrobras tenta aumentar sua ingerência na Braskem, com paridade na diretoria da empresa, assim como maior número de representantes na alta administração e presidência do conselho. A IG4 tem negociações avançadas com a Novonor para assumir o controle de 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total da Braskem. Isso foi possível após os bancos credores da Novonor aceitarem vender cerca de R$ 20 bilhões em dívidas que estavam garantidas por ações da petroquímica a um fundo ligado à gestora.
O fato relevante enviado pela Petrobras à CVM na manhã desta quinta-feira (12) informa que a decisão foi tomada à luz de “uma potencial operação envolvendo a transferência de ações da Braskem detidas pela Novonor, para o Shine I Fundo de Investimento em Direitos Creditórios de Responsabilidade Limitada (FIDC)”, gerido pela IG4.
Um interlocutor da Petrobras explicou que o exercício do direito de preferência na Braskem significaria assumir quase integralmente o passivo da companhia, ou seja, seu endividamento, e que o tag along iria contra as diretrizes previamente aprovadas pelo CA, de aprofundar presença na atividade petroquímica. No mais, esse último instrumento não seria vantajoso porque as ações da Braskem estariam depreciadas frente ao seu real potencial.




