Lais Carregosa, da Agência iNFRA
Uma eventual decisão por abandonar as obras da usina nuclear de Angra 3 pode levar a um “colapso” do setor nuclear brasileiro, com a interrupção das atividades de Angra 1 e 2. A afirmação é do chefe de gabinete da Presidência da Eletronuclear, André Osório, em audiência na CME (Comissão de Minas e Energia) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (21).
De acordo com ele, a estatal simulou dois cenários: o término das obras e a interrupção da construção. A Eletronuclear aguarda a decisão sobre o destino da usina, que depende do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).
Conforme o cenário desenhado pela estatal, no caso de o CNPE decidir interromper as obras, haveria um desembolso de R$ 14 bilhões para pagar a dívida imediata do empreendimento e os custos de descomissionamento. Além disso, a Caixa e o BNDES poderiam executar as garantias fiduciárias e contra-garantias das dívidas, bloqueando as receitas de Angra 2. Isso levaria à paralisação das duas usinas nucleares devido à falta de recursos.
No segundo cenário, de opção por finalizar as obras, haveria a necessidade de investimento por parte dos acionistas. Seria preciso ainda ir ao mercado para financiar os R$ 21 bilhões necessários à conclusão do empreendimento.
Na última semana, a Eletrobras vendeu a sua participação na Eletronuclear à Âmbar Energia, do Grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista. O negócio foi avaliado em R$ 535 milhões.





