19/01/2026 | 08h30  •  Atualização: 20/01/2026 | 15h07

44,6% das transportadoras de cargas têm vagas abertas para motoristas

Foto: CNT

da Agência iNFRA

Monitoramento da CNT (Confederação Nacional do Transporte) acerca do déficit de motoristas em cada segmento aponta que, no transporte de cargas, 44,6% das empresas têm vaga aberta para motoristas. Em transporte urbano de passageiros, o número vai a 50,6% das companhias. No segmento de passageiros rodoviários, o patamar chega a 55,6% das empresas com vagas abertas. 

Para a entidade, a escassez de motoristas no Brasil resulta de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais: alta responsabilidade; desafios diários no trânsito; condições adversas de trabalho, o que reduz sua atratividade; e a necessidade de qualificações específicas, como a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) nas categorias D ou E e cursos especializados. 

Em relação à CNH, a avaliação do governo é de que mudanças implementadas recentemente pelo Ministério dos Transportes – que entre outros pontos acabam com a exigência de aulas em autoescolas – podem ajudar em parte na formação de novos motoristas de ônibus e caminhão, com redução de custos. A resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) que moderniza o processo de obtenção da carteira também prevê, por exemplo, a oferta de custos para caminheiros pelo Sest/Senat. 

Os problemas relatados pelo setor produtivo, contudo, são mais profundos. Segundo o diagnóstico do PNL (Plano Nacional de Logística) 2050, a insuficiência de motoristas está associada à remuneração relativa, às condições de trabalho, à rotatividade elevada e à imagem negativa da ocupação, fatores estruturais, e não apenas reflexo de um ciclo conjuntural do mercado de trabalho. 

“Ajustes na legislação podem ampliar o acesso de novos profissionais ao mercado. Por isso, defendemos iniciativas como a do Ministério dos Transportes que buscam reduzir o custo da obtenção da CNH por meio do fim da obrigatoriedade das autoescolas; sem, contudo, desconsiderar a questão da segurança, que deverá ser mantida com a continuidade da exigência dos testes teóricos e práticos para a obtenção da CNH”, avalia a CNT.

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