01/09/2026 | 14h21

J&F projeta elevar movimentação de gás a 30 milhões de m³/dia em 2030

Foto: TBG/Divulgação

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O diretor de Trading e Originação de Gás Natural do grupo J&F, Thiago Arakaki, afirmou nesta terça-feira (2) que o objetivo da empresa é expandir em 2,5 vezes o volume movimentado pela MGas, comercializadora de gás do grupo, até 2030.

Isso significa saltar dos atuais 12 MMm³/dia (milhões de metros cúbicos por dia) para 30 MMm³/dia. Os volumes servirão, prioritariamente, ao consumo industrial do conglomerado e de suas usinas termelétricas, como os projetos vencedores do último leilão de potência (LRCAP). Arakaki fez as afirmações durante a Gas&Energy Week, evento do setor de gás realizado no Rio de Janeiro.

Arakaki disse que essa expansão será viabilizada por novos terminais de GNL e integração da produção própria de gás da J&F no Cone Sul, desenvolvida pelo seu braço de E&P (exploração e produção), a Fluxus. Hoje a empresa já tem produção de gás na Argentina e na Bolívia, e de petróleo na Venezuela — cerca de 40 mil bpd (barris por dia). Mas também avalia oportunidades no Brasil.

Com relação a terminais de GNL, Arakaki cita dois que começam a ser implementados: um primeiro arrendado por dez anos da NFE em Santa Catarina, negócio recém-aprovado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e outro a ser construído do zero em Pernambuco. Sobre a estrutura arrendada, o executivo disse iniciar a operação de fato em julho do ano que vem. Já o terminal greenfield, em Pernambuco, a previsão é que seja concluído em outubro de 2028. “A gente vai ter os dois terminais de GNL entrando em 2027 e 2028”, afirmou.

Na Argentina, detalha o executivo, a MGas já gere a destinação de uma produção própria do grupo próxima a 1 MMm³/dia. “A ideia é expandir para mais de 2 MMm³/dia. Estamos avaliando novos investimentos, outras oportunidades de crescimento orgânico e inorgânico na Argentina”, disse.

Além do GNL e da produção no continente, Arakaki cita, ainda, esforços para ampliar a participação do grupo em biometano, o que poderá ser utilizado para alimentar a frota própria e terceirizada de caminhões, hoje em 12 mil unidades. Uma das metas nesta frente é chegar a mil caminhões movidos a biometano ainda em 2027.

O executivo disse esperar uma mudança de paradigma no mercado de gás após o biênio 2028-2029, quando o mercado deve “colher os frutos” de novas regulações, assistir à entrada de grandes projetos de produção, como Raia (Petrobras e Equinor), assim como novas instalações consumidoras, caso das termelétricas novas do LRCAP.

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