Luiz Araújo, da Agência iNFRA
Mais de R$ 200 bilhões em investimentos por meio de parcerias com a iniciativa privada devem ser feitos em Minas Gerais até 2055. O valor corresponde a quase 2/3 do que será necessário investir no estado no período, o que é estimado em R$ 317 bilhões.
Os dados são do PELTMG-LP (Plano Estadual de Logística e Transportes de Longo Prazo), instrumento que orienta a expansão e a modernização da infraestrutura do estado nesse período e será apresentado nesta sexta-feira (20) em audiência pública promovida pelo governo estadual.
O plano representa a terceira etapa de um ciclo de planejamento iniciado com a política estadual para o setor e seguido pelo plano de curto prazo, lançado no ano passado. Diferentemente das fases anteriores, o PELTMG-LP incorpora projeções estruturais de longo prazo, considerando diferentes cenários de crescimento econômico e de demanda por mobilidade.
A etapa de consulta, aberta até 2 de abril, inclui a realização de uma sessão pública nesta sexta-feira (20), em Belo Horizonte, na qual a equipe técnica apresentará a metodologia adotada, os principais resultados e as oportunidades mapeadas para o desenvolvimento da infraestrutura logística mineira.
Segundo o secretário de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno Barros de Souza, o plano retoma o planejamento estratégico no setor, que não era atualizado desde 2007. “A cada R$ 1 de investimento bem-planejado em infraestrutura logística e de transportes em Minas Gerais, geram-se R$ 5,1 em benefícios socioeconômicos para o estado”, afirmou.
O PELTMG-LP é coordenado pela Secretaria de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias e foi desenvolvido pela Codemge (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais), com apoio técnico da Infra S.A. e revisão da Fundação Dom Cabral.
Base para decisões
Segundo o diretor de Concessões e Parcerias da Codemge, Gabriel Fajardo, o principal objetivo do planejamento é fornecer uma base técnica robusta para decisões de investimento, reduzindo a fragmentação entre iniciativas isoladas e promovendo uma visão integrada da infraestrutura estadual.
“O PELTMG tira um peso dos gestores futuros, que tendem a ser diariamente demandados sobre decisões de grandes investimentos e sujeitos a pressões setoriais e locais específicas. O plano torna-se um aliado do gestor ao indicar os projetos mais relevantes para o estado, com base técnica e projeções consistentes”, afirmou.
De acordo com Pedro Bruno, uma parcela relevante dos investimentos deverá ser viabilizada por meio de parcerias com o setor privado. “Dos R$ 317 bilhões estimados, cerca de R$ 201 bilhões, ou 63%, têm potencial de serem estruturados como Parcerias Público-Privadas”, afirmou. Os demais projetos deverão ser tocados como obras públicas.
Mais de 100 indicadores
A proposta que está em consulta consolidou uma carteira de pouco mais de 1,1 mil empreendimentos, sendo 129 já contratados e 988 classificados como projetos futuros – lista que inclui projetos de competência federal.
Segundo o secretário, a priorização dos empreendimentos seguiu critérios técnicos baseados em mais de 100 indicadores, incluindo redução de custos logísticos, tempo de viagem, acidentes e emissões. “O plano vai além de uma lista extensa de intenções”, afirmou, ao destacar que a carteira apresenta recomendações estruturadas e hierarquizadas.
No conjunto da carteira – que reúne empreendimentos contratados e previstos – estão contempladas intervenções em 16 aeroportos regionais, incluindo ampliações em terminais como os de Passos, Divinópolis, Paracatu, Diamantina e Pouso Alegre, o aeroporto da Usiminas, no Vale do Aço, o da Zona da Mata, em Goianá, e o de São João del-Rei.
No segmento rodoviário – que tem 912 empreendimentos futuros listados – o plano identifica intervenções em corredores estruturantes, incluindo trechos das BR-251 e MG-188, além de projetos de implantação e melhoria em ligações locais e regionais. Considerando toda a carteira, estão mapeados mais de 6,4 mil quilômetros de novas rodovias estaduais (implantação e pavimentação), mais de cinco mil quilômetros de ampliações e mais de 30 mil quilômetros de recuperação da malha existente.
A estratégia também se baseia na análise de corredores logísticos prioritários. No conjunto dos projetos – já contratados e previstos – o plano prioriza mais de oito mil quilômetros de ferrovias de carga e identifica cerca de 3,5 mil quilômetros de linhas potenciais para trens regionais de passageiros, reforçando a integração da produção estadual aos mercados interno e externo.
Dos 45 empreendimentos ferroviários futuros, o plano aponta projetos como a renovação da concessão da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), operada pela VLI, e a ampliação do trecho ferroviário de Belo Horizonte (MG) a Campo dos Goytacazes (RJ). Há também três empreendimentos hidroviários listados, como a ampliação do Corredor do Rio São Francisco a partir da Represa de Três Marias.
Diagnóstico
A proposta foi elaborada a partir de um diagnóstico detalhado da rede de transportes, com modelagens e simulações que abrangem fluxos logísticos e deslocamentos interurbanos em níveis nacional e internacional. A abordagem contempla todos os modais – rodoviário, ferroviário, aeroportuário, aquaviário e dutoviário – com foco na integração e na eficiência do sistema.
Para orientar a tomada de decisão, o plano utiliza uma metodologia que combina técnicas de modelagem de transportes com o Five Case Model, ferramenta de avaliação estratégica. O processo considera dimensões estratégicas, socioeconômica, financeira, comercial e gerencial para cada empreendimento analisado, além do uso de bases de big data para a reconstrução de fluxos reais.





