23/01/2026 | 17h00

Brasil discute cooperação com a China em energia nuclear

Foto: MME/Divulgação

da Agência iNFRA

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participou na quinta-feira (22), em Xangai, de uma reunião com representantes da CNNC (China National Nuclear Corporation) para ampliar o diálogo sobre cooperação tecnológica na área nuclear. O encontro teve como foco o fortalecimento da cadeia nuclear brasileira e desenvolvimento dos pequenos reatores modulares (Small Modular Reactors – SMRs).  

Durante a reunião com o economista-chefe da CNNC, Mingang Huang, e executivos da companhia, Silveira destacou que o Brasil reúne condições estruturais para avançar no setor, por deter toda a cadeia nuclear desde a pesquisa mineral e produção do combustível à geração de energia e à fabricação de equipamentos. Segundo o ministro, essa característica confere ao país uma base sólida para a expansão da energia nuclear e para a adoção de tecnologias mais avançadas.

O ministro ressaltou que os SMRs podem desempenhar papel estratégico no planejamento energético nacional ao oferecer geração firme e previsível, além de aplicações complementares, como aquecimento industrial, dessalinização de água e suporte a cadeias produtivas intensivas em energia. Para o governo brasileiro, essas tecnologias contribuem para a diversificação da matriz energética, o reforço da segurança energética e o avanço da transição para fontes de baixo carbono.

Silveira afirmou ainda que o surgimento de soluções como os pequenos reatores modulares reforça a necessidade de modernização do setor nuclear brasileiro, com ampliação do entendimento sobre seus usos produtivos e industriais e maior integração ao planejamento energético de longo prazo.

Reorganização
No encontro, o ministro destacou que o atual governo conduz um processo de reestruturação do setor nuclear, com foco na recomposição da governança, racionalidade econômica e no alinhamento dos investimentos a uma estratégia de longo prazo.

Silveira avaliou que a privatização da Eletrobras, realizada na gestão anterior, resultou em maior fragmentação do setor nuclear, ao enfraquecer a coordenação entre empresas estatais e as políticas públicas da área. Segundo ele, decisões tomadas à época levaram a investimentos e contratações sem definição clara sobre o futuro do setor e sobre a conclusão da usina de Angra 3, o que gerou custos adicionais e incertezas. De acordo com Silveira, o ministério trabalha na construção de soluções técnicas, institucionais e financeiras para viabilizar a conclusão do projeto.

O ministro ressaltou ainda que o fortalecimento do setor nuclear depende da atração de investimentos, especialmente nas áreas de pesquisa mineral e no desenvolvimento da cadeia produtiva do urânio. Embora apenas cerca de 30% do subsolo brasileiro tenha sido mapeado, o Brasil possui a sétima maior reserva de urânio do mundo, o que, segundo Silveira, indica elevado potencial de expansão da atividade com o avanço da prospecção e do mapeamento geológico.

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