Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
O fabricante russo Rosatom, especializado em equipamento de energia nuclear, enxerga como positiva a chegada da Âmbar Energia no setor, afirmou o presidente da Rosatom América Latina, Ivan Dybov. À Agência iNFRA, o executivo disse que a venda da participação da Eletrobras na Eletronuclear para a empresa do grupo J&F, dos irmãos Batista, “é um sinal muito bom para empresas internacionais que têm a intenção de trabalhar no mercado brasileiro”.
Dybov participou do evento “Nuclear Legacy 2025” e da solenidade em homenagem ao setor nuclear no plenário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (21).
Segundo o executivo russo, o grupo ainda não iniciou conversas sobre possíveis parcerias com a Âmbar. Contudo, ele disse que existe a possibilidade de interações entre as duas companhias especialmente para “buscar redução de custos e fazer a empresa trabalhar com mais eficiência”.
Ele ressaltou que a Rosatom já estabeleceu esse tipo de colaboração com a INB (Indústrias Nucleares do Brasil), que produz combustível para as usinas Angra 1 e 2, além de fornecer urânio enriquecido com “contrato de longo prazo” para a mesma estatal. O executivo acrescentou que também já mantém cooperação com a Eletronuclear, ao mesmo tempo que se prepara para participar de licitações envolvendo a modernização de plantas nucleares instaladas no país.
Cardápio tecnológico
Dybov disse que a Rosatom tem à disposição um conjunto de tecnologias desenvolvidas para o setor nuclear a oferecer para Âmbar para ajudá-la a se consolidar no mercado.
“A Rússia agora está realizando um programa muito grande para construir plantas nucleares no país, fora do país também. Temos várias soluções, incluindo nosso produto tradicional de planta nuclear com 1 mil MW ou 1,2 mil MW, mas também vamos desenvolver a tecnologia para 700 MW ou menos, dos microrreatores [os SMRs, Small Modular Reactors]”, afirmou.
Sobre a tecnologia dos microrreatores, o executivo lembrou que a primeira unidade para lançamento comercial vai ser construída até 2030. “Nós temos plantas nucleares flutuantes que já funcionam na Rússia e essa pode ser uma solução para a Amazônia, por exemplo. Então, nós estamos muito ansiosos para trabalhar com o Brasil, a Eletronuclear, o Ministério de Minas e Energia”, afirmou.







