28/01/2026 | 16h41

IPSConsumo aciona Cade contra entrada de United e American na Azul

Foto: José Fernando Ogura/AEN

da Agência iNFRA

O IPSConsumo (Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo) pediu ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) uma análise concorrencial aprofundada da entrada da United Airlines e da American Airlines no capital da Azul, após a reestruturação da companhia no Chapter 11. A entidade protocolou pedido para atuar como terceiro interessado no processo e defende que todos os aportes sejam avaliados de forma conjunta.

Segundo o instituto, as duas empresas somam US$ 200 milhões em investimentos, participação acionária combinada de 17,6% e duas das cinco cadeiras do novo Comitê Estratégico da aérea, estrutura que concentrará decisões sobre endividamento, estratégia comercial, frota e escolha de executivos.

Para a presidente do IPSConsumo, Juliana Pereira, a operação foi tratada como investimento minoritário simples, sem considerar mudanças na governança e possíveis impactos concorrenciais. “É preciso respeitar a autoridade de defesa da concorrência do Brasil. O novo modelo societário altera o centro de decisão da companhia e pode afetar o mercado”, afirma.

Com o fim da figura de controlador na Azul, o instituto sustenta que participações acionárias relevantes passam a ter maior peso nas decisões estratégicas.

Em parecer anexado ao processo, a economista e ex-conselheira do Cade Cristiane Alkmin avalia que a nova configuração pode estimular coordenação entre concorrentes. Segundo ela, o arranjo teria efeitos semelhantes aos de uma fusão, com possível redução da competição no mercado doméstico e na rota Brasil–Estados Unidos.

O IPSConsumo também alerta para a participação simultânea da United em empresas rivais. De acordo com os dados apresentados, a companhia terá 8,8% da Azul e 8,8% da Abra, holding ligada à Gol, caracterizando cross ownership — estrutura que pode facilitar alinhamento de estratégias entre concorrentes.

A entidade ainda critica a aprovação prévia da operação pela Superintendência-Geral do Cade sem restrições antes do fim do prazo para intervenções, o que, na avaliação do instituto, ocorreu com informações incompletas. O pedido é para que o órgão reabra a análise e aprofunde a instrução do caso.

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