Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A Petrobras reforçou seu portfólio exploratório na África com a compra de 27,5% do chamado Bloco 4, em São Tomé e Príncipe. Trata-se da quarta aquisição de ativos petrolíferos da Petrobras nesse país, após aquisições em fevereiro de 2024. Como aconteceu no ano passado, a participação foi comprada da petroleira anglo-holandesa Shell, que aceitou a entrada de sócios no negócio para compartilhar os riscos envolvidos nas operações de busca por petróleo e produção.
No Bloco 4, a Petrobras será sócia da Shell (30%), Galp (27,5%) e da agência reguladora ANP-STP, que representa o governo local, com os 15% restantes. Petrobras e Galp compraram, cada uma, 27,5% do negócio.
“É um negócio de risco e também de investimento avultado. Então a Shell [que antes tinha 85%] trouxe parceiros para não correr o risco sozinha e não ter que investir sozinha”, disse o director executivo da ANP-STP, Álvaro Silva, à RFI (Radio France Internacional), em cerimônia que marcou a transferência das participações na última sexta-feira (12), data em que o negócio foi comunicado ao mercado brasileiro. Segundo Silva, o trabalho de sísmica no Bloco 4 deve acontecer ao longo de 2026, para definir o ponto de perfuração e o potencial de produção do bloco.
Segundo a Petrobras, essa aquisição “reforça a atuação exploratória da Petrobras no continente africano, com o propósito de diversificação de portfólio, e está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, visando à recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras e atuação em parceria”.
A Petrobras aposta na presença de bons volumes de petróleo na costa africana do Atlântico em função de correspondências geológicas com a Margem Equatorial de Brasil, Guianas e Suriname. Mais do que isso, reconheceu o gerente executivo de exploração da estatal, Jonilton Pessoa, a companhia segue apostando no exterior como alternativa às novas fronteiras na costa brasileira, cuja exploração sofre com a demora do licenciamento ambiental. Ele falou em painel do Rio Pipeline, evento organizado pelo IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás Natural) semana passada, no Rio de Janeiro.
Para além de São Tomé e Príncipe, a Petrobras trabalha em uma descoberta de gás na Colômbia e já comprou parte de um bloco na África do Sul. No início de junho, o conselho de administração da companhia aprovou sua entrada, com fins de E&P (Exploração e Produção), em outros países da África – Namíbia e Costa do Marfim – além da Índia.
O Plano Estratégico da Petrobras indica um investimento de até US$ 1,7 bilhões para descoberta e exploração de petróleo no exterior com a finalidade de repor reservas. O montante equivale a 22% dos US$ 7,9 bilhões reservados a essa frente, que contempla, além de outros países, as margens Equatorial (38%) e Sul e Sudeste (40%) do Brasil.





