28/11/2025 | 19h36  •  Atualização: 01/12/2025 | 20h04

Curtailment leva Petrobras a reduzir investimento em renováveis, diz Magda

Foto: Agência Petrobras

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi taxativa na tarde de sexta-feira (28) ao comentar o corte da previsão de investimentos da estatal em projetos de geração de energia eólica e solar. Ela evocou a problemática do “curtailment” (cortes obrigatórios de geração) e disse que só faz sentido a Petrobras gerar mais energia elétrica renovável se for para consumo próprio.

“Só faz sentido ter solar se o offtaker formos nós mesmos [Petrobras]. A solar se viabiliza se for dentro do nosso sistema, nas refinarias. Esse curtailment está dizendo o seguinte: está sobrando 9% de energia entre solar e eólica e isso gera instabilidade no sistema. Curtailment é, na verdade, perda de energia. Botar essa energia na rede para jogar fora não faz sentido”, disse a presidente da Petrobras. Ela falou em entrevista coletiva sobre o PE (Plano Estratégico) 2026-2030, divulgado na quinta-feira (27).

O corte de US$ 2 bilhões nos investimentos da Petrobras para os próximos cinco anos estão concentrados na área de Gás Natural e Energia de Baixo Carbono, especificamente nos projetos de geração renovável. O novo PE reduziu a capacidade de geração a ser alcançada com esses novos projetos de 4,7 GW (gigawatts) para 1,7 GW, queda de 63,8%.

Ao todo, a área comandada pela diretora Angelica Laureano, de gás e energia de baixo carbono, viu o capex do período 2026-2030 ser reduzido de US$ 11 bilhões no Plano divulgado no ano passado para US$ 9 bilhões na edição atual.

“Como priorizamos a questão da molécula, [o investimento em] geração eólica é que foi reduzido. Hoje, com excesso de energia no mercado, haja vista a questão do curtailment, isso fica limitado”, diz. Laureano ainda pontuou que, por estar mais focada em molécula de bioprodutos (biocombustíveis), parte dos investimentos em eólica e solar que sobreviveram no planejamento da Petrobras vai ficar “um pouco para o fim do período”.

Ainda assim, a executiva disse esperar concluir o primeiro projeto de geração fotovoltaica para consumo interno já em 2026, na Regap (Refinaria Gabriel Passos), em Betim (MG). Ao todo, nessa linha, a Petrobras planeja uma capacidade de 55,5 MW, com plantas também na Replan (Refinaria de Paulínia, em São Paulo), na Rnest (Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco), e Complexo Boaventura no Rio de Janeiro.

LRCAP
Questionada sobre o LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade) previsto para março do ano que vem, Laureano disse que o certame será “muito importante” para a Petrobras. Segundo a executiva, a estatal terá um total de 2,9 GW de térmelétricas existentes para a disputa e mais um primeiro projeto de usina nova com capacidade de 400 MW no Complexo Boaventura (RJ).

Sobre a definição de novas tarifas de transporte de gás natural, em processo de revisão tarifária para a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que mexe com a competitividade dos projetos da Petrobras para o LRCAP, Laureano se limitou a dizer que a estatal acompanha a discussão no âmbito da agência. 

Nos bastidores, a Petrobras pleiteia a criação de uma “tarifa binômia” específica para termelétricas, com partes fixa e variável. Mas diretores da ANP, como Pietro Mendes e Symone Araújo, que relatam os processos da revisão tarifária, já disseram publicamente que não há tempo hábil para a criação do instrumento e que, além disso, se ele for criado, deveria contemplar todo tipo de negócio e não só o setor termelétrico.

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