28/11/2025 | 09h00  •  Atualização: 01/12/2025 | 09h07

Petrobras prevê US$ 109 bi em investimentos até 2030, queda leve de 1,8%

Foto: Pedro Teixeira/Agência Brasil

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou nesta quinta-feira (27) o novo PE (Plano Estratégico) da companhia para os cinco anos entre 2026 e 2030, com uma previsão de investimentos de US$ 109 bilhões. O montante é 1,8% inferior aos US$ 111 bilhões do plano anterior (2025-2029), redução pequena se comparada ao tombo nas cotações internacionais do petróleo em um ano (-13,75%). Analistas e agentes de mercado esperavam corte maior, na casa dos 5%.

Na contramão do desconto no capex total, a parcela reservada a projetos de E&P (exploração e produção de petróleo e gás), vaca leiteira da estatal, foi aumentada em US$ 1 bilhão com relação ao último plano, para US$ 78 bilhões, o que representa 71,5% de tudo a ser investido. O segundo maior capex até 2030, que perfaz US$ 20 bilhões (18,3% do total), acontecerá no grupo Refino, Transporte e Comercialização, estável com relação ao previsto no PE anterior.

O maior corte em termos nominais acontece justamente no grupo de projetos relativos a Gás Natural e Energia de Baixo Carbono, que passa a receber US$ 9 bilhões (8,2% do total) em vez dos US$ 11 bilhões anteriormente previstos. Já projetos corporativos ficam com US$ 2 bilhões até 2030, corte de 33% na comparação com a previsão anterior para o quinquênio.

Com relação ao estágio dos projetos, US$ 91 bilhões servirão a projetos em implantação, portanto com menos flexibilidade para cortes, enquanto US$ 18 bilhões devem servir à carteira de projetos ainda em avaliação.

Nova revisão sistemática
Nesse ponto, em aceno de diligência ao mercado, e para desengessar as previsões da chamada “Carteira de Projetos em Implantação” (US$ 91 bilhões), o novo plano traz um mecanismo inédito de repartição dessa lista de projetos em dois grupos. Um deles, mais abrangente, foi batizado de “Carteira Alvo” e contará com uma espécie de “revisão sistemática” de pouco mais de 10% dos investimentos previstos (US$ 10 bilhões), enquanto o restante, US$ 81 bilhões, formará a agora chamada “Carteira Base”, totalmente aprovada por ser considerada mais resiliente.

Segundo a Petrobras, a confirmação do orçamento desses projetos estimados em US$ 10 bilhões está “condicionada à análises de financiabilidade”. “Avaliações trimestrais, à luz das projeções de fluxo de caixa e estrutura de capital, determinarão o avanço desses projetos, bem como eventual priorização”, diz a empresa no documento divulgado ao mercado.

À Agência iNFRA, o diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, disse que esse novo arranjo embute uma “camada intermediária de governança” no processo de investimentos da estatal. 

“Como hoje existe um nível de risco muito grande associado ao preço do Brent, criamos um arranjo com mais flexibilidade. Até US$ 10 bilhões dessa Carteira Alvo vai ser reavaliada a cada três meses, como se estivéssemos rodando o PE novamente todo trimestre para verificar se as variáveis que aprovamos hoje (27) se confirmam vis a vis preço do Brent e volumes. Se sim, a gente segue com o projeto. Se houver queda muito grande na rentabilidade, posterga [o projeto]. Veja, não é cancelar, é postergar”, disse Melgarejo. 

Foco no E&P e flexibilidade
Prevaleceu internamente a visão de que a Petrobras deve preservar o investimento em novos projetos de produção de petróleo e derivados justamente para compensar a tendência baixista dos preços internacionais com maior volume de vendas. 

O argumento é bem recebido por analistas e agentes do mercado. Mas vem acompanhado da desconfiança sobre pressões do governo federal, acionista controlador da estatal, pela manutenção de um capex total alto, capaz de contemplar novos negócios com taxas bem inferiores às do E&P, casos de energias de baixo carbono (etanol e geração renovável) e fertilizantes, todos mantidos mesmo em contexto de restrição das principal fonte de receitas da empresa. De fato, o presidente Lula enxerga na Petrobras um instrumento para induzir crescimento econômico, defendendo maior verticalização e sua entrada em outros segmentos com a anunciada finalidade de gerar mais emprego e renda. 

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, diz que as duas principais linhas do novo plano (capex global e capex de E&P) indicam uma Petrobras com perfil de gastos apenas um pouco mais enxuto, mas que vai seguir perseguindo aumento de produção. 

Uma fonte da estatal defende esse perfil para a estratégia. “Ninguém vai rasgar contrato assinado ou renunciar a projetos grandes de produção, estruturais, que trazem receita. Mas tem alguns projetos, ainda não sancionados ou mesmo já em licitação, que podem ser postergados. A ideia é preservar alguma flexibilidade nesse sentido. Até porque enquanto não assinar [o contrato], pode parar”, diz.

No início do mês, em entrevista coletiva por ocasião da divulgação do resultado financeiro do terceiro trimestre, o diretor financeiro, Fernando Melgarejo, já havia admitido que alguns investimentos podem ser postergados, a depender da trajetória de preços do Brent. Na ocasião, Melgarejo mencionou os adiamentos de projetos como os de Marlim Sul e Leste, Barracuda e Caratinga. Esse objetivo de ter maior espaço de manobra aparece algumas vezes no plano divulgado nesta quinta (27), que chega a falar em “adoção de critérios mais restritivos na governança de aprovação de projetos”.

Além do maior espaço para adiar projetos, o corpo técnico da Petrobras espera reduzir, ou ao menos manter, o patamar de opex (despesas correntes), com destaque para o chamado “backoffice” (funções administrativas e corporativas). “Se conseguirmos produzir mais mantendo as despesas estáveis, já estamos economizando. Nesse caso, o opex não cai nominalmente, mas, relativamente [à receita], é menor. É o que queremos”, diz.

“Estão previstas medidas para otimizar custos, com economia estimada de US$ 12 bilhões nos gastos operacionais gerenciáveis entre 2025 e 2032, o que representa redução média anual de 8,5% em relação ao Plano anterior”, diz a Petrobras. Como medidas com essa finalidade, a empresa lista: redução de gastos em plataformas sem produção; otimização da logística aérea e marítima e das intervenções em poços e inspeções submarinas; aproveitamento de frete de retorno; e postergação de serviços não prioritários de rotina e conservação.

Interesses
O PE anterior da Petrobras tinha como premissa um preço médio para o barril de Brent a US$ 83, estimativa que, na edição atual, cai para US$ 63 em 2026 e US$ 70 entre 2027 e 2030, diferenças de 24% e 15,7% respectivamente. Fator de maior peso na geração de caixa e, tão logo, na precificação das ações da estatal, a cotação do petróleo normalmente condiciona o capex de uma petroleira, a fim de ajustar os custos futuros ao horizonte de receitas da companhia.

Mas, na Petrobras, pela natureza de capital misto, a definição dos investimentos futuros não observam somente essa variação ou a estratégia de expansão da produção no médio e longo prazos. Também tem de equilibrar a pressão cruzada de dois atores: de um lado o governo, resistente à redução dos investimentos, e, de outro, investidores privados movidos pelo apetite por dividendos.

O novo Plano indica a manutenção da política de dividendos trimestrais ordinários na casa dos 45% do fluxo de caixa livre, diferença entre a geração de caixa e despesas e investimentos. Portanto, no curtíssimo prazo, quanto menores forem os investimentos, maiores são os proventos aos acionistas. Por essa ótica, o capex total frustra o mercado, que esperava um montante total mais próximo de US$ 105 bilhões e um pouco mais espaço para dividendos. Confira aqui o comunicado da Petrobras ao mercado sobre o PE 2026-2030.

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