da Agência iNFRA
A Petrobras informou nesta segunda-feira (1) que reduzirá a partir de hoje o preço médio de venda do QAV (Querosene de Aviação) em 14,2%, o que corresponde a uma diminuição de R$ 0,93 por litro em relação ao preço do mês anterior. Segundo a companhia, no acumulado do ano, a alta é de 54,5%, equivalente a um acréscimo de R$ 1,98 por litro na comparação com o preço vigente em dezembro de 2025. Já no acumulado desde dezembro de 2022, há queda real de 5,8%, o que equivale a uma redução de R$ 0,34 por litro, considerando a inflação do período.
“O reajuste anunciado reflete a atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais do Querosene de Aviação, ocasionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio”, disse a Petrobras em comunicado, no qual também informa que o programa de parcelamento para os reajustes de preço do combustível, iniciado em abril, será mantido para junho, “permitindo que as distribuidoras paguem um percentual menor de reajuste no momento da compra e quitem o saldo em seis parcelas mensais”.
O anúncio foi visto com bons olhos pela Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) que disse que a medida tem potencial para aliviar um pouco a pressão que o setor sofre com o aumento de custos desde que a guerra no Oriente Médio passou a afetar o preço do QAV. Porém, a associação destacou que o impacto real da medida, em números, ainda está sendo analisado pelas empresas. A entidade lembrou também que o anúncio feito pelo governo na sexta-feira (29), adiando até 31 de julho a redução das alíquotas de PIS/Cofins sobre a importação e a comercialização de QAV, também é positiva e contribui diante do cenário atual. O prazo anterior era 31 de maio.
Precificação
No comunicado em que informa sobre a redução, a Petrobras argumentou que a precificação do QAV no mercado brasileiro segue uma fórmula paramétrica contratual que resulta em reajustes mais moderados se comparados ao mercado internacional. Além disso, a empresa enfatizou que o mercado brasileiro “é aberto à livre concorrência, não havendo restrições legais, regulatórias ou logísticas para que outras empresas atuem como produtoras ou importadoras de QAV”.
“A precificação do QAV no mercado brasileiro segue uma fórmula paramétrica contratual que funciona como amortecedor de curto prazo, resultando em reajustes mais moderados que os observados no mercado internacional”, disse.
Como os reajustes acumulados desde o início do conflito foram superiores nos mercados internacionais em relação aos observados no Brasil, a Petrobras avaliou que isso indica que o preço aplicado por ela no país permanece competitivo. A estatal acrescentou que o volume de QAV solicitado pelas distribuidoras para junho está confirmado, garantindo o abastecimento no período.
Diferente do diesel e da gasolina, o reajuste do QAV da Petrobras às distribuidoras é menos flexível e incide nos contratos em todo início de mês. A fórmula considera a variação do PPI (Preço de Paridade de Importação) para o QAV produzido no Golfo do México (EUA), além das variações de câmbio e frete marítimo. Pesa, ainda, o AFRMM (Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante). A fórmula observa o comportamento dos parâmetros sempre para um mesmo intervalo.
Impacto nas empresas
Historicamente, o combustível responde por até 35% dos custos das empresas aéreas, mas, devido à conjuntura de oferta mais curta ligada à guerra no Oriente Médio, o peso do QAV nas finanças já passa desse percentual. A situação pressiona os custos operacionais das aéreas e a alta tem impactado no plano das empresas, com aumento no preço das passagens e reduções na oferta de voos.
A Abear divulgou, em maio, durante audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o preço do QAV, que identificou queda de 93 voos por dia no mês, quando comparado com o mesmo período do ano passado, e que esse número pode chegar a 121 voos a menos por dia em junho.
No encontro, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) disse que, apesar da queda nos voos também identificada pela reguladora, nenhum destino deixou de ser atendido até o momento.
*Reportagem atualizada na segunda-feira (1) com informações adicionais.






