21/09/2026 | 17h37

EPE estima potencial de 8,8 GW para resposta da demanda no Brasil

Foto: Domínio público

da Agência iNFRA

A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) estima que o Brasil tenha potencial de 8,8 GW de Resposta da Demanda, considerando os setores industrial e de cogeração. A estimativa consta de nota técnica da instituição, que apresenta um diagnóstico do recurso no país e recomendações para aprimorar os mecanismos de contratação.

A Resposta da Demanda permite que consumidores reduzam ou desloquem voluntariamente seu consumo de energia em resposta a sinais econômicos ou a solicitações do operador do sistema. Segundo a EPE, o mecanismo pode oferecer uma alternativa mais rápida e econômica à contratação ou ao despacho de geração adicional, especialmente diante do crescimento das fontes renováveis variáveis e da geração distribuída. A capacidade contratada nos mecanismos competitivos passou de 93 MW, em 2024, para 229 MW, em 2025, e 344 MW, em 2026.

No cenário de referência, dos 8,8 GW estimados, cerca de 4,1 GW estão concentrados em segmentos eletrointensivos, como aço, alumínio, cimento, papel, ferroligas e data centers. O restante está associado à cogeração a partir de fontes como bagaço de cana, resíduos de madeira, biogás e gás de processo. A EPE calcula uma faixa potencial entre 5,9 GW, no cenário conservador, e 13,1 GW, no otimista.

A empresa ressalva, porém, que esse potencial não deve se transformar imediatamente em capacidade contratada: a adesão dependerá das regras de habilitação e contratação, das penalidades, dos preços e das condições de mercado.

Esse potencial corresponde a entre 5,6% e 12,4% do recorde de demanda instantânea do SIN (Sistema Interligado Nacional). Atualmente, porém, a capacidade contratada de Resposta da Demanda no Brasil equivale a cerca de 0,3% do pico. Para a EPE, a diferença em relação a mercados mais desenvolvidos nesse segmento está relacionada principalmente ao desenho dos instrumentos de contratação, e não à falta de potencial no país.

Entre as mudanças propostas estão uma nova metodologia para calcular a linha de base do consumo, ajustes na definição do preço-teto e contratos com diferentes prazos, incluindo contratos de cinco anos ou mais para viabilizar investimentos em flexibilidade. A EPE também defende que a Resposta da Demanda seja tratada como alternativa estrutural para atender às necessidades de potência do sistema, e não apenas como instrumento utilizado em situações de escassez.

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