Beatriz Kawai, da Agência iNFRA
O governo de São Paulo quer divulgar em dezembro a carteira do PLI-SP 2050 (Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo), que hoje se encontra em fase de apresentação ao setor produtivo e consolidação dos projetos. Com a conclusão dessa fase, o Executivo estadual – que terá mais quatro anos sob gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) – poderá abrir em janeiro consulta pública com a lista de projetos de logística pensados para o estado. A abertura da consulta depende de alinhamento do governo estadual.
Os empreendimentos serão separados pela Semil-SP (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) – responsável pela estruturação – por ordem de prioridade, conforme os retornos do setor produtivo, dos conselhos e dos órgãos estaduais, com quem a gestão manterá apresentações até novembro. Essa já é a fase final, de “Plano de Ação”, do PLI-SP, que começou a ser estruturado em abril de 2023.
Na lista de projetos deverão estar a modernização do Porto de São Sebastião; a ampliação do canal de capacidade da Hidrovia Tietê-Paraná; e o estudo de obras de um novo aeroporto de grande porte no estado.
“Uma vez estudado no PLI, ofertamos ao governo do estado um projeto com fundamento técnico, demonstrando a importância dele para a sociedade”, explicou à Agência iNFRA o subsecretário de Logística da Semil-SP, Denis Amorim.
O conjunto visa, sobretudo, aumentar a eficiência dos diferentes modais inter-regionais, ao incluir ampliação de rodovias e faixas, otimização de malhas ociosas, conexão intermunicipal, redução de acidentes, melhorias de canais de atendimento e outros. Os desenhos abrangem projetos ferroviários, rodoviários, hidroviários, aéreos, aquaviários e dutoviários, num horizonte de planejamento até 2050.
Modelagem
Após o diálogo com o setor produtivo e órgãos, o governo de SP avaliará a qualificação dos empreendimentos – se serão formatados como concessões, PPPs (Parcerias Público-Privadas) ou como obra pública.
Segundo Amorim, os desenhos serão agrupados em pacotes de acordo com os objetivos estratégicos. As divisões serão entre projetos operacionais pontuais, de curto prazo; projetos táticos, com demanda de maior intervenção no médio prazo; e estratégicos, ao apresentarem potencial de transformação territorial, normalmente “greenfield”.
“Tem uma grande análise territorial envolvida, porque você traz uma nova infraestrutura, pode fomentar a ocupação, uma migração dos centros produtivos para uma determinada região”, comentou o subsecretário.
Transferência de carga
Exemplo da previsão de melhoria de eficiência é o aumento do movimento de carga no canal Nova Avanhandava, na Hidrovia Tietê-Paraná – que atravessa São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná.
A partir das obras de aprofundamento e ampliação do canal, é esperado que mais carga passe a ser transportada via hidrovia e, por consequência, deixe de ser direcionada para o Porto de Santos (SP), o principal do país, além de aliviar cerca de 130 mil veículos das rodovias, conforme Amorim.
“Uma obra a longa distância causa impactos no estado de São Paulo. Para mim, ele [PLI-SP] tem esse olhar integrado, sistêmico, em rede do transporte paulista”, continuou.
Com as obras que vão ampliar a capacidade da hidrovia já em estado avançado, o governo estadual passou a vislumbrar a possibilidade de fazer uma concessão da gestão da Tietê-Paraná – decisão que ainda precisa passar pelo crivo final da gestão Tarcísio.
Como mostrou a Agência iNFRA, o Executivo local tem identificado uma movimentação intensa de investimento nos terminais intermodais à medida que se aproxima a conclusão do derrocamento em Nova Avanhandava, principal gargalo de navegabilidade da Tietê-Paraná. O próximo passo será dar mais eficiência para o transporte aquaviário – ponto em que um parceiro privado poderá entrar.





