Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA
Agentes eólicos e solares tiveram prejuízo de R$ 6,5 bilhões por cortes de geração obrigatórios, conhecidos como “curtailment”, em 2025. A constatação está em estudo realizado pela Volt Robotics. Segundo a consultoria, cerca de 20% da energia que poderia ter sido gerada por esses empreendimentos ao longo do ano foi desperdiçada, o equivalente a 4.021 MWmed (megawatt médios).
Segundo o estudo, os meses com mais volume de cortes foram agosto, setembro e outubro. Já em novembro e dezembro foi observada uma redução, em parte pelo fim da chamada “safra dos ventos” – período em que há maior incidência de ventos especialmente no Nordeste – mas também por “ajustes operacionais pontuais”.
A consultoria também aponta que o sistema operou próximo ao limite inferior de segurança, com risco de apagão por excesso de geração, em 16 dias do ano de 2025, enquanto em 2024 essa situação ocorreu em apenas um dia. Esse “salto” é consequência de uma “transformação estrutural”: “A quantidade de energia renovável (solar, principalmente) cresceu tão rapidamente que o sistema elétrico não conseguiu acompanhar”, diz.
“Algumas medidas impediram que um cenário crítico se materializasse durante as festas de fim de ano. Sazonalidades climáticas e decisões operativas, como redução do despacho térmico, foram determinantes para manter o sistema longe do limite”, destaca a consultoria. Contudo, ressalta que ainda é necessária uma solução estruturante para o problema.
“Para além de uma reformulação do sistema, o engajamento dos consumidores poderá ser um fator relevante. O desenho de tarifas horárias eficientes, capazes de gerar benefícios atrativos aos consumidores, e uma comunicação clara com a população serão essenciais.”





