Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
Estudo produzido pela PwC Brasil reforça a percepção de que o país pode assumir posição de destaque no cenário internacional se aproveitar reservas de minerais críticos, demandados na transição energética, e desenvolver indústria de processamento e refino. O levantamento “Brasil na Era dos Minerais Críticos” alerta que o país detém 23% das reservas mundiais de terras raras, mas responde apenas por 1% da produção global.
Na avaliação da PwC, o país ainda se concentra nas etapas de menor valor agregado, enquanto as fases de refino, transformação química e manufatura avançada permanecem pouco desenvolvidas. Para exemplificar, a consultoria destaca que a diferença “expressiva” de retorno na comercialização do espodumênio (lítio bruto), exportado por cerca de US$ 800 por tonelada, e do hidróxido de lítio grau bateria, que pode superar US$ 8 mil por tonelada.
De acordo com o estudo, entre os principais gargalos observados no Brasil estão a falta de plantas de refino, a burocracia e a ausência de uma política industrial estruturada. Por outro lado, a consultoria lembra que o país apresenta “vantagens competitivas” como a estabilidade institucional relativa, a base mineral diversificada e a experiência consolidada em setores eletrointensivos, que podem ajudar a formar a nova cadeia de valor dos minerais críticos.
“O país tem todas as condições para se posicionar como líder global na nova economia verde, desde que avance em infraestrutura, tecnologia e regulação. A oportunidade é transformar o papel de exportador de commodities em referência em inovação e sustentabilidade”, afirma, em nota, Daniel Martins, sócio e líder da divisão de indústria de energia e serviços de utilidade pública da PwC Brasil.





