Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
Segunda maior do país, a Refinaria de Mataripe, na Bahia, ampliou em 25% a capacidade de produção de diesel nos cinco anos sob administração da Acelen. A empresa, do fundo Mubadala, dos Emirados Árabes, comprou a unidade da Petrobras em 2021.
Na utilização máxima da instalação, a ampliação equivale a mais 100 milhões de litros de combustível aproximadamente ao longo desse período. Só a capacidade da unidade de hidrotratamento para produção do tipo S-10 saltou de 11 mil para 13,7 mil m³ por dia, detalhou à Agência iNFRA o vice presidente de operações da Acelen, Celso Ferreira.
“Concluímos o último ciclo de ampliação da capacidade, de 12,4 mil para 13,7 mil m³ por dia ainda em maio, mas só recebemos a autorização para utilização nesse patamar de fato em setembro. O diesel é combustível de alto interesse da companhia pelo contexto do abastecimento brasileiro. A demanda por diesel no pais e no mundo está aquecida”, disse Ferreira.
De fato, entre 20% e 30% do diesel consumido no país é importado, o que garante mercado com boas margens para a produção doméstica, apesar dos preços represados da Petrobras com relação à paridade de importação.
Investimento
A ampliação é resultado de um conjunto de investimentos e iniciativas de “engenharia, tecnologia e eficiência operacional”, segundo a Acelen. Ferreira detalha que o último aumento, deste ano, foi realizado sob investimento de R$ 71,5 milhões, mas que a Acelen já investiu cerca de R$ 4 bilhões no ativo desde que o assumiu.
Na unidade de hidrotratamento ampliada (U-37), as iniciativas incluem a instalação de novos trocadores de calor; substituição do catalisador; recuperação de equipamentos; otimização do uso de vapor; e redução da perda de hidrogênio para flare (queima de gás). “Esse trabalho permitiu eliminar restrições operacionais e ampliar a capacidade da unidade sem a necessidade de construir nova planta”, escreveu a Acelen em nota.
“A modernização da unidade contou também com uma ferramenta de inteligência artificial híbrida, desenvolvida para prever a desativação do catalisador e apoiar decisões operacionais como o monitoramento em tempo real para decisões relacionadas ao aumento de carga da unidade”, continua a empresa.
Outros combustíveis
Segundo Ferreira, para além do diesel, bola da vez, a companhia já ampliou os volumes de produção do QAV (Querosene de Aviação), gasolina, lubrificantes e parafinas. “Por meio de sucessivas otimizações, elevamos o percentual de destilados médios da refinaria de 35% para uma faixa entre 42% e 43%, sempre focados nos produtos de maior agregado e demanda, casos do diesel e QAV”, afirma o executivo.
Bahia e Nordeste como focos
Mataripe refina 301 mil barris de petróleo bruto por dia, o equivalente a 14% da capacidade brasileira. A unidade responde por mais de 80% do abastecimento de combustíveis da Bahia e 42% do Nordeste. E, segundo Ferreira, mesmo com o aumento recente de capacidade, os produtos devem seguir na região, convivendo com oportunidades pontuais para transporte a outras regiões do país via cabotagem.





