Rafael Bitencourt, da Agência Infra
O diretor de geologia e recursos minerais do SGB (Serviço Geológico do Brasil), Francisco Valdir Silveira, defendeu nesta quarta-feira (10) que o Brasil pode bater a China em volume acumulado de terras raras – elementos demandados pela transição energética e pela indústria de alta tecnologia.
Durante audiência pública, na CCT (Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática) do Senado, o executivo da estatal, dedicada a fazer mapeamento geológico, citou alguns projetos promissores no país.
“O maior complexo que tem no Brasil chama-se Seis Lagos, no Amazonas, com uma das maiores reservas de terras raras do planeta. Já no Amapá, próximo à região do Renca, a Reserva Nacional do Cobre [e Associados], nós temos dois complexos carbonatíticos que não foram avaliados ainda, e são portadores de terras raras”, afirmou Francisco Silveira. “Ou seja, podemos chegar muito fácil a ter a primeira posição em terras raras”, completou.
Francisco Silveira disse que é preciso investir mais em pesquisa para o Brasil alcançar o topo do ranking mundial das reservas de terras raras. Esse status, segundo ele, já foi alcançado no registro de nióbio “Porque ainda temos vários e grandes depósitos que ainda não foram medidos”, explicou.
De acordo com o diretor do SGB, as áreas com potencial de terras raras podem ser requeridas para estudos. “São projetos que estão disponíveis para serem baixados, feito o download, pelos pesquisadores que tenham interesse”, sugeriu.
Posição de destaque
Na apresentação, o diretor do SGB citou que o Brasil é o quinto maior produtor global de minerais, mas a maior parte é comercializado como commodities no mercado internacional. Porém, disse ele, o país ocupa posição de destaque em reservas de minerais classificados como críticos, diante da forte expectativa de crescimento da demanda nas próximas décadas associadas à transição energética.
Segue as posições ocupadas pelo Brasil na lista de minerais críticos acumulados a nível global e a respectiva aplicação na indústria:
Nióbio
Posição: 1ª reserva
Aplicações: Aços especiais para turbinas eólicas, veículos elétricos, hidrogênio verdeTerras Raras
Posição: 2º maior reserva
Aplicações: fabricação de ímãs permanentes, vitais para motores de veículos elétricos e geradores de turbinas eólicas, elementos fotovoltaicos, usados em painéis solaresGrafite natural
Posição: 2º maior reserva
Aplicações: Ânodos de baterias: Material crítico para baterias de íon-lítioNíquel
Posição: 3ª maior reserva
Aplicações: Componente de baterias de veículos elétricos com químicas NMC e NCAManganês
Posição: 4ª maior reserva
Aplicações: Baterias do tipo NMC e aços especiais para turbinas eólicas e estruturas de veículos elétricos.Lítio
Posição: 8ª maior reserva
Aplicações: Baterias de íon-lítio, essenciais para veículos elétricos, armazenamento estacionário de energia e dispositivos portáteisCobre
Posição: 10ª maior reserva
Aplicações: Cabos de transmissão de energia elétrica, motores, inversores solares/eólicos e estações de carregamento de veículos
Durante a audiência pública, o diretor do SGB disse que a exploração de terras raras no país “não é um assunto novo”. Segundo ele, o Brasil já deu apoio maior à atividade de pesquisa antes do debate sobre transição energética ficar em evidência. “Até os anos de 1995, o Brasil tinha a cadeia de terras raras mais desenvolvida do planeta”, afirmou.





