Estatais de energia em crise podem mudar desenho do setor

Crédito: Marcelo Casal/Agência Brasil

Natalia Gómez, para a Agência iNFRA

 

As empresas estatais de energia enfrentam um quadro desafiador que pode mudar a configuração do setor, depois que ativos importantes mudarem de mãos. Enquanto a Cesp se aproxima da sua privatização, elétricas como a Copel e a Cemig preparam a venda de empresas para melhorar a sua situação financeira, com o desafio de conseguir bons preços pelos ativos.

A estatal paulista está mais perto da sua privatização, depois de o governo ter melhorado as condições de venda. A redução do preço por ação de R$ 16,80 para R$ 14,30 e a ampliação do contrato de concessão da sua principal usina, a hidrelétrica de Porto Primavera, de 2028 para 2048, são os maiores atrativos para os potenciais compradores.

Estas mudanças no edital de privatização deixaram o mercado confiante de que devem aparecer interessados na Cesp desta vez, depois de a venda ter sido suspensa em 2017 por falta de compradores, de acordo com o analista da Eleven Financial Research, Igor Canan Kfouri.

Passivos judiciais de R$ 10,3 bi
Resta saber como os interessados vão avaliar as incertezas enfrentadas pela Cesp no campo judicial. Por um lado, a companhia ainda tem R$ 10,3 bilhões em contingências judiciais no balanço, mesmo depois de ter chegado a um acordo com o governo do Mato Grosso do Sul sobre ações movidas contra a Cesp.

Ao mesmo tempo, a empresa estima que poderia receber R$ 10 bilhões referentes a indenizações por investimentos não amortizados em concessões vencidas e devolvidas à União. No edital anterior, estes possíveis ganhos ficavam nas mãos do governo paulista, mas o novo edital prevê que os ganhos ficarão com o vencedor.

“Existe um risco significativo e também um potencial de ganho significativo. Como um comprador vai pesar estas duas questões é a grande dúvida que ficou no momento sobre a Cesp”, explica o gerente de projetos da Roland Berger, Mauro Nucci de Toledo.
Entre os possíveis interessados no leilão da Cesp, marcado para 2 de outubro, são esperadas empresas do setor elétrico, incluindo investidores da China, e também agentes financeiros, como fundos de private equity.

Ativos à venda
A Cemig e a Copel também estão em situação difícil, e ambas estudam vendas de ativos para melhorar a situação financeira. A estatal mineira tem um programa de desinvestimentos que prevê a venda de sua fatia na Light e de vários outros negócios, como a participação na hidrelétrica de Santo Antônio, na Renova e na Cemig Telecom.

Até agora, nenhuma venda saiu do papel, embora a empresa tenha declarado publicamente que a venda dos ativos é uma necessidade. A dívida líquida da Cemig no final do primeiro trimestre deste ano era de R$ 12,8 bilhões, sendo a maior parte com vencimento até 2024.

Segundo especialistas, o caos econômico do estado de Minas Gerais e a perda da concessão de quatro usinas no ano passado são fatores que pesaram contra a Cemig, além de más escolhas feita pela gestão da empresa, como o excesso de agressividade na compra de ativos no passado. Um dos investimentos questionados pelos analistas foi a compra da Renova Energia, que hoje enfrenta grave crise financeira e corre o risco de entrar em recuperação judicial.

Light é destaque
No plano de desinvestimentos da Cemig, o ponto mais comentado é a possível venda da fatia da Light, que ganhou destaque depois que os sócios da Cemig na Light acionaram uma opção de venda de suas participações na elétrica que obriga a Cemig a comprar suas ações ou encontrar um terceiro interessado até novembro deste ano.

A operação teria despertado o interesse de alguns compradores – como GP Investments, a italiana Enel e a Neoenergia, além de investidores chineses – mas nenhuma oferta recebida até o momento foi considerada atrativa.

Demora na venda não é má notícia
Para o sócio da Roland Berger, Gustavo do Canto Lopes, a demora na venda não é necessariamente uma má notícia para a Cemig. Segundo ele, existem muitas empresas tentando vender ativos no Brasil, mas está difícil fechar negócio no cenário atual. “É melhor segurar o ativo do que vender barato”, avalia.

A expectativa de conseguir um preço elevado pela venda da fatia na Light ficou ainda maior depois que a italiana Enel pagou um valor considerado alto pela Eletropaulo, em junho deste ano, segundo o analista da Eleven Financial. “Se a Eletropaulo foi esticada aos múltiplos que foi, por que não acreditar no potencial de valorização?”, questiona.

Na lista de desinvestimentos da estatal mineira, a operação que está mais perto de acontecer é a venda da Cemig Telecom, subsidiária de telecomunicações, que tem leilão marcado para 8 de agosto. A Cemig declarou em julho que existem mais de 17 interessados na empresa.

Copel
A paranaense Copel também tem um plano de desinvestimentos à vista, embora não tenha detalhado ao mercado quais ativos pretende vender. A venda de ativos tem o objetivo de desalavancar a empresa, que tem dívida líquida 3,3 vezes maior que a geração de caixa (Ebitda), segundo dados do primeiro trimestre deste ano.

Em meados do ano passado, a empresa chegou a preparar uma oferta de ações de R$ 4 bilhões, mas o plano não foi adiante devido à reação negativa do mercado, afirma a analista da Coinvalores, Sabrina Stefani Cassiano. “Agora o mercado espera os próximos passos, como uma emissão de dívida ou mesmo uma nova oferta de ações”, afirma.

Outro grande desafio destas companhias é definir quais são as suas prioridades em termos estratégicos. “Entender em quais áreas vale a pena crescer é o grande desafio das empresas”, avalia Lopes. Segundo ele, a entrada de novos players e a mudança de mãos de ativos farão com que o setor não seja mais o mesmo daqui a alguns anos.

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