14/10/2026 | 10h00  •  Atualização: 14/10/2026 | 11h17

Comerc projeta salto para baterias no Brasil após primeiro leilão

Foto: Douglas Matsunaga/Divulgação/Comerc

Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

A Comerc Energia projeta um salto no segmento de baterias no Brasil após a realização do primeiro leilão para atendimento ao sistema elétrico, marcado para dezembro. À Agência iNFRA, a CEO da empresa, Clarissa Sadock, destaca que usos de baterias elétricas como junto a indústrias, ao agronegócio e sistemas isolados devem ganhar escala.

Esse efeito positivo resultaria numa redução dos preços e dos custos de financiamento para baterias. “O leilão reduz o custo da bateria. Quanto mais a indústria cresce, o preço cai. A gente vê na indústria de placas solares como o crescimento fez o preço cair”, diz a CEO.

Dentre os usos possíveis de baterias que devem ganhar escala, segundo Clarissa, está o das plantas eletrointensivas, como datacenters, que precisam de energia firme. Ela ainda lembra das usinas que sofrem com o curtailment – cortes de geração obrigatórios – e dos sistemas de geração distribuída, que poderão apostar mais no armazenamento com um barateamento da tecnologia.

“O leilão é importante para a matriz energética brasileira e ele abre uma porta importante para a indústria de baterias. Ao trazermos grandes fornecedores para o Brasil, uma legislação mais clara sobre o uso da bateria, viabilizar financiamento entendendo mais sobre o setor de bateria, isso destrava e abre portas para os investimentos em outras funcionalidades”, afirma.

Controlada desde 2025 pela Vibra, a Comerc completa 25 anos em 2026 e já atua com baterias há pelo menos oito anos. Neste ano, comprou a totalidade da MicroPower, empresa focada em sistemas de armazenamento da qual já era acionista. Através desse braço, o grupo já fornece baterias para indústrias e clientes do agro, e vê espaço para crescimento.

Competitividade
A Comerc cadastrou projetos para o primeiro leilão, segundo a CEO, e vê no certame “oportunidade de negócio”. Tudo dependerá, ela explica, do nível de competição do certame, que tem cerca de 300 GW (gigawatts) cadastrados. “Nós temos bons projetos cadastrados e o nosso sucesso no leilão vai depender da competitividade e da gente conseguir viabilizar financeiramente esses projetos. Vamos ver como é que vai ser esse nível de competição. A gente não vai fazer nenhuma maluquice aqui”, diz.

Clarissa Sadock ainda defende a realização do certame na data prevista, mas com todas as regras esclarecidas até lá para garantir a segurança. “A gente entende que é muito importante que o leilão ocorra, ele é importante para a matriz energética brasileira, ele complementa muito bem as fontes que a gente já tem, e abre uma porta importante para a indústria.”

Abertura de mercado
Outra oportunidade de crescimento no radar da empresa é com a abertura do mercado livre de energia para a baixa tensão. Um desafio na visão da executiva da Comerc é o fato de que esse perfil de consumidor conhece menos e não tem o nível de profundidade técnica do setor de energia, o que exigirá adaptações na forma de se comunicar e vender.

“Isso faz com que a gente precise apresentar produtos e soluções simples. É um mercado novo, temos que aprender junto com a abertura de mercado qual vai ser essa necessidade do cliente. A gente tem que trazer soluções que estimule ele a consumir da melhor forma possível, para que ele tenha o desconto, mas que seja uma linguagem mais simples”, comenta.

A CEO destaca que a empresa já tem experiência com esse tipo de cliente por causa da atuação no segmento de geração distribuída, que têm tickets menores e necessidade de uma comunicação mais simples. Por outro lado, isso demanda investimentos em sistemas e produtos diferenciados e mais capilaridade.

Apesar da competição com o mercado livre, Clarissa afirma que o mercado de GD deve continuar em evidência no país e seguirá sendo uma aposta da companhia, que tem hoje 430 MWp (megawatt-pico) em painéis solares distribuídos e 200 mil clientes. “A gente percebe que vários competidores estão com dificuldades nesse mercado. Mas a gente acredita que esse segmento deve se consolidar nos próximos anos. E a Comerc, como um player que tem tido muito sucesso na geração distribuída, quer estar nesse mercado buscando oportunidades e crescimento”, diz.

Crise
Quanto à crise no segmento de comercialização de energia, a executiva da Comerc defende um novo modelo do setor elétrico para que a liquidez e competitividade do mercado volte ao normal. Ela culpou pelo cenário atual os preços elevados da energia no país e a alta volatilidade, o que tem afetado várias comercializadoras.

Clarissa aponta que os preços altos são causados em grande parte pelo nível de aversão ao risco na operação do sistema. “Isso acabou ficando muito restritivo e a gente entende que ele está muito mais alto do que ele precisava ser. E o nível de aversão ao risco tão elevado tem dois componentes. O primeiro é que a energia está mais cara entre 30% e 44% do que precisaria estar. E o segundo fator é que está também muito mais sensível para qualquer mudança no mercado, com alta volatilidade”, diz.

Ela ponderou ainda sobre o impacto que esse cenário tem no consumidor do mercado livre: “Esse cenário todo gera uma redução relevante da liquidez do mercado que é muito ruim para os nossos clientes, porque eles estão com menos oportunidades na mão para poder fazer suas contratações de energia. Então ele tem um preço de energia mais alto e ele tem menos competitividade no mercado”.

Tags:

Solicite sua demonstração do produto Boletins e Alertas

Solicite sua demonstração do produto Fornecimento de Conteúdo

Solicite sua demonstração do produto Publicidade e Branded Content

Solicite sua demonstração do produto Realização e Cobertura de Eventos

Inscreva-se no Boletim Semanal Gratuito

e receba as informações mais importantes sobre infraestrutura no Brasil

Cancele a qualquer momento!