17/07/2025 | 11h00  •  Atualização: 18/07/2025 | 14h13

Opinião – Como promover o desenvolvimento sustentável e a competitividade dos data centers no Brasil

Foto: Divulgação

Luiz Vianna* e Paulo Etchichury**

Com mais de 130 data centers distribuídos pelo seu território, o Brasil se apresenta como um player competitivo para atrair novos projetos de infraestrutura tecnológica para inteligência artificial e criptomoedas neste segmento. Nosso parque gerador de energia, marcado pela predominância de fontes renováveis e um estoque considerável de novos projetos, nos credencia à grande demanda proporcionada por este mercado. 

Por outro lado, entre o potencial e a materialização, temos importantes desafios a serem superados, o que vem chamando a atenção do setor elétrico. Para equacionarmos tais desafios, é crucial refletirmos como promover um desenvolvimento setorial genuíno. Temos de buscar um crescimento sustentável que evite riscos à segurança energética, ou mesmo, um retrocesso na jornada de transição energética empreendida pelo país.

Vorazes consumidores de energia, os data centers responderam por um consumo de 460 TWh (terawatt-hora) em 2022, o equivalente a 2% do consumo de eletricidade de todo o planeta. O estudo “Data centers no Brasil – Perspectivas, oportunidades e desafios”, da Thymos Energia, mostra que somente no Brasil tramitam, no momento, solicitações de interconexão à rede elétrica de projetos de data centers que representam um acréscimo de 9 GW (gigawatts) à demanda por energia. 

Ao redor do planeta, com raras exceções, os projetos de data centers vêm procurando atrelar seu fornecimento de eletricidade a fontes de energia de baixa emissão, como aponta esse mesmo estudo. Com uma participação de 88,2% de fontes renováveis em sua matriz elétrica, o Brasil atende, portanto, com méritos aos anseios deste segmento. 

A elevada renovabilidade do parque gerador nacional se deve à expansão acentuada da geração eólica e solar fotovoltaica nos últimos anos. O fato é que a maior presença dessas fontes de energia intermitentes vem proporcionando maior vulnerabilidade à operação do sistema elétrico no país – um fenômeno que ocorre em outros lugares do mundo. A crescente concentração da geração de usinas eólicas e fotovoltaicas contribui para que faltem condições de o sistema elétrico funcionar adequadamente. 

A prova disso tem sido o fato de apagões registrados nos últimos tempos terem se alastrado sem que os dispositivos de isolamento e reativação funcionassem, ampliando a intensidade desses episódios. No Brasil, escaldado pelo efeito do apagão ocorrido em 15 de agosto de 2023, atribuído justamente às dificuldades de equacionamento da geração intermitente, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) tem sido mais rigoroso no exame de conexões de projetos como data centers ao sistema, o que já resultou em restrições a algumas iniciativas.

Há outras questões que deverão ser endereçadas se o Brasil, de fato, quiser obter maior competitividade na atração de data centers – assunto sobre o qual se debruça um grupo de trabalho constituído por técnicos do governo federal e de empresas do setor. Uma delas é a questão tributária. Atualmente, pesa menos para contratar um data center nos Estados Unidos do que no Brasil. Desenrolar o nó do novelo tributário, portanto, é uma das primeiras lições de casa que devemos fazer. 

Se a difícil equação entre segurança e transição energética representa um desafio para o mercado de data centers, por outro lado são esperados benefícios palpáveis para o enfrentamento da questão climática. Os data centers podem, com seu foco em fontes renováveis de energia, estimular em diferentes países uma substituição de fontes fósseis pela oferta de energia limpa – uma contribuição muito bem-vinda considerando-se a escala da demanda desse segmento. 

Para o Brasil, além do incentivo extra para as fontes renováveis, há um importante benefício indireto. O desenvolvimento da IA (inteligência artificial) no país como decorrência natural da expansão dos data centers poderá contribuir para um salto da previsão meteorológica – um segmento que vem ganhando importância cada vez maior diante da ampliação de ocorrência de eventos climáticos extremos no país. A IA é considerada um novo salto evolutivo na ciência da meteorologia por proporcionar modelos climáticos que elevam, sobremaneira, a assertividade das previsões. 

Ao proporcionar cenários e indicadores mais objetivos, a meteorologia permite aos diferentes segmentos da economia desenharem estratégias com maior definição e tomar decisões adequadas, buscando prevenir-se em relação aos riscos e às oportunidades associadas às variações climáticas.

*Luiz Vianna é COO da Thymos Energia e membro do Conselho Administrativo do Cigre-Brasil.

**Paulo Etchichury é CEO da Nottus e meteorologista.

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